O sincericídio do AhÉCim traduz a urgência das reformas que ele defende

O genial Renato Aroeira, há um ano
por Sulamita Esteliam

Que o AhÉCim é cara de pau, o Brasil inteiro sabe, e Minas Gerais ainda sofre com o enxame de cupins que ele e os seus espalharam na des-administração do estado. Mas hoje, no patético retorno ao Senado, o mineirim teve um ataque de sincericídio.

E é bom seus eleitores, hoje praticamente inexistentes, prestem atenção para não perseverar na crença de que há salvação guiada nas asas e bicos tucanos. Não há.

Disse o neto de Tancredo, que desonra a memória do velho, ao apelar à bancada do seu partido que mantenha o apoio ao desgoverno do mordomo usurpador, em avançado estado de decomposição. Registra a Rede Brasil Atual:

“Quero reafirmar meu compromisso e minha crença na necessidade de continuarmos avançando em uma ousada agenda de reformas que foi, aliás, a razão do apoio do PSDB ao governo do presidente Michel Temer.”

Em sua homenagem, o plenário do Senado aprovou esta tarde o regime de urgência para a votação do projeto de degola trabalhista, a qual a Câmara Alta, que deveria ser revisora, abdica de alterar.

Ou seja, vai pra votação sem mexer uma vírgula no que foi aprovado na Câmara dos Deputados: um desastre pronto e acabado, uma “crueldade”, como tem definido o senador Paulo Paim (PT-RS), que honra, como poucos, o cargo e seus eleitores.

Retrocesso não apenas para os trabalhadores, que passavam a ser tangidos de volta ao regime escravocrata. Mas é o país como um todo que se afunda no abismo. Está aí a deflação que não me deixa mentir.

Não é controle macroeconômico, nem ajuste fiscal, é recessão brava, mesmo.

Fato é que não há demanda sem dinheiro circulando, não há compra e venda sem emprego, não há recursos sem arrecadação, não há arrecadação sem produção e salários. Não há democracia sem direitos.

O mais é manipulação grosseira, história para boi dormir, é chamar a gente brasileira de idiota.

Não existe a remota possibilidade de esse projeto vir a representar melhorias para o trabalhador, assim como não há chance de gerar mais emprego. Há mais de 100 artigos da CLT exterminados, o que significa direitos trabalhistas jogados no lixo.

E se você que está agora ao mercado de trabalho tem ilusões de que é assim mesmo, pois já acontece – e é fato em muitas situações não viu da missa a metade; vai ficar muito pior.

E para você que chega ao mercado de trabalho e acha que pode prescindir de patrão, carteira assinada e aposentadoria, espere até chegar aos 50, quando sua mão de obra for dispensável por conta da garotada, igual você é hoje, disponível para ganhar qualquer trocado em condições quaisquer.

O Cesit – Centro de Estudos Sindicais e de Economia da Unicamp elaborou dossiê sobre o projeto esse projeto de desmonte dos direitos trabalhistas, e afirma que não passa de “um apanhado de platformas patronais” – da CNI e da CNI, as duas confederações que reúne os empresários da cidade e do campo, respectivamente.

Em entrevista ao Portal da CUT, a economista Marilane Teixeira, responsável sintetização da pesquisa, afirma, com todas as letras:

“Nenhum aspecto da reforma trabalhista sugere o estímulo a novos postos de trabalho.”

Transcrevo a integra:

Não há um único avanço na reforma Trabalhista, aponta Cesit

Dossiê do Centro de Estudos Sindicais e de Economia elege acordos individuais e negociado sobre legislado como principais vilões da proposta de Temer
por Luiz Carvalho – no Portal da CUT

A reforma Trabalhista vai diminuir o desemprego?
Marilane Teixeira – Não há nenhuma possibilidade de a reforma trabalhista diminuir o desemprego. O que vai fazer é promover uma substituição dos trabalhadores efetivos por terceirizados, por contratos temporários, intermitentes e parciais, algo que já começa a acontecer. Nenhum aspecto da reforma trabalhista sugere o estímulo à criação de novos postos de trabalho.

Empresas, sindicatos e organizações patronais dizem que a legislação trabalhista seria extremamente rígida e que isso diminuiria a possibilidade de criação de emprego. Isso é verdade?
Marilane – Estudos da OIT (Organização Internacional do Trabalho), de 2015 e 2016, que analisaram mais de 60 países em 10 anos, e 11 países em seis anos, respectivamente, mostram que não há significação estatística que relacione a rigidez na legislação com a queda no nível de emprego.

Ao contrário, nos períodos em que houve flexibilização, o desemprego também aumentou e onde a regulação do trabalho se intensificou, há melhoras no nível de empregabilidade.

O custo da contratação pode ser um argumento para não geração de emprego?
Marilane – Claro que não! No caso do Brasil, a dispensa e contratação é um mecanismo usado amplamente pelas empresas. O que a reforma Trabalhista propicia é uma dispensa a custos menores.

Em 2016, no país, o mercado de trabalho movimentou 30 milhões de pessoas. Foram demitidas 16,5 milhões e admitidas 15 milhões. Por que a rotatividade é tão alta? Porque usam o mecanismo da dispensa imotivada para regular salários. Demitem e contratam com rendimento que pode oscilar de 20% a 35% menores do novo funcionário em relação ao que foi demitido.

Se alegam que o custo com demissão é elevado, porque dispensam nesse volume? Não é esse o problema e manter um certo grau de proteção ao trabalhador demitido por meio do acesso ao FGTS e ao seguro-desemprego é uma garantia mínima para quem provavelmente vai enfrentar longo período de desemprego.

O rendimento médio de um trabalhador hoje no Brasil é menor do que em 2012, imagina com a inflação acumulada nesses quase cinco anos. Só há perspectiva de empobrecimento e de ampliação das desigualdades entre trabalhadores, algo que só beneficia as empresas.

Mas o que dizer para quem defende que o importante é gerar emprego, independente da qualidade?
Marilane – O problema é o modelo que vai gerar. Pegue o trabalho intermitente, um dos pontos da reforma. O trabalhador pode ser convocado uma vez na semana ou nenhuma para trabalhar oito, seis, quatro horas ou menos e não haverá nenhuma segurança sobre rendimento médio. Não terá nem ideia de quanto vai ter em termos de salário. Não há nenhuma previsibilidade em relação à remuneração nesse período. Você tem gastos com moradia, transporte, precisa se alimentar, mas não tem previsão de quanto vai receber, porque pode passar semanas sem ser convocado pela empresa.

O contrato parcial também é uma forma de ajustar para baixo os salários, porque vai receber proporcionalmente em relação a horas trabalhadas. Mesmo caso do contrato temporário, que dura um período e em caso de dispensa o trabalhador não terá acesso ao Fundo de Garantia, ao aviso prévio e ao seguro-desemprego. Se a mulher engravidar nesse período, ao final do contrato não terá qualquer estabilidade e dificilmente vai encontrar outro trabalho imediatamente.

Um emprego tão precário e que gera um nível de insegurança tão grande provoca adoecimento. Cada dia o trabalhador estará em um lugar prestando serviço e não será especializado em nada. Num dia prestará serviço num hospital, no outro na escola, no outro em um restaurante. Quem irá se responsabilizar pelo acidente de trabalho no local ou no transporte até o local? O empregador não terá compromisso nenhum.

Não vai ter uma categoria profissional, não será bancário, comercial ou industriário. Vai ser prestador de serviço. Acaba com identidade de classe, com a categoria, e com a relação com o sindicato. Não vai ter a quem recorrer em caso de fraude.

As universidades e escolas privadas já estão substituindo agentes administrativos por terceirizados. Os agentes têm piso salarial mais elevado e vários direitos, entre eles, poder realizar um curso superior ou frequentar a escola gratuitamente, inclusive, estendendo para os filhos. Eles estão sendo demitidos e recontratados como prestadores de serviço com piso salarial muito inferior e uma convenção coletiva muito pior. No setor aeroviário, estão introduzindo no check-in o contrato parcial e lá concentram no horário das 6h às 9h e das 17h às 20h. O trabalhador só recebe o que trabalhou nesse período. No intervalo não tem condições de ter outro trabalho, tem de ficar disponível para empresa e só recebe por seis horas. E quando o aeroporto está longe do centro, sequer consegue se deslocar para casa.

A fragilização dos sindicatos é outro ponto crítico, segundo o dossiê. Como isso afeta o trabalhador?
Marilane – O projeto tem o objetivo de pulverizar a ação sindical e descentralizar os processos de negociação coletiva com a criação do representante no local de trabalho. Embora tenham dito que esse representante não terá poder de negociação, sabemos que poderá chegar a esse fim, porque a reforma Trabalhista estimula as negociações individuais em relação a vários aspectos das condições de trabalho.

Retira também o papel do sindicato de acompanhante nas homologações, momento em que há justamente o maior volume de fraudes trabalhistas pelas empresas. E como o projeto dificulta muito o acesso do trabalhador à Justiça do Trabalhado, ele ficará com poucos instrumentos para defender seus direitos. Além de o trabalhador ser obrigado a assinar um documento, no final do ano, concordando que recebeu seus direitos, sem acompanhamento do sindicato na quitação.

Isso tudo lembrando que o projeto prevê que a negociação possa prevalecer sobre a legislação, mesmo que seja prejudicial ao trabalhador. Diante da pressão do empregador, em épocas de crise, claro que o trabalhador cederá à pressão e aceitará, inclusive, negociar ampliação da jornada e redução de salário.

 


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