Condenado a indenizar Ali Kamel, jornalista ex-global obtém ampla solidariedade em campanha de arrecadação

Sulamita Esteliam

Chego um tantinho atrasada, mas ainda em tempo para contribuir. O colega Marco Aurélio Mello anuncia no Facebook que já conseguiu mais de 60% da meta de R$ 48 mil 417 reais de que necessita para pagar a indenização a que foi condenado na Justiça em ação movida por seu ex-chefe, Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Globo.

Mello foi editor da empresa durante 12 anos, e foi demitido por denunciar a manipulação deslavada e desavergonhada que a Globo usa em seus telejornais para impor seus interesses e de seus parceiros à opinião pública.

Quem oferece resistência à cartilha imposta, em prejuízo do dever de informar e do direito à informação de qualidade, vai para a degola.

O Superior Tribunal de Justiça condenou Marco Mello por um texto fictício publicado em seu glogue, hoje desativado. O jornalista vive de seu trabalho, e jornalista que não vende a pena não tem dinheiro na caixinha. Para arcar com o ônus da condenação, há uma campanha no site Catarse que pode ser acessada clicando aqui.

Nas redes sociais, o jornalista denuncia:

“A Globo é nefasta, seu jornalismo manipula a opinião pública e ela persegue funcionários e ex-funcionários. Sou vítima disso. Trabalhei lá por 12 anos como editor. Vi de perto como são tomadas as decisões. Como as notícias são preparadas e como muitas são escondidas.”

Marco Mello tem recebido o apoio da blogosfera progressista e também de campanhas como a Calar Jamais, do FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Clique para conhecer a plataforma de denúncias de ataques à liberdade de expressão no Brasil.


É possível que tenha cruzado com Marco Mello, pessoalmente, nos diversos Encontros Nacionais de Blogueiros, mas devo confessar que não me lembro de ter trocado meia dúzia de palavras come ele.

Somos amigos nas redes sociais, entretanto e, como tal, já fui objeto de sua generosidade, quando se encarregou de levar dois poemas meus para o varal da I Feira Literária do Triângulo, em outubro do ano passado, em Santa Maria, próximo a Sacramento, nas Gerais.

E teve a gentileza de compartilhar as fotos da minha poetagem no varal do evento (ao lado).

Por algum motivo que até agora não se explica, não publiquei a história no blogue. Mas não me esqueci da disponibilidade do colega, a quem pude agradecer a oportunidade de estar presente na terrinha, mesmo vivendo tão distante.

Independentemente de qualquer coisa, todo colega de profissão minimamente informado e comprometido com a informação sabe que Marco Mello é jornalista premiado, além de competente – e aqui não é pleonasmo –  e observador dos princípios que regem o exercício do Jornalismo. Numa palavra, é decente para com a sociedade e consigo mesmo.

Luiz Caros Azenhar, do Vi o Mundo, foi contemporâneo de Marco Mello na Globo e escreve sobre o que viveram em conjunto nos idos de 2006. Confira: Da importância de, mais uma vez, Marco Aurélio Mello derrotar a Globo.

Então, se você pode contribuir para a vaquinha, como qualquer quantia, simbólica que seja, desde já agradeço em nome da solidariedade e do direito à livre e responsável expressão.

Marco Aurélio, em dois tempos, paga o preço de se autorespeitar profissionalmente _ Imagem capturada no Vi O Mundo

 Transcrevo o texto escrito por ele, e publicado no FB, dia 02, a propósito da condenação:

 

Perseguido

por Marco Aurélio Mello

A Globo é nefasta, seu jornalismo manipula a opinião pública e ela persegue funcionários e ex-funcionários. Sou vítima disso. Trabalhei lá por 12 anos como editor.

Vi de perto como são tomadas as decisões. Como as notícias são preparadas e como muitas são escondidas.

Nas eleições de 2006, por exemplo, eles fizeram de tudo para derrotar Lula e não conseguiram. Em 2010 foi a vez de Dilma. Quem não se lembra do episódio da “bolinha de papel”?

Por não concordar e denunciar tantos abusos fui perseguido quando estava lá dentro, demitido sem justa causa e depois processado pelo número 1 do jornalismo, Ali Kamel, que tenta calar todos aqueles que o criticam.

Foi assim com Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Rodrigo Vianna, Miguel do Rosário e vários outros.

Veja o que disse o jornalista Paulo Nogueira em 2014:

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-process…

No meu caso, fui condenado por um texto de ficção. Sim, ficção! São dois processos. Um eu ganhei e ele recorre. No outro, o Superior Tribunal de Justiça acaba de me condenar a pagar uma indenização de mais de 40 mil reais!

A estratégia é esta, silenciar seus opositores pelo bolso. Sou assalariado e advogados custam muito. Estou aqui apelando para parentes, amigos e todos aqueles que consideram minha causa justa.

É muito difícil pedir. Pedir nos deixa vulneráveis, mas sei que muita gente já percebeu que eles têm lado e não é o nosso lado, o lado dos trabalhadores, das pessoas mais simples, daqueles que querem um país menos desigual, mais solidário e fraterno.

Você pode contribuir com quanto quiser. Qualquer valor, por menor que seja, é muito para mim, porque será somado ao de muitos outros.

Não vou desistir de lutar, mas para isso preciso sim de ajuda. Vou continuar produzindo e compartilhando conteúdo de graça na rede, como sempre fiz.

E tenho certeza de que cedo ou tarde este império vai acabar.

PS do Marco Aurélio: Pelo Facebook, o leitor Maurício Ramos Thomaz questionou a decisão. Disse que não é terminativa. O STJ julgou improcedentes os Embargos de Declaração.

Maurício não está de todo errado.  De fato, cabe recurso ao STF, por se tratar de questão constitucional. No entanto, os advogados que me defendem consideram que:

1. O STF não tem boa vontade com causas individuais; 2. Constituir um advogado em Brasília e todas as custas processuais lá implicariam em gastos que podem ser superiores ao valor da indenização. Portanto, a decisão foi não mais recorrer.

Infelizmente, a Justiça é para quem tem dinheiro. E não é pouco.

 

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Postagem revista e atualizada dia 06.07.2017, às 12:28 hs: substituição de palavras repetidas e correção de erros de digitação e que tais.


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