O PT no espelho, diante da própria esfinge

por Sulamita Esteliam

Agora à noite, topei com o texto de Saul Leblon em Carta Maior, um editorial que analisa com propriedade o momento “esfinge” que vive o PT. Vai na linha da postagem anterior deste A Tal Mineira, mas com mais profundidade, e argumentos, digamos, mais elegantes.

É mais um alerta, indispensável, para um partido que, queira-se ou não, tem atrelado ao seu destino o futuro do Brasil. Essa responsabilidade é inescapável.

O texto é longo e sugestivo, já a partir do título. Transcrevo um trecho,  pois é longo. Mas vale à pena ler a íntegra, cujo acesso agrego nos créditos:

Lançamento do 6º Congresso Anual, do partido,, em São Paulo, na sexta-feira, 20 - Foto:Paulo Pinto/Agência PT
Lançamento do 6º Congresso Anual,
do partido,, em São Paulo, na sexta-feira, 20 – Foto:Paulo Pinto/Agência PT

Só ilusões, esperança não?

Se optar pela indiferenciação programática o PT será esmagado pelo peso morto das ilusões oferecidas a um país ávido de esperança.
por Saul Leblon – Carta Maior

Em um Brasil capturado por um enredo de Costa Gravas –o mestre do cinema político— no qual interesses conservadores e quadrilhas disputam um golpe de Estado fazendo do sobressalto a rotina, e do caos, a norma, o PT mergulha no seu VI Congresso com o desafio mais difícil em trinta e sete anos de existência: decifrar a própria esfinge, se quiser agir sobre a do país.

Pela octanagem das pendencias o encontro marcará de forma definitiva a trajetória futura da sigla e o seu papel na crise brasileira.

(…)

O PT tem a segunda maior bancada da Câmara e é legítimo que pleiteie representação equivalente nos postos de comando da instituição.

Aliar-se a golpistas para ter reconhecido esse direito, porém, sugere que o partido subestima a natureza e a profundidade da ruptura ocorrida no país e o lugar que lhe cabe na disputa política a partir de agora.

O PT continua a ser o partido preferido dos brasileiros (15%) seguido de longe pelo PSDB (7%).

Mais que isso.

O nome que lidera todas as enquetes para a eleição presidencial em 2018 confirma essa resiliência.

Lula parte de um piso da ordem de 25% a 30% das preferências em todas as pesquisas.

É autoengano conservador imaginar que em um segundo turno, com isonomia de tempo no horário eleitoral, o balaio de votos do ex-presidente permanecerá circunscrito à fatia inicial.

Em qualquer latitude, uma força política montada em trunfos equivalentes afinaria o Congresso dos seus trinta e sete pela diapasão do otimismo histórico.

(…)

O PT que vai ao VI Congresso decidir o rosto que quer ter no futuro está encharcado dessas contradições.

Daí a paralisia diante da esfinge que ameaça devorá-lo.

Como desarmar um sequestro paralisante, quando se é refém mas também, em parte, a tranca da porta?

Um partido de trabalhadores consegue se despir dos vícios e desvios da política conservadora depois de passar pela experiência de administrar o capitalismo?

Não qualquer capitalismo.

A oitava maior economia da terra, fraturada por uma concentração de riqueza despótica e ainda assim cobiçado pelo seu mercado de massa, seus recursos naturais e seu peso geopolítico.

Um partido marcado por cicatrizes históricas tão profundas consegue se reordenar sem se deixar calcificar por limites e compromissos inerentes à correlação de forças desfavorável à qual se ajustou?

Pode recuperar  a hegemonia progressista,  sem a qual descansará sob a lápide do ‘sonho perdido’, de que falava Florestan Fernandes?

Ou consumará a derrota em suicida histórico, com a adesão ao algoz?

A quem dá de ombros como se a perda em risco fosse um mero artefato obsoleto, renovável no mercado de trocas da política, cabe ponderar.

O que está em jogo é um pouco maior que isso.

Sob o clamor dos ataques conservadores ao PT, o que se dissimula é a determinação de anular o papel que as lutas sociais tiveram, tem, e ainda terão, na ordenação do país, na sorte do seu desenvolvimento e no destino de sua sociedade.

O alvo verdadeiro do cerco diuturno não é o PT.

A meta-síntese do arrastão no qual se lambuza a mídia é descredenciar o povo brasileiro da titularidade na construção da própria história.

Por mais que se martele o oposto, a tragédia do PT consiste justamente no fato de não se tratar aqui de um bando, como quer o juiz de Curitiba. Mas do símbolo de um futuro em disputa.

Por mais que o medo e o ódio queiram –e até certo ponto tenham conseguido reescrever a tragédia assim– no ferro desse garrote pretende-se pendurar o pescoço coletivo do povo brasileiro.

(…)”


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