Arte em conexão com a ancestralidade: Ceará e Pernambuco em simbiose

por Sulamita Esteliam

No Dia Nacional das Artes, celebrado em 12 de agosto, aproveito para falar do trabalho do artista cearense Gerson Ipirajá, que pode ser visto em duas mostras distintas no Recife: uma no MAB – Museu da Abolição, na Madalena, e outra no Caldo de Boteco, o simpático bar do meu amigo Cajá, na Boa Vista.

E olha que é a primeira vez que Ipirajá vem ao Recife, e já chegou chegando, do jeito que o cearense sabe e gosta: arrombando a festa em terra de tradição cultural e pertencimento. Isso porque ele se mostra irremediavelmente tímido.

Aliás, reza a lenda que toda mãe cearense recomenda à prole que não diga sua origem. Sabe por quê? Para as pessoas não se sentirem humilhadas… Ouvi essa história da boca do curador das exposições, o também cearense Rennat Said.

Brincadeira que tem lastro de atitude, pode acreditar.

No MAB, um casarão que já abrigou engenho de açúcar e, originalmente, pertenceu a Duarte Coelho, o fidalgo donatário da Capitania de Pernambuco, a exposição Gravuras, de Gerson Pirajá chega apresentada pelo coletivo de gravuristas do Recife, Ita-Quatiara.

Inclui xilogravuras, litogravuras e lineogravuras e pode ser vista até 12 de novembro.  A produção conjunta com o pessoal do Ita-Quatiara está presente na mostra.

Gerson Ipirajá trabalha com sua ancestralidade. Inspira-se e “transmuta-se nos “vestígios gráficos encravados e riscados pelos ancestrais”, explica o artista.

Nas artes visuais desde 1995, passou a trabalhar com gravuras a partir de 2000, e já cruzou fronteiras internas e externas, com destaque.

Tive o prazer de conhecer Ipirajá na abertura da mostra no Caldo de Boteco, na terça-feira, 09. No bar estão expostas obras em xilogravura. Um trabalho delicado e marcante, que pode ser visto até o final do mês.

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Algumas das fotos do pernambucano Nelson Alves em exposição – Fotos: SEsteliam

Divide o espaço com a mostra fotográfica do pernambucano Nelson Alves. Andarilho, o fotógrafo está agora no Xingu, acompanhando um Quarup. As fotos em exposição traz indígenas das etnias Krayapo, Kraho, Apinajé e Cuicuros.

A ideia do curador ao juntar as duas formas de arte, é entrelaçar a face da natureza com o humano. “Mais do que denúncia, são mensagens visuais de forte apelo à sensibilidade”, afirma.

A conexão dos artistas cearense e pernambucano resulta em boa simbiose.

Passamos por lá, Euzinha e meu companheiro, para abraçar nosso amigo, Cajá Freire, depois da manifestação #ForaTemer. E eis que chega o artista, acompanhado de amigos e de seu curador, também cearense – que nasceu Tanner Dias e, veja, é colega de faculdade do Júlio.

O Caldo de Boteco é um espaço pequeno, mas aconchegante. Foi pensado com viés cultural. Além de exposições de artes plásticas e fotografia, tem uma programação musical e de poesia ao vivo interessante.

Funciona de 18:00 horas à meia noite, de terça a sexta; sábados de 11:00 às 17:00 horas. Plantado na Rua da Soledade, 58, esquina com Manoel Borba, na Boa Vista, centro do Recife.

Já o Museu da Abolição fica na Rua Benfica, 1150, na Madalena. Aberto de segunda a sexta, de 9:00 às 17:00 horas e aos sábados, de 13:00 às 17:00 horas. Fone: 82-3228.3248 – FB/MuseuAbolicao.

 

 

 


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