Mulheres sem barreiras querem Temer fora

por Sulamita Esteliam

No Facebook, no pós-8M Brasil, vi a melhor definição para o homem que continua achando que lugar de mulher “é cuidar da casa” e fazer supermercado: “pulga”.  Parece que o autor refugou e substituiu a palavra pelo sinônimo amplificado: “parasita”.

Melhor do que mordomo, alcunha que, inspirada pelo maridão, A Tal Mineira empresta ao dublê de presidente ilegítimo e capo da máfia que toma de assalto o país.

Relembre-se: depois de usurpar a Presidência da República, rasgar a Constituição e violar a democracia para derrubar uma mulher eleita por 54 milhões e meio de votos. Estupro político e coletivo, que nos atinge a todos, não me canso de repetir.

Mordomo e capataz. A serviço do capital financeiro, do empresariado voraz, dos latifundiários escravocratas e violadores de mulheres negras e índias, dos meios de comunicação predadores dos cofres públicos, da casa-grande.

A questão é que, se a casa é território da mulher, como sua desinteligência emocional aponta, nem ali ele governa; que dirá um país.

Pois no Dia Internacional de Greve das Mulheres, assim como no Carnaval, a repulsa ao mordomo “pulga” reinou nas praças, ruas e avenidas dos sete cantos desse gigante Brasil, que só acorda no grito.

Ele, que desgoverna, é #ForaTemer soberano.  Ai, aiaiaiai, se empurrar o Temer cai!

A questão é saber se o STF assume sua obrigação de restituir o primado constitucional, do Estado democrático de direito. Ou vai continuar facilitando a caminhada dos golpistas, fingindo que não é com ele…

Queiram ou não queiram os juízes, o mordomo, e seu apetite incontrolável do alheio – seja um corpo, seja o vil metal que não é fruto do trabalho, seja um cargo – é pai-avô da crise político-econômica.

Urdida nas frestas e cantos da rés-pública, há mais de um ano devasta este País.

É  feito mesmo uma “pulga” que não dá sossego, nem aos bichos, nem às gentes, e causa mal extremo, sobretudo às mulheres.

É praga a ser defenestrada.

E que carregue junto suas pestilências e excrementos: a reforma da Previdência, a retirada de direitos dos trabalhadores, o desemprego; o desmonte da educação, do sistema de saúde, do patrimônio nacional; o massacre dos pobres, e negros, e mulheres, sobretudo.

A pauta da retomada da democracia é parte indissociável da agenda dos direitos das mulheres. E o feminismo sabe disso, e todas as mulheres e homens de boa vontade deveriam saber.

O conservadorismo desenfreado implica retrocessos a tempos medievais.  E o discurso da “pulga” no dia consagrado à luta das mulheres é um pequeno, mas gritante bom exemplo de como tudo pode ficar pior.

Registre-se que esse é o pensamento típico de “homens brancos, velhos e de preto”, a recordar a fala da legítima presidenta da República, Dilma Vana Rousseff sobre os acólitos do mordomo.

Não está sozinho, infelizmente.

Quem navega pelas redes, certamente, assistiu ao vídeo onde um deputado estadual mineiro, tucano, candidato derrotado a Prefeitura de Belo Horizonte, mostra a que veio.

João Leite, afilhado político de Ahécim, o neto que não aprendeu a perder, diz para a colega que presidia a mesa da sessão especial “em homenagem” às mulheres: “temos ali um modelo de mulher, digna, quieta, que sabe manter-se em silêncio…”

É mais do que machismo e patriarcalismo arcaico, é o império do cinismo, da hipocrisia e da desfaçatez, a serviço do que existe de mais retrógrado e asqueroso. É lambança.

A Lava Jato, com toda sua incongruência, oportunismo e seletividade, está aí para não me deixar mentir.

Respiro, lenta e profundamente, para retomar a pauta das mulheres no mundo inteiro: pelo respeito, pela vida das mulheres, pelo direito ao corpo, ao aborto legal e seguro, pelo direito de não ser estrupada.

Na ancestral Ouro Preto, a história de violação das negras e índias e das mulheres do povo se repete, ainda hoje pelos becos, ladeiras e vielas.

Pois as mulheres de Vila Rica subiram e desceram ladeiras carregando cruzes, e as ficaram em todos os pontos onde mulheres foram abusadas.

Quem me conta é uma amiga querida, professora da Ufop, que me enviou vídeo e fotos pelo zap-zap, e a quem agradeço.
Uma cruz foi plantada em frente à República Aquarius, a maior da América Latina. Não são poucos os relatos de abusos contra mulheres ali.

Locais  de residência de estudantes, as repúblicas costumam ser usadas como “abatedouros”, como se dizia em tempos não muito remotos. As festas, usuais, são armadilhas perfeitas. Ou quase.

É que hoje as mulheres não se calam, ou se calam menos. Ainda que seja preciso dupla coragem e estômago para submeter-se ao constrangimento, à minimização do problema, quando não a humilhação e o descaso.

A ver caso do delegado que, inicialmente, assumiu o caso do estupro coletivo da adolescente no Rio de Janeiro. Se acontece numa metrópole, imagina o que pode rolar no interior.

Em Ouro Preto, não é diferente. Muitas denúncias, pouca ou nenhuma providência, muitos casos arquivados sem solução.

Fecho com algumas das fotos que capturei na Marcha de Mulheres do Recife, a partir da saída do Parque 13 de Maio, na Boa Vista, em direção ao Derby, também na área central da capital pernambucana.

E um vídeo que vale mais pela expressão reflexiva de uma senhorinha que, não obstante, participou de toda a caminhada.

 

 

PS: Esta postagem não resistiu ao relógio. E Euzinha não consigo voltar ao blogue nesta sexta, pois entro em preparação para noite, quando entro no bloco cirúrgico de um hospital da cidade para extrair a vesícula.

É procedimento simples, de acordo com os médicos, e tudo há de correr bem. Creio que em uma semana já posso retomar as atividades normais.

Até, então…

 

 

 

 

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s