Dilma no Associate Press: ‘impedir candidatura de Lula em 2018 não traz estabilidade ao Brasil’

por Sulamita Esteliam

Em entrevista ao The Associate Press no fim da semana passada, a presidenta legítima Dilma Rousseff, bem ao estilo não deixa por menos, e resume numa frase as razões da condenação do ex-presidente Lula pelo justiceiro Sérgio Mouro: “Eles querem impedir que o Lula seja elegível”.

Dilma  considera as eleições gerais de 2018 “um enigma”. Mas está convicta de que “eles não têm candidato para competir com Lula”. E afirma se os adversários pensam que a manobra política de tirar o ex-presidente das eleições vão trazer estabilidade ao país, enganam-se, porque “não vai”.

O que pode pacificar o país, de acordo com a presidenta, é devolver ao povo o direito de escolha.

Dilma aproveita o interesse da imprensa internacional em ouvir sua opinião sobre assuntos fundamentais e pertinentes ao Brasil para cutucar a mídia nativa venal na definição A Tal Mineira:

“Eu sou banida nas empresas de mídia aqui. A imprensa internacional era vital para nós quebrarmos uma grande barreira e falarmos com o mundo.”

A lembrar que a mídia foi o motor do golpe parlamentar-jurídico, e midiático, que a depôs; sob a fachada de impeachment sem crime de responsabilidade.

E para quê? para substituí-la por um mordomo acusado de corrupção passiva e obstrução da Justiça, que aliado à camarilha caçam os direitos do povo, desmontam o patrimônio do Estado e os pilares da indústria nacional, entregam de bandeja nossas riquezas e jogam o país no abismo da lambança.

Dilma Rousseff, de sua parte, está tranquila, “relaxada e sorridente”, segundo observa o repórter  Maurício Saverese, correspondente da AP News  no Brasil, a partir do Rio de Janeiro.

A entrevista está publicada em inglês no sítio da AP Newsaqui o original em inglês. Recebi o link da sexta-feira, do colega Olímpio Cruz Neto, que foi secretário de Imprensa do governo Dilma;  muito obrigada.

Só publico agora, excepcionalmente num domingo, porque precisei do auxílio luxuoso da minha caçula, muito mais habilitada no inglês que sua velha mãe, para verter o texto para o português.

Ex-presidenta do Brasil vê jogada política na condenação de Lula

por Maurício Savarese – AP News
(Traduzido por Bárbara Esteliam para o A Tal Mineira)

Rio de Janeiro ( AP) –  A ex-presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, disse na sexta-feira dessa semana que a condenação por corrupção de seu mentor e antecessor, Luís Inácio Lula da Silva, é uma jogada política para mantê-lo fora das eleições presidenciais do próximo ano.

Em entrevista para o The Associated Press (AP), Rousseff disse que nenhum candidato que se alie ao Presidente Michel Temer tem votos suficientes para vencer Lula.

”A eleição de 2018 é um enigma. Eles não têm candidato para competir com o Lula”. Disse Rousseff.  “Não dá pra saber qual será o resultado, mas eles sabem que as pessoas perceberam que tinham ganhos significativos quando ele era presidente. Eles querem impedir que o Lula seja elegível. ”

Durante os dois mandatos de Lula nos anos 2000, ele fez uso do “boom” das commodities para financiar generosas políticas econômicas que ajudaram a tirar milhões de brasileiros da pobreza. Ele deixou o cargo com popularidade astronômica, e Rousseff foi escolhida a dedo como sua sucessora.  Mas durante o seu mandato a sorte do Brasil virou, e junto com ela a da ex-Presidente e de seus companheiros do Partido dos Trabalhadores (PT). Rousseff não teve o carisma de seu antecessor para afastar seus oponentes quando a economia entrou na maior recessão sofrida em décadas.

Ela sofreu impedimento ano passado por manipular o orçamento fiscal e foi sucedida por Temer, que é de um partido diferente.
Lula foi considerado culpado por corrupção e lavagem de dinheiro no início dessa semana e condenado a quase 10 anos de prisão, embora ele permaneça livre enquanto o apelo é ouvido. Ele negou as acusações e disse que o tribunal não tem provas contra ele.

“Essa sentença não tira o (ex) Presidente Lula da competição”, disse Rousseff. “Eles não devem pensar que tirar Lula das eleições presidenciais vai trazer estabilidade para o Brasil. Não vai. ”

Se a condenação de Lula for confirmada pelo grupo de magistrados, ele será inelegível para concorrer às eleições no próximo ano. Em uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha publicada em junho, o ex-presidente liderou com 30% das intenções de votos no cenário atual mais provável, o dobro do seu rival mais próximo. As eleições gerais brasileiras estão marcadas para outubro do ano que vem.

Desde que assumiu o cargo, Temer, que é de um partido político de centro, empurrou uma polêmica agenda política, aplaudida por investidores estrangeiros que a consideram necessária para restaurar confiança na economia brasileira. Entretanto, dentro do país as medidas têm sido extremamente impopulares.

“Como eles não têm candidato para manter as medidas impopulares, e a grande presença na cena política é o Lula, eles utilizam a teoria da justiça através da lei. Isso significa não levar em conta sua defesa e nem sequer produzir novas evidências contra ele. “, disse a ex-guerrilheira marxista, que foi presa pela ditadura militar na época. 

Relaxada e sorridente – completamente diferente de sua seriedade enquanto presidente-, Rousseff disse que apenas eleições diretas imediatas podem aliviar a crise política depois que Temer foi acusado de corrupção pelo maior Procurador da Justiça do país (ATM: procurador-Geral da República). A Câmara do Congresso do Brasil decidirá em agosto se ele deve ser suspenso e julgado.

Se Temer for suspenso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, assumirá o cargo no decorrer do julgamento. Sendo o presidente afastado permanentemente, o Congresso elegerá um substituto e Maia, que também é acusado de corrupção, é visto como o favorito. Rousseff acredita que isso só aumentaria a crise política do Brasil.

“Substituir essa administração por outro pequeno golpe de Estado, que também está envolvido em acusações de corrupção, e que nos levará ao mesmo processo, não resolve o impasse desse país. “, disse a ex-Presidenta, que considera o impedimento sofrido ano passado um “golpe”. “Uma eleição direta traria maior legitimidade”.

Primeira mulher a ser eleita no Brasil, Rousseff ganhou duas eleições presidenciais, mas só liderou a maior nação da América Latina por cinco anos. Enquanto ela conversava com o AP por um pouco mais de uma hora, só concordou ser filmada por alguns minutos, por conta de uma sensibilidade em seu olho direito.

Hoje em dia, Rousseff vive em Porto Alegre, no sul do Brasil, e tem sido constante em suas críticas a Temer, mas diz receber mais atenção da imprensa internacional do que da mídia brasileira.

“Eu sou banida nas empresas de mídia aqui. A imprensa internacional era vital para nós quebrarmos uma grande barreira e falarmos com o mundo. “

Rousseff disse que a reputação internacional do Brasil foi prejudicada pela crise política atual e pelo seu impeachment.

“Os líderes políticos não são agressivos ou faltam com polidez, mas a grande maioria ignora Temer. “, ela disse.

A ex-presidenta têm opiniões bem diferentes sobre os dois principais líderes estrangeiros, que constantemente aparecem nas notícias atualmente: o presidente dos EUA, Donald Trump; e o presidente russo, Vladimir Putim.

“Hoje os Estados Unidos têm um líder que está abaixo de seu cargo, que não está pronto para desafios”, disse Rousseff.

Em contrapartida, ela considera Puttin “um grande líder para o seu país, um homem muito talentoso. “

Ao ser questionada se haveria algo que faria diferente para bloquear os processos de impeachment contra ela, Rousseff foi direta: “Eu fiquei presa durante três anos durante o governo militar. Alguém com essa experiência gasta muito tempo pensando em “se”? Apenas não. Eu só vivo. ”


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