Eis que, enfim, somos uma nação tabajara… Ou não.

por Sulamita Esteliam

Se Euzinha tivesse juízo, iria para o berço agorinha, antes que me torne a abóbora a que estou fadada a me converter.

Acaso tivesse “medida”. O que não vem ao caso, pois minha mãe sempre dizia que medida não sobrava em sua destrambelhada e magricela primogênita.

Já o juízo… serve mesmo para quê?

Se acaso soubesse a dose certa de juízo, tomaria o livro que me espera à cabeceira.

Até que as pálpebras se dobrassem sobre o correr da pena, esvoaçante, da amiga-irmã Ana Karla Dubiela, ora a multiplicar-se em terras cearenses, dividida entre Sobral e Fortaleza.

Porque é assim, no inverso e no verso, que uma mulher cultiva sua fibra; ao partir-se, se re-dobra, se reencontra.

Flanar sobre As Cidades de Rubem Braga e Walter Benjamin, entre o Rio, que amo e temo, e Paris que não alcanço

Revisitar em sono o prazer do sonho da juventude, que ainda sobrevive em algum canto do vir a ser. Quem sabe?

Esquecer nas brenhas de Orfeu as brumas, todas, que oprimem, e que o corpo reclama.

Chagas que volta e meia sangram, como um alerta da matéria de que somos.

O que eu sou, de onde eu vim, para o que e para quem estou aqui. De que vale tudo isso?

Perguntas não recomendam o juízo.

Ao reverso, me sento de novo em frente ao portátil; há tempos, apoiado em ergonomia improvisada no dicionário da ABL.

Utilidades insuspeitas.

Vez por outra, como agora, rende trabalho para além do amor e da teimosia, combustíveis da blogagem.

Frilas sempre bem-vindos, que se convertem em algo mais do que os caraminguás, com deságio, do tempo de contribuição.

Manter o olhar reto em situação oblíqua, a espinha ereta quando querem nos vergar, o coração tranquilo – adormecido em cana, malte e cevada.

Batuco teclinhas nesse tricotar noturno, de pouco alcance, e que pode não levar a nada, como o próprio Braga suspeitava, já naqueles idos do século passado.

O que o mestre não disse, e ouso dizer, é que tecer palavras sossega um pouco a alma.

Eis porque insisto.

Buscar significados através do significante. E, quem sabe, alcançar o signo.

Aliviar o peito que se contorce e a pele que se rasga em fogo.

O Brasil dilacerado, tomado e rendido por assalto. Afogado em lambança abissal.

Já fomos o país do futuro, o país onde a esperança vencia o medo, a terra de Nosso Senhor.

O Brasil fulgurante, amor transbordado.

Eis que nos tornamos um país tabajara.

Perdõe-me a grande nação indígena cearense! Que seja porque ali meu sangue se fez carne, três vezes.

Mas estamos em desmantelo, sem eira nem beira.

Sem caminho, sem noção, sem memória, sem governo, sem direitos, sem luz, sem vergonha, sem ação, sem nexo e sem plexo, sem dó nem piedade.

A vira-latice e o descaramento andam soltos e são contaminantes.

É pelo escárnio que uma nação se rende e se perde.

Quem dá mais?

No meio do caminho ainda tem um povo, que se apresente.

Vem à cabeça um sopro de oração

Invoco as forças Divinas.

Se Deus ainda é brasileiro, há um plano para nós, e que não seja o caos.

Que a luz, o amor e o poder restabeleçam a direção.

Ainda é tempo.

 

 

 


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