Em 29 anos, Recife nos deu qualidade de vida

por Sulamita Esteliam


Comecei a semana em estado de graça, um mês após a volta para casa. Ares de aniversário: na quinta-feira, 16, completamos 29 anos em terras recifenses. Aqui fomos muito bem acolhidos, fizemos um carrossel de amigos, e conquistamos vida melhor: o ar à beira-mar é privilégio.

Descobrimos que mineiros e pernambucanos são bem parecidos: com maior ou menor intensidade e olhar diverso, partilhamos cultura, folguedos, gosto pela política, cidadania e pertencimento ou bairrismo. Tudo junto e misturado, respeitadas as diferenças.

A vida só presta assim, ao menos para esta escriba. Estou velha, mas atenta e posta para o que der e vier. Só não tolero grosseria, descompostura, desperdício, falsidade , injustiça e pergunta idiota.

Um mês foi o tempo de colocar a vida em ordem, depois da longa ausência na terrinha, a capital das Minas Gerais. Fui para lançar meu livro infantil Para que serve um irmão?, rever netos, filho, filhas, irmão e irmãs, e amigas, e amigos que por lá os tenho em profusão.

Nunca é possível encontrar geral. Todo mundo tem seus compromissos e nem sempre calham com os desejos e agendas de outrem. É assim mesmo, e a vida segue.

O plano era ficar um mês – fora uma semana em Sampa, anterior ao Dia das Mães. Acabei adiando o retorno por 15 dias. Fui instada a participar da Fliminas, a I Feira Literária internacional de Minas Gerais.

Depois escrevo mais sobre, ou terei que esticar demais a conversa. Enquanto isso, confira as fotos lá no instagram.com/sulaesteliam . Tem no Facebook/Sulamita Inocencia Esteliam, também.

Abaixo uma foto capturada das postagens no meu perfil no Instagram: autores e autoras companheiros do meu dia e período de lançamento; ao meu lado, de preto, Juliano Loureiro, coordenador do Plin; embaixo, de cachecol e boné, Luiz Borja, e na ponta esquerda o radialista Renato Gonçalves, da rádio-web Mineiríssima FM. Foto de Daniel Stone.

A propósito, não estranhe as mudanças de nome nas redes, sigo recomendações da Numeralogia. E honro a memória de dona Dirce, minha mãe, que me queria Inocência.

Só que a ela, que me gerou e pariu, com ajuda qualificada da mãe parteira, minha avó Ceição, não foi partilhado o direito de escolha. Meu pai foi me conhecer com o registro pronto – e cheio de erros, inclusive a data do nascimento, um dia antes do fato.

Minha participação, e de mais 200 autores e autoras independentes, na I Fliminas teve ancoragem luxuosa, solidária e divertida do Plin – Palco da Literatura Independente. E teve a amiga Madu Costa como homenageada, junto com Márcio Borges.

Foi uma festa adorável, no geral. Destaque para a equipe gestora independente, disposta e produtiva, além de paciente. Sob a batuta leve de Juliano Loureiro e espevitada de Luiz Borja, maestros do Plin_Fest, perfil no Iistagram .

No retorno, só consegui visitar meu quintal, a praia, duas vezes, nos dois últimos domingos; por conta do tempo e também dos afazeres domésticos, sobretudo. É sempre assim no retorno de viagem: a dona Maria baixa sem dó nem piedade, e me consome.

Domingo passado fez sol. Caminhei pela Praia de Boa Viagem com o maridão, recebendo o beijo das ondas na preamar, ali onde o mar ocupa a areia, com maior ou menor ímpeto, e volta serelepe para seu leito.

É restaurador.

A água está menos turva, pois que a chuva tem reduzido a frequência. Depois dos incidentes de junho, as pessoas ainda estão concentradas na areia, sob os guarda-sóis ou não, mas é cada vez maior o número de quem busca a água para se refrescar.

E as crianças, naturalmente, fazem a festa nas piscinas naturais, sob a vigilância atenta de mães e/ou pais, e/ou avós.

Bom lembrar: está aberta a temporada de férias escolares, e também de visitantes – brasileiros e estrangeiros. Os sotaques diversos é outra atração para caminhantes de ouvidos apurados e olhar atento.

A maré estava subindo, mas ainda longe de cobrir o paredão de arrecifes, barreira natural para os temíveis tubarões. Com água pela cintura e fora do mar aberto, o banho é possível, todavia. Exceto no inverno, que por aqui é chuva, temos nos fartado nos 29 anos de Recife.

Somos cautelosos, continuamos inteiros.

Questão de cuidado ao entrar na água e de respeito ao habitat do peixão. Coisa que se perdeu por aqui – ao menos desde a construção do Porto de Suape, fim dos anos 1970, início dos 1980.

Destruiu-se manguezais, berçários naturais de reprodução dos peixes, moslucos, prejudicando pescadores e marisqueiros. Sem casa e sem caça, os tubarões migraram para o Norte, onde estão as praias do Paiva, de Piedade , Boa Viagem e Olinda, pela ordem.

Encontraram água fértil para reprodução no canal submarino que cruza o mar de Olinda – da Praia do Farol ao Paiva, em Cabo de Santo Agostinho. E caça farta amplificada pelo movimento de navios e gente.

No meio do caminho estão Boa Viagem, no Recife, e Piedade, em Jaboatãqo dos Guararapes.

Paralero à orla, a distância em Boa Viagem é de cerca de 50 metros, e em Piedade chega a 20 metros, até menos. É trecho em que o banho de mar é proibido, por que a via de trânsito dos bichos afunda a menos de 10 metros da praia.

Em outros, de mar aberto, as correntes marinhas, também alteradas com a destruição dos manguezais, podem fazer o trabalho de levar banhistas afoitos para a boca dos Cabeça-chata e Tigre, as espécies mais comuns no trecho.

Não é aconselhável, por exemplo, ir para a água, muito menos turva, se está com algum ferimento; do mesmo modo com quaisquer adereços de metal. Assim como sangue, purulência, eflúvios humanos, como urina e material orgânico atiçam o olfato aguçado do bicho, o brilho pode ser confundido com escamas de peixes.

Igualmente, é bom evitar cores vibrantes, o “amarelo tubarão” é o preferido deste ser marítimo. E jogar comida, peixe especialmente, na água, não é só uma questão de higiene e respeito ao meio ambiente. O faro dos tutus é antológico e guia suas mordidas exploratórias.

Tudo isso está bem explicado em placas ao longo da orla, e é repassado pelos guarda-vidas aos banhistas que desconhecem os alertas. Todavia, há quem goste de adrenalina. As consequências são desastrosas mesmo para quem sobrevive.

São cuidados essenciais, se se quer preservar a vida, o corpo inteiro. A lembrar que tubarão ama tartarugas, mas não gosta de carne humana; morde e cospe fora. É o que Euzinha digo a quem me pergunta sobre a convivência com tubarões no banho de mar.

No entanto, provado está que não basta. E o Estado deve explicações sobre o porquê de se ter interrompido, há 11 anos, o monitoramento por microchipagem dos tubarões pelo Cemit – Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões.

O Cemit foi instituído pelo Decreto-Lei 26.729, de 17 de maio de 2004, no governo Jarbas Vasconcelos (PMDB). Diga-se, à luz da Constituição.

Depois dos ataques de junho, a prevenção foi retomada.

Desde 1992 são 34 ataques, 25 dos quais na Praia de Boa Viagem, e 24 em Piedade, na vizinha Jaboatão dos Guararapes, só para ficar nos espaços mais movimentados. Todavia, repito, basta seguir as regras, as recomendações e o banho de mar é tranquilo.

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Fotos:

Praia e mar: cliques meus

Área do canal submarino: caputrado no site da Semas/Cemit PE

Placa de alerta sob cuidados no banhode mar: Tarcíso Augusto/Gcom Semas PE, via Instagram/Diário de Pernambuco

Acessos citados:

Plin_Fest

Fliminas Oficial

Rádio-web Mineiríssima

Fonte, além das lincadas no texto:

Sema/Cemit

Pesquisa Google/resumo IA

PS: Devo o aúdio. Tive problemas técnicos. Pago assim que resolver.

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