A escalada do Estado de exceção: hoje é o MST, amanhã será você

Aroeira na mais perfeita tradução
Aroeira na mais perfeita tradução
por Sulamita Esteliam

Como estamos na sexta, véspera de fim de semana numa semana que teve um feriado no meio do caminho, deveria escrever sobre cultura. Ou, simplesmente, postar vídeos musicais, de arte, textos literários ou poemas que estimulassem a produção de serotonina, por que a gente merece nada menos que o prazer.

Todavia, não se pode fugir da real. E as notícias seguem nos dando conta de que vivemos sob o fio da navalha, num pinguela claudicante sobre o abismo do Estado de exceção. Com o beneplácito luxuoso do Judiciário.

Hoje, contudo, a Polícia Civil paulista invadiu, por conta e risco, sem mandado judicial ou qualquer motivo que justificasse a falta dele, a Escola Florestan Fernandes do MST, e na vídeo-reportagem a seguir, capturada no FB/Mídia Ninja:

Entrou atirando para o alto, sem dar à mínima à presença de crianças e idosos. Prendeu um casal de militantes. Até que se deparou com um seminário lotado de presenças nacionais e internacionais, recepcionados pela EFF.

Registre-se, para quem não sabe, a Escola Nacional Florestan Fernandes é respeitada mundialmente pelo seu veio de formação politico-social.

Abuso estabelecido, vexame irrepreensível, saiu de fininho, porém – também como se não tivesse nada com isso. Mas não sem ameaças.

Eis o acesso para o vídeo original, gravado por militantes do MST, e que só consegui capturar a partir do FB/Jornalistas Livres.

 

 

 

Na verdade foi uma ação policial articulada, simultânea em três estados, todos, não por coincidência, governados pelo partido tucano: além de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Clique para ler a Nota em que o MST denuncia a escalada da repressão da luta pela terra.

E sabemos que não só, mas o diapasão é criminalizar as lutas sociais. Ou seja, as lutas pelo direito a ter direito.

Por isso, neste sábado tem ato de protesto pela criminalização dos movimentos sociais, na própria Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, a partir das 15:00 horas.

Não bastasse, também hoje, soube de fonte boa, o reitor da Universidade Federal Fluminense foi intimado pelo Ministério Público Federal a dar explicações sobre evento em defesa da Democracia promovido pela UFF.

Autonomia universitária, o que é isso!?

Pior, o reitor, a exemplo do que ocorreu com o colega da Universidade Federal do Alagoas, também esta semana, foi ameaçado de condução coercitiva e prisão, caso não entregue o nome dos alunos da ocupação e dos grevistas, alunos ou docentes.

Na UFMG, de minhas caras memórias, um professor da Escola de Educação Física gravou e postou vídeos de conversa com outros alunos, contrários à ocupação, em que ameaça claro confronto com os alunos que ocupam a faculdade, se necessário com uso de violência.

Às seis da matina, estava postado em frente ao prédio no campus. Mas foi convencido pelo vice-reitor para relações estudantis, a se retirar.

Sim, vivemos tempos de terror.

E sabe por quê?

Porque quando tínhamos no poder uma presidenta da República eleita, democraticamente, os erros que eventualmente cometia – e de fato cometeu alguns – sobrou crítica, cobrança, desqualificação.

Reforçaram o apetite dos abutres e quando estes passaram por cima da leis, das pessoas que se colocaram em defesa da legalidade, em número insuficiente, acordam; ainda que letargicamente.

Haraquiri.

Os poderes, todos, num mesmo diapasão contra o gigante em despertar de sono profundo.

O caldeirão foi colocado no fogo em 2013. Fogo de queimar colher. Sobreveio o borralho, mas o caldeirão ficou lá, maturando o cozido, lenta mas constantemente.

Resultou na deposição de Dilma, no golpe parlamentar-juridico-midiático, farsa travestida de impeachment. O caldeirão explodiu nas eleições municipais.

Os predadores estão à vontade para tripudiar. Não se pode mais dizer que não têm votos. Não se preocupam com a História. Traíram, violentaram, usurparam, forjaram o inevitável.

Relaxe e goze, é deles o butim.

 

E no entanto, é preciso cantar. Mais que nunca, é preciso cantar e alegrar a cidade – na métrica de Vinícius e melodia de Carlinhos Lyra, e no ritmo de Toquinho.

 

 

Só mesmo os poetas, os loucos e os líricos para nos salvar.

Saravá!

Agrego, para embalar seu fim de semana, o Brasil em prosa, verso e música: Tom Jobim, Vinícius, Toquinho e Miúcha, ao vivo – Itália, 1977.

Tempos de ditadura, de recrudescimento do terror de Estado.

Enquanto Euzinha cursava a faculdade de Comunicação/Jornalismo na Fafich/UFMG. E criava meu filho, Elgui, e paria minha filha, Gabi, e me separava do pai deles – tudo ao mesmo tempo.

Um passeio pelo melhor da MPB, que inclui Caimi, Baden Powel e, naturalmente, Chico.

 

 

 


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