Câmara arma novo estupro coletivo à Constituição: o bote em 2018

por Sulamita Esteliam

O golpe é permanente. Quem ainda goza de algum resquício de bom senso sabe disso. Não é paranoia, acometimento de que nos acusam os racionais – nós a esquerda sem eira nem beira. É o desmantelamento das instituições e a falta de legitimidade e/ou credibilidade das autoridades ora em exercício que nos fazem reféns do “tudo é possível”.

Pois nesta quinta, as redes sociais entraram em polvorosa, e com razão, ante a noticia do que compartilhei no Facebook, a partir do Twitter @Rogério Thomaz Jr, de nova tentativa de estupro coletivo da cidadania: o golpe dentro do golpe.

Trata-se do ressuscitamento da PEC 77 A/2003, emenda constitucional e do aceleramento de sua tramitação. Em última instância, pode significar a suspensão das eleições majoritárias de 2018. Estabelece eleições coincidentes em todos os níveis, com mandato de cinco anos – de vereador a deputado federal e senador, de prefeito a presidente da República – a partir de 202o.

Em outras palavras: prorrogar o mandato do leal, popularíssimo e competente mordomo-usurpador-presidente por dois anos. Assim, há mais tempo para levar o país ao fundo do abismo.

E de quebra desestabilizar o fator Lula, o imbatível, segundo todas as pesquisas de opinião recentes. Engenhoso, já que a Lava Jato não consegue produzir um grão de provas que possa justificar sua condenação, e assim torná-lo inelegível.

Por obra e graça do presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Maia (DEM-RJ), a proposta (imagem ao lado) chegou a ser lida em plenário na tarde.

Já à noitinha, veio o esclarecimento, se é que se pode chamar assim, do relator da Reforma Política, deputado Vicente Candido (PT-SP): a proposta será modificada e não vai cancelar 2018. Está no Jornal GGN, com aspas para o deputado:

“(…) a instalação desta Comissão de PEC ocorre de maneira simbólica, uma vez que apresentaremos um substitutivo que institui, entre outras medidas, a descoincidência das eleições a partir de 2022 (em anos separados para executivo e legislativo), fim dos cargos de vice, mandato de dez anos para representantes das Côrtes e adoção do sistema distrital misto nas eleições a partir de 2026.”

Então tá. Mas que cheira mal, lá isso cheira. Aliás como quase tudo que vem deste Congresso golpista, sobretudo da Câmara dos Deputados.

Registre-se que outro deputado petista, o gaúcho Paulo Pimenta, considera uma temeridade desencavar essa PEC neste momento de instabilidade política e Estado de exceção. Assista o vídeo:

A pergunta que não quer calar é: qual a legitimidade deste Parlamento para empurrar goela adentro da população reforma atrás de reforma, nenhum delas para melhorar a situação do País e de seu povo.

Muito antes pelo contrário, violada a Constituição, como bem lembra o deputado Pimenta, a partir da farsa do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o fundo do abismo parece não ser o limite.

Tem razão a presidenta Dilma quando prega uma Constituinte exclusiva para a reforma política. E eleições gerais, livres e diretas. O que vem primeiro, eis a questão.

O derradeiro ministro da Justiça de seu governo, Eugênio Aragão, afirma que, primeiro,  é necessário que se restabeleça a ordem institucional, com a anulação do impeachment farsesco. O que, convenhamos, dificilmente o STF o fará. Até porque, começou lá a subversão da ordem democrática.

E não é essa reles escriba que o diz, mas o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em entrevista a Luis Nassif publicada no Jornal GGN.

De qualquer forma, cabe-nos a resistir, mantendo-nos alertas e mobilizados. Como diz a sabedoria popular, “um olho no peixe, outro no gato”, porque vivemos tempos de absurdos, e não podemos sucumbir a eles.

De retrocesso em retrocesso, vem da  BBC, a partir de Washington, outro susto do dia: tropas norte-americanas podem vir ocupar a Amazônia brasileira, a título de “treinamento conjunto, cooperação”. A convite, pasmem, das nossas Forças Armadas!

Não se trata, apenas, de trazer cabrito para nossa horta, ou mero exercício do complexo de vira-latas que julgávamos superado por parte do Estado brasileiro.

Fato é que não faz nenhum sentido, nem do ponto de vista estratégico da segurança nacional, muito menos no aspecto geopolítico.

De que serviria as forças estadunidenses treinamento para operação na selva amazônico, se não o país deles se insere nessas características?

Devo concordar com Fernando Brito, do Tijolaço, onde deparei com a informação, via Twitter: não só é inexplicável e inaceitável, “é escandaloso e ofensivo”.


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