Querem garfar o prazer do voto, não vamos deixar

por Sulamita Esteliam

Parou para pensar que estas são as primeiras eleições na vigência do golpe de Estado, parlamentar, jurídico e midiático, que rasgou a Constituição e o seu, o meu, o nosso voto, milhões de votos, junto?

Então, mais uma vez, sou obrigada a dar razão ao ex-presidente Lula: como é que os partidos que tramaram, conduziram ou apoiaram o golpe têm coragem de pedir  o seu, o meu, o novo voto agora?

Creio que esta é a primeira decisão a se tomar: não vote em candidato de partido golpista.

No meu restrito núcleo familiar, não há o menor perigo.

orcamento-camaras-municipais-br_the-intercept-brasilO segundo ponto é atenção na escolha do candidato a legislador. Lembre-se, é da qualidade de vida de onde você habita que se trata.

Escolha e anote para não esquecer em quem votou. E, mais importante, para poder acompanhar o que é feito do seu voto quando seu candidato é eleito.

O The Intercept Brasil publica uma matéria bastante provocativa sobre o que representam as Câmaras de Vereadores e, portanto, o voto que a conforma desde sempre. Toma como exemplo o Rio de Janeiro, mas é questão universal.

Não adianta tirar o corpo fora, você escolhe.

Euzinha, pessoalmente, decidi votar numa mulher, naturalmente de esquerda, e preferencialmente feminista, para vereadora do Recife.

Não há opção dentre as mulheres candidatas ao cargo executivo, duas em oito: uma jovem do DEM e outra do PSTU.

Ao fim e ao cabo, não temos alternativa a não ser eleger João Paulo 13, prefeito de novo.

Sim, ele é do PT, e foi o primeiro prefeito de esquerda a assumir a Prefeitura do Recife. Governou a cidade por duas gestões, e governou para as pessoas, em particular para a gente excluída do mínimo de cidadania.

Sim, ao nosso ver, foi o melhor prefeito que a capital de Pernambuco já teve – pelo menos nos quase 20 anos que vivemos aqui.

Apesar dos erros. Mas, quem não erra?

E vamos votar com alegria e responsabilidade, porque se tiram nossos votos, a gente devolve a eles o que nos tiraram.

A propósito, compartilho um trecho de precioso artigo da filósofa e escritora  Marcia Tiburi: O que pode um voto nos tempos de sua desmoralização?

Sugestão do chargista  Renato Aroeira em seu FB, o nosso querido e genial Aroeira, mineirim de boa cepa, autor da charge. Como sempre, simbólica e literalmente”desenha” a situação.

Reproduzo o extrato final do artigo, que é profundo e longo. Vale à pena ler a íntegra, é só clicar.

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(…)

O que pode um voto?

Podemos pensar que um voto não vale nada. Mas o voto é uma verdadeira arma democrática. Com ele se combate de modo civilizado e elegante a lógica do capital, a injustiça, a falta de direitos. Pelo voto criamos representação, entramos na política com uma força descomunal, a da lucidez política, que o programa econômico e político tenta destruir.

Quando eu voto, afirmo uma vontade, um desejo e um direito. Tudo ao mesmo tempo.

O voto é a parte inalienável de uma pessoa que se torna expressão de sua dignidade. Quem vende um voto, vende a alma. Vende a si mesmo. Quem o compra, compra um vazio, e ganha um poder vazio.

Enquanto não compreendermos a importância de nossa escolha pessoal no processo, não poderemos falar em democracia. E se o voto não estiver presente, estaremos mortos como cidadãos.

Nesse momento em que o voto é desmoralizado pelo golpe, precisamos saber o que fazer com ele. Todos sabemos que se as eleições para presidente da República de 2015 tivessem um resultado positivo para a máfia política que nos governa, não estaríamos vivendo o trauma político do golpe perpetrado por aqueles que não tiveram votos suficientes para implantar seu projeto. Venceu a maioria, mas depois a maioria perdeu para quem perdeu a eleição.

Um golpe não seria necessário se o voto do povo fosse outro. Se o voto do povo fosse contra o povo, fosse para um projeto antipopular que não foi escolhido pelo povo e que hoje é imposto à força aos brasileiros, não teríamos problema, o povo teria abdicado de si mesmo e, por mais que isso fosse uma contradição, ainda teria algo de democrático. Foi o voto que atrapalhou os planos das elites políticas e que despertou a raiva patriarcal dos coronéis – jecas e vampirescos – da vetusta política brasileira que hoje nos governam.

Todos sabemos que o voto é poder. O poder de expressar-se politicamente, de dizer, de declarar, de fazer acontecer. O voto é um ato fundamental, aquele ato soberano do povo que, neste momento, deve vir como resposta municipal aos gestos autoritários nacionais.

Votar em feministas, em defensores de uma democracia radical, em representantes genuínos do povo, militantes trabalhadores, militantes negros e indígenas, é o gesto que pode desenhar uma nova constelação política nas cidades de nosso Brasil.

Nesse momento, desejo que o voto seja uma estrela lançada na direção da escuridão política de nossos dias.

***************

Não por acaso, a presidenta Dilma Rousseff, deposta no golpe travestido de impeachment, deu entrada no STF, com recurso no qual requer a anulação do processo que resultou na perda do seu mandato, sem justa causa.

Compartilho o vídeo com a fala do seu advogado de defesa, o ex-ministro da Justiça e ex-Advogado Geral da União, José Cardozo:

 


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