Rápido mergulho nos 25 anos de parceria: coisas de casal

por Sulamita Esteliam

Tirei o dia de folga na terça. Passei o dia no vai da valsa, em companhia do maridão; celebramos 25 anos de parceria.

Café da manhã no capricho, hábito da casa. Ele cedeu aos meus apelos e me acompanhou à praia. Aproveitamos a maré seca de lua nova para caminhar longamente com os pés na água, e sem pressa.

Uma água de coco na barraca da Silvana e do Alex, que frequentamos há 19 anos, desde que viemos para o Recife, fechou o percurso.

Euzinha ficaria pela praia, mas Júlio, faz tempo, não curte mais brincar de lagarto ao sol. Não pode, na verdade; e eu não devo – mas para isso existe guarda-sol e protetor solar.

Ontem era dia de entendimento, porém. Voltamos para casa, onde a lida cotidiana está sempre a postos.

Peguei leve, para manter a harmonia.

Ele odeia que eu pague de dona Maria, e eu nunca consegui deixar de lado o vezo de dona de casa. Nem nos tempos de rame-rame profissional, quando dispor de auxiliar era questão de sobrevivência.

Adoro cozinhar, detesto sujeira e barafunda, não aguento ver cesta entupida de roupa suja e não fujo do ferro de passar. Fui bem-treinada pela dona Dirce. O avanço da idade se encarregou de aperfeiçoar.

Na adolescência, refugava; normal. Na juventude e início da maturidade, só fazia quando não tinha alternativa – até porque estudava, tinha que ganhar a vida, criar filhos, militar politicamente e viver todo o prazer de estar aqui, tudo no mesmo fôlego.

Era um tempo em que ter ajuda era indispensável. Mas cozinhar sempre me foi o melhor das tarefas domésticas, gosto adquirido ainda menina. O que, por questão de logística, valia para os fins de semana e ocasiões especiais, tornou-se rotina.

Faço questão, e me traz alegria.

Desta feita, preparei um pargo ao forno, recheado com rabanete e cebola rocha. O almoço saiu já no meio da tarde. Fiz um bolo de chocolate para o lanche ao fim do dia, que assou enquanto almoçamos.

Júlio está em abstinência etílica, até que se complete o tempo que ele se deu para o organismo se recuperar da carga pesada da químio. Ele teve um câncer de pulmão, fez cirurgia há dois anos, passou pela quimioterapia e está recuperado, graças.

Então, fiquei só no aperitivo da lei. Dispensamos a sobremesa.

A sesta prolongada, enquanto a roupa da semana batia na máquina, teve direito a sessão de cinema, que avançou noite adentro. Só saímos do quarto para o indispensável.

Festa do pijama, à moda do Júlio. Sou mais do agito, mas não renego paz e calmaria.

Nossa prole está criada – o meu, as dele, as minhas e a nossa. Cada qual no seu espaço, cuida da própria vida, a maioria a milhas e milhas de distância. Neta e netos, só da minha leva, adolesceram e dispensam avós; a única criança não está por perto.

Então, temos nosso próprio tempo e ritmo. Nenhuma pressa.

Não se faz 25 anos juntos impunemente.

Sim, é claro que as imagens são de momentos felizes.

 

PS: Este texto está pronto deste as sete da manhã de ontem. Mas tive compromissos na rua, retornei à hora do almoço, já com obrigações de trabalho, o que me tomou uma parte da tarde. Ademais, queria localizar umas fotos para digitalizar e agregar à postagem. Acabei me perdendo nas lembranças do baú, e o ontem virou hoje.

É desse jeito…

 

 


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