O Senado vai ter que encarar Dilma

por Sulamita Esteliam

Tenho uma consulta médica, de avaliação, do outro lado da cidade agora no início da noite, e não sei a que horas, e em que condições, retorno à casa. Sala de espera, e tempo, em clínicas de certos planos de saúde levam o SUS a parecer a antessala do paraíso.

E é isso que esse desgoverno provisório e usurpador tenta impingir à maioria da população ao colocar a universalização do serviço público de saúde sob ameaça: plano de saúde a preços módicos, e atendimento de quinta – pra quem puder pagar.

Bem, não quero deixar o blogue sem atualização logo hoje. Para quem a ficha ainda não caiu, estamos às vésperas do início do ato final da farsa do impeachment da presidenta Dilma Roussef no Senado, que se dá nesta quinta, 25.

Nesta quarta, Dilma participa de ato contra o golpe, organizado pela Frente Brasil Popular, no Teatro dos Bancários, em Brasília. Incansável em sua cruzada em defesa do seu mandato, legitimamente alcançado nas urnas, da Constituição e da Democracia, ontem ela esteve em São Paulo, em ato convocado pela Frente Povo Sem Medo, na Casa de Portugal, no Bairro Liberdade.

Sua fala tem sido um mantra, que o A Tal Mineira tem procurado ecoar:

“Sou inocente e não aceito a injustiça.”

“O que está em risco não é só o meu mandato, mas os direitos sociais, o Estado Democrático de Direito, nossa jovem Democracia, tão duramente conquistada.”

“Não renuncio. Não darei a eles esse gostinho.”

“Não vou jogar a toalha. Vou lutar até o fim.”

Ontem, a presidenta voltou a afirmar que vai ao Senado fazer sua própria defesa. É tudo que os senhores e senhoras senadoras que participam da fraude, que lhe apunhalaram pelas costas, não queriam.

É sobre o que escreveria nesta quarta, mas o tempo urge.

Topei com um artigo no blogue O Cafezinho, exatamente sobre o assunto. Melhor, escrito por uma colega jornalista. Não que os colegas homens não tenham sensibilidade, alguns os têm, sim. Ocorre que é preciso ser mulher para conseguir se colocar no lugar da outra; e olha que boa parte não consegue.

Transcrevo:

Não desista

Dilma Rousseff durante ato pela Democracia da Frente Povo Sem Medo, Casa Portugal, São Paulo - Foto: Paulo Pinto/AGPT
Dilma Rousseff durante ato pela Democracia da Frente Povo Sem Medo, Casa Portugal, São Paulo – Foto: Paulo Pinto/AGPT
por Denise Assis – no Cafezinho

O anúncio feito pela presidenta, Dilma Rousseff, de que irá ao Senado defender-se das acusações que lhe imputam, e foram utilizadas pela Câmara dos Deputados, para tirá-la do poder, ignorando os 54 milhões de votos que a levou ao Planalto, causou mal estar nos que engendraram o seu afastamento.

Chegaram mesmo a dizer que sua ida à sessão que a julgará, “dará legitimidade ao processo”. Ora, a persistirem neste raciocínio, os que a acusam estão assumindo que toda a tramitação é ilegítima, e que necessita de sua presença para materializar aquilo que todos nós sabemos que não existe, ou seja, o dolo. Assim concluiu a equipe de peritos chamados pelo próprio Senado, para avaliar as tais “pedaladas fiscais” e a assinatura de decretos que, conforme os técnicos não existiram.

O que está por trás destas “advertências”, na verdade, é a vontade de que isto não aconteça. Dilma desistindo, eles, os senadores, continuarão com a encenação de que estão seguindo um rito previsto na Constituição, quando todos nós sabemos que o impeachment sim, é uma figura que está na Carta Magna, mas para torná-lo factível é preciso que o presidente da República tenha cometido “crime de responsabilidade”, ou “falta grave”. Do contrário ele é apenas um pretexto para se tirar o poder de quem foi colocado lá pelo povo, e não por manobras que tornam o cargo de presidente ilegítimo.

Observem que o argumento é tão frágil quanto inverídico e aponta justamente para o contrário. Dilma não indo, empresta ao processo um ar de “normalidade conveniente”.

O que temem estes senhores que usurparam o seu poder, é que ao comparecer ao Senado, a presidenta leve consigo um número considerável de pessoas, deixando evidente que há, sim, uma expressiva parcela da população que a apóia, está ao seu lado e deseja a manutenção do seu mandato, não se deixando manipular por uma mídia golpista, por um Judiciário omisso e conivente, e por um congresso corrupto, que se esconde atrás de sua saia, empurrando-a para a fogueira, a fim de que deputados corruptos salvem as próprias peles.

Como vão explicar que a ópera bufa que encenam, não será aplaudida por unanimidade, tal como querem fazer crer? Como irão justificar para os correspondentes estrangeiros (certamente eles irão cobrir o julgamento), que a vilã tem seguidores, que a defendem e nela acreditam?

O desassombro de Dilma, que por esta vida já trilhou caminhos tão arriscados quanto o que se avizinha, tem tirado a noite de sono de muitos desses senhores. E se a conhecemos, em toda a sua determinação e coragem, a presidenta irá, sim, ao Senado, deixar claro que não faz o jogo deles, que quer entrar para a história pela porta da frente, onde a colocaram os 54 milhões de brasileiros que a elegeram. Siga firme, Dilma. E que em todo o seu cortejo, haja alguém acenando e lembrando que você não se sentará naquele plenário, só. Estaremos com você, torcendo para que a sua força seja a nossa força, para impedir que nos surrupiem o direito de escolher por quem queremos ser governados.

 

****************

Postagem revista e atualizada dia 25.08.2016, às 18:08: correção de erros de digitação em diferentes parágrafos; complemento de frase no segundo parágrafo da introdução, que havia ficado perneta. Com minhas desculpas.

 

 

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s