Lava Jato trava. Afinal, os delatados estão no poder…

por Sulamita Esteliam

Senhoras e senhores, o espetáculo  da varredura e lavagem da corrupção do país está impedida de continuar. Não por motivos técnicos, naturalmente, mas políticos. Como é do conhecimento geral da Nação que quer se fazer grande, mas é mouca e se faz de cega, a Lava Jato travou.

É que no meio da roupa suja toda, descobriu-se, a maioria graúda agora (des)governa o País: Temer, Serra, Padilha se juntam a Jucás, e Neves, e Cunhas, e Alves, e Moreira, e Calheiros, e que tais…

Numa paródia torta da canção de Cazuna, “meus corruptos estão no poder”…

Todos com o pé na lama desde antanho, mas escorregadios e invisíveis aos olhos seletivos dos investigadores e zeladores da lei. Através dos tempos, diga-se.

Não tem sido diferente com o justiceiro da República de Curitiba, herói da Rede Globo e seus amestrados, que atende pelo codinome de Sérgio Moro, e seus confradres do Ministério Público Federal, reunidos na chamada Força Tarefa.

Fazem verdadeiros malabarismos para ocultar a delação dos executivos da Odebrecht. Mas, vazou, e logo para o insuspeito Folha de SP, abaixo.

Aí, tentam passar ao largo, mas está ficando difícil dizer que não vem ao caso. O que já é treva e lamaçal, se transforma em pântano, e vai ficando cada vez mais tenebroso.

E o Janot, ilustríssimo senhor procurador-Geral, alguém sabe dele?

Então…

A Tal Mineira reproduz o artigo de Jânio de Freitas, que escancara os questionáveis métodos da operação concentrada na capital paranaense. A fotomontagem foi capturada no Vi O Mundo, que também reproduz o texto do mestre:

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Discussão entre Lava Jato e Odebrecht leva a impasse

por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

A discussão entre dirigentes da Odebrecht e a Lava Jato, sobre um acordo de delação premiada, encontra dificuldades resistentes de parte a parte. A ponto de ser admitida a hipótese de uma situação nova e de decorrências imprevisíveis, com a mais importante das empreiteiras e os métodos da Lava Jato postos em xeque.

Há um mês, Sergio Moro e os procuradores divulgaram que só aceitariam mais um “acordo” de delação. Havendo, porém, duas empreiteiras a discuti-lo, era já um degrau mais alto nas pressões contra as dificuldades de dobrar a Odebrecht e a OAS, nas pessoas de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro. Nem por isso os dois saíram correndo para conceder o que lhes é exigido, na concepção de preço que a Lava Jato arbitra, sem parâmetros prévios, e submete à aprovação do STF.

Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba há um ano e dois meses, a se completarem na próxima semana. Aguardou quatro meses para a primeira e breve inquirição. Só na semana passada foi ouvido pela primeira vez no grupo de procuradores, como noticiado pela Folha. Léo Pinheiro recebeu outra pena. Os ex-diretores da Petrobras, que agiram com várias empreiteiras, estão em suas casas de férias em Itaipava e Angra dos Reis, e em edifícios luxuosos de Ipanema e Leblon.

O impasse entre a Lava Jato e a Odebrecht deixou bem caracterizado o seu início: os vazamentos da força-tarefa curitibana de repente arrefeceram, e logo sumiram mesmo por largo tempo. As informações propostas pela Odebrecht, para análise da possível delação, davam rumo diferente à temática da Lava Jato: entrevam lideranças do PSDB, governo paulista, Michel Temer e PMDB, enfim, muitos daqueles que, se mencionados em depoimentos distantes, foram entregues depressa aos resguardos do silêncio.

A Lava Jato nada foi verificar ou quis descobrir nesses veios da corrupção, como sabem, não o digam ou digam o contrário, os que têm as informações básicas sobre o que se passa lá e nas adjacências. A confluência de novos citados e o sumiço de vazamentos faz parecer a existência de uma contradição nessa fase da Lava Jato, em cobrar mais delações e desprezar delações a mais do que o esperado ou desejado.

Só há quatro dias um assunto da nova temática apareceu, com a revelação da Folha, pela repórter Bela Megale, de que dirigentes da Odebrecht informaram a Lava Jato sobre doação “por fora” de R$ 23 milhões (hoje, R$ 54,5 milhões) “à campanha” presidencial de José Serra em 2010.

Além daquele montante, haveria ainda R$ 2,4 milhões (R$3,6 milhões de hoje) doados por meio do Comitê Financeiro Nacional da Campanha, portanto, legais em princípio.

Parte daquele montante anterior foi depositada no exterior. E aí há, digamos, um equívoco. Partido não precisa de dinheiro no exterior, o que até exige complicadora remessa para o Brasil. Depósito no exterior indica como destino, não campanhas, mas bolsos e contas pessoais, mesmo se encobertas por terceiros.

Ainda no ramal novo, o aparecimento de Michel Temer e Eliseu Padilha, se bem que citados por “Veja”, traz delicada contribuição para o seu governo. Não foi por casualidade destoante que a composição do ministério encheu-se de pendurados na Justiça e estrelas das citações a jato. Pode-se agora deduzir afinidades a conduzirem as escolhas. No fundo, é de fato o mesmo grupo do PMDB e da Câmara. O governo montado por Temer tem unidade, pois. De cima a baixo.

Nem mesmo é casual a proteção que Michel Temer e seus aliados proporcionam a Eduardo Cunha para protelar sua cassação, já adiada, e agora marcada para 12 de setembro.

 


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