No Dia do Estudante, PM tucana espanca e prende menores em protesto

Abuso de poder, desrespeito ao ECA e à Constituição - Foto: Christian Braga/Jornalistas Livres
Abuso de poder, desrespeito ao ECA e à Constituição – Foto: Christian Braga/Jornalistas Livres
por Sulamita Esteliam

A política dos governos tucanos tem um jeito bem especial de celebrar datas e tratar crianças e adolescentes: com cassete, gaz de pimenta e porrada. Foi assim que a PM Paulista cumprimentou a garotada secundarista no Dia do Estudante, comemorado a 11 de agosto.

De quebra, estendem as homenagens aos senhores pais dos meninos e meninas, espancados e presos, para deixarem de lado essa bobagem de protestar contra a “escola sem partido”, proposta do desgoverno golpista. Afinal, é de descerebrados que esse tipo de político precisa.

Liberdade de expressão é apenas um detalhe no país onde a Constituição foi rasgada.

Quanto aos soldados, homens e mulheres, certamente têm filhos, mas não são pagos para pensar ou sentir.

A ditadura é aqui e agora.

Assista aos vídeos feitos pelo coletivo Jornalistas Livres, que acompanhou todo o desenrolar dos acontecimentos até a noite:

Transcrevo a matéria da Rede Brasil Atual:

PM reprime estudantes em ato contra Escola sem Partido no centro de SP

Jovens cantavam palavras de ordem contra o “fascismo e a violência” da PM. Vídeo mostra violência policial contra estudante menor
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 11/08/2016 15:20, última modificação 11/08/2016 17:23
São Paulo – Policiais militares da base policial da Praça Roosevelt, região central de São Paulo, reprimiram manifestação de estudantes contra o projeto Escola sem Partido antes mesmo de o ato ser iniciado e detiveram três adolescentes sob acusação de desacato, por eles estarem cantando palavras pelo fim da PM. Os jovens, dois homens e uma mulher, não tiveram os nomes revelados.

Após a detenção dos estudantes, os PMs voltaram à base, reprimindo quem se aproximava com cassetetes, spray de pimenta e até o lançamento de uma bomba de gás lacrimogêneo. A jovem, de 15 anos, foi arrastada por dois policiais homens. Segundo relatos, em nenhum momento uma policial mulher esteve presente.

Os jovens subiram em seguida para a Avenida Consolação até a altura da Universidade Mackenzie, onde foram surpreendidos pelo efetivo da PM com bombas e balas de borracha. A manifestação passou pelo 4° Distrito Policial, na Consolação, para onde a PM encaminhou os estudantes. No local, o Frei Agostinho, da Missão Eucarística Voz dos Pobres, afirmou que os jovens serão liberados em breve.

Agostinho relatou que, ao chegar no DP, encontrou uma “situação muito triste”. Os três estudantes foram colocados no porta-malas de uma viatura e chegaram algemados. De acordo com o frei, eles relataram que sofreram agressões com tapas, ofensas, golpes de cassetetes e ataques com spray de pimenta. Os policiais que detiveram os estudantes se recusam a dar informações e estavam sem identificação.

“O Estado, que deveria ser protetor das crianças, reprime, ofende e agride. Tudo se deu por palavras de ordem que os jovens entoavam, o que é um absurdo, pois eles criticavam a instituição, usando da liberdade de expressão”, afirmou. Além de Agostinho, um advogado ativista acompanha o caso e deve permanecer no local até a soltura dos jovens.

O secundarista Igor Miranda, da Escola Estadual Fernão Dias, disse que o protesto é contra o objetivo doutrinador do projeto Escola sem Partido. “Eles querem adestrar os estudantes. A escola já é um espaço de pouco debate hoje e vai ficar pior. Ameaçar prender professores por abordar certos temas é um absurdo”, afirmou.

Os estudantes seguem na Rua Coronel Xavier de Toledo, em passeata para a Praça da República, entoando palavras de ordem contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o acusando de ser fascista e rechaçando o fechamento de escolas, o que chamam de “reorganização disfarçada”.

 

 

 

 


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