De volta ao começo…

Algumas horas em refúgio precioso, na Serra da Moeda. Clicada por Bárbara Esteliam
Depois da crise, algumas horas em refúgio precioso, na Serra da Moeda. Clicada por Bárbara Esteliam

Precisei desligar geral, porque sofri uma pane no fim de ano. Cá estamos de volta.

Passei meu aniversário e mais dois dias num hospital em Beagá – no PA, Pronto Atendimento no jargão médico-hospitalar. Ninguém merece.

É que meu plano de saúde, voluptuoso no Nordeste, só dispõe do convênio de um convênio, capenga, em terras mineiras.

Meu contrato é apartamento, o hospital que me foi indicado para a emergência é pequeno e não tinha vaga. Não quiseram correr o risco de me botar numa enfermaria.

E não tiveram coragem de seguir a recomendação do convênio-ponte, uma associação nacional de hospitais: “Não receba, mande pro SUS”

Não havia transferência possível pelo meu plano, “ilustre desconhecido” nas plagas mineiras, segundo alegaram. E os médicos não me liberaram para tomar medicação em casa enquanto aguardava autorização para os exames, porque meu caso seria grave.

Risco por risco, correram o pior: deixaram-me em condição de indigência, no quesito acomodação. Uma tarde e noite em cadeira, sem medicação, porque não havia diagnóstico. Mais dois dias e duas noites em uma maca com colchonete de 5 cm de altura.

E é claro que alguém vai ter que pagar por isso…

O maridão, meu anjo da guarda, que praticamente me obrigou a procurar ajuda médica, moveu céus e terra, por telefone e internet, para obter autorização para os exames.

Ao fim e ao cabo, para facilitar, pagamos a ressonância em instituição indicada pelo hospital, sob garantia de ressarcimento via plano. Aguardamos.

E a filha Carol baixou a sertaneja, legal, com a direção da casa que me hospedou contrariada. Quando argumentaram que “eram as acomodações possíveis”, ela nem pestanejou: “Experimente colocar sua mãe para dormir três dias nesta maca…”

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Aniversário no PA – Júlio clicou

O que não tem remédio, remediado está, não obstante. Minha porção Poliana entrou em campo para me salvar e equilibrar os humores. Queria mesmo é cair fora dali o quanto antes.

E o fiz, com direito a bilhetinho e abraço carinhosos de gente da equipe de enfermagem… E pedido de desculpas da direção.

Sobrevivi.

Banheiro único para pacientes, homens e mulheres. Uma vergonha inadmissível.

Comida só deu as caras no terceiro dia. Nunca pensei que pudesse degustar, com tamanho prazer, carne de soja com chuchu…

Depois de jejuar por 36 horas, à espera de autorização para a ultrassonografia, convenhamos, transmutou-se em verdadeiro manjar.

O desjejum matinal é de chorar: não passa de um magro café com leite e pão com margarina – dizem que falta uma molécula para plástico -, que eu detesto.

Nem uma frutinha, tipo banana ou laranja, para contar a história. Ponho-me a imaginar o papel do alimento, da nutrição na recuperação de pacientes …

Quase vou a nocaute outra vez.

Ou como diria meu saudoso tio Dino, aquele que escolheu meu nome: “vi minha avó pela greta, dançando chá-chá-chá de biquini, muchacha… Barbaridade!

Cenário dantesco. E depois falam do SUS.

Exame de sangue para lá, ultrassonografia para cá, ficamos com o diagnóstico (?) inicial: colecistite, ou inflação da vesícula. Ou não.

img_20170113_213938587E eu nem tomava conhecimento da dona bruta, que só se manifesta quando em surto.

Bilirrubina nas alturas, enzimas hepáticas quadruplicadas, leucócitos de ponta-cabeça. “Barro biliar’ espesso, como volume amorfo em movimento” sugeria entupimento do canal de ligação da vesícula com o fígado, o que terminou não se comprovando.

E Euzinha amarelinha, que nem galinhada com açafrão.

E com fome.

E os braços, e as mãos picadas por todo lado, tudo roxo e dolorido.

Chamaram a infantaria: dois potentes antibióticos entraram em ação e em menos de 48 horas todas as taxas haviam se normalizado.

Coisas que só acontecem com a dona Sulamita.

O velho combatente, entretanto, mesmo antes do assalto medicamentoso, não sofrera alteração de forma ou volume.

Também seus companheiros de batalha, pâncreas e baço, se mantiveram de pé, intactos. Da mesma forma os rins e a bexiga quedaram-se incólumes.

Como é possível!?, perguntavam-se os médicos, estupefatos também pelo fato de que sou uma ex-lupótica.

Ora, dizem que lupus (tive o eritematoso, não o sistêmico) não tem cura. E estou há 16 anos sem medicamento e sem crise, e os exames dão todos negativos.

Desta feita, não havia qualquer tumoração e nem sinal de cálculo na vesícula. Se houve ou se não houve alguma coisa entre eles dois, ninguém sabe, nem a colangiorressonância foi capaz de explicar…

Tudo na mais perfeita ordem. Ou quase.

A cirurgia é mais do que recomendável. Nada garante que não sobrevenha nova crise, e muito menos que eu tenha a mesma sorte.

O bom é que pude deixar para fazê-lo no Recife,  e com mais conforto e assistência. Santa ironia!

Cabe registrar o acerto da equipe médica, apesar do espanto. Gente jovem, firme e desabrida.

Aqui, aonde cheguei na madrugada da quarta, 10 já visitei um cirurgião e estou na fase das providências burocráticas e de segurança para o procedimento cirúrgico.

Quero resolver logo, vem aí o Carnaval.

Até que se extirpe a dona vesícula, recomenda-se passar longe de comida gordurosa: nada de torresmo, pé-de-porco, galopé, mineirinho valente (canjiquinha com bacon e linguiça), rabada, tropeiro, feijoada, tutu de feijão, pastel frito, bolinho de feijão… muito menos mortadela.

Não que faça parte do meu cotidiano; minha dieta é equilibrada. Mas me permito o que é tudo de bom, e parte obrigatória na passagem pelas Gerais.

Claro que tracei tudo o que tinha direito. Exatamente como faço a cada temporada nas Alterosas.

Talvez a culpa seja de um antioxidante que a geriatra daqui me receitou, apesar de avaliar, com base nos resultados de uma bateria de exames, inclusive ultrassonografia abdominal – a primeira em 62 anos de idade – que eu estava “ótima”.

Minha teoria é de que acabou provocando o derramamento de gordura, azedando o processo… Os médicos não descartam a possibilidade, embora não tivessem elementos para comprova-lo.

Ou, quiçá, a resposta esteja mesmo na definição de um amigo: “Chegou a hora dela…”, a vesícula.

Assim, sob profundo mal estar, e sobre-cuidada por todas as partes, peguei leve já a partir do Natal, a festa Cristã – e a minha festa,que deu no que deu.

Em boa companhia. Clicados por Juliana Soares, nossa anfitriã - junto com Frederico Carvalho
Em boa companhia. Clicados por Juliana Soares, nossa anfitriã – junto com Frederico Carvalho

Ganhei o direito de celebrar outros aniversários, três quilos mais magra. E minha Poliana, mais uma vez, é grata.

Sorte é que a cervejinha está liberada, e ando tirando a forra do prejuízo das celebrações de fim de ano.

Saúde e alegria para este novo ciclo.

Não por acaso, faço questão de retomar o blogue nesta sexta-feira, 13.

Muito Axé para tod@s nós.

E fora, temer!

Vê se anula logo, STF!

 

 

 

 

 

 

 


3 comentários sobre “De volta ao começo…

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