A ‘deusa meta’ tem pés de barro, mole, e os golpistas, ó…!

por Sulamita Esteliam

As notícias da semana indicam o que já vem sendo detectado faz tempo, e só não vê a mídia venal. Empenhada não mais em manter o mordomo – ou a governanta da economia, o cuja “deusa”, como bem define Fernando Brito, no Tijolaço, é a metal fiscal.  Tenta segurar-se no leme para fazer a próxima marionete de plantão, pela via indireta.

Descobre-se, então, que a “deusa meta” tem pés de barro, mole, e se derrete ao menor contato com a umidade do tempo instável. Nas contas de Brito, o rombo é superior a 4 bilhões de reais, só este mês, muito além dos 15 bilhões que o tal mercado previa para todo o ano.

O país vai de mal a pior, já a conta bancária do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ex-ceo da JBS/Friboi ex-presidente do BankBoston, e também do Banco Central no governo Lula, não se queixa.

Matéria do Buzzfeed, repercutida pelo Tijolaço, mostra que só ano passado o digníssimo homem-bomba da economia faturou a bagatela de R$ 217 milhões em consultoria, antes e depois de integrar o desgoverno. Naturalmente evadidos para contas no exterior, portanto, sem pagar um centavo de impostos.

Ao prestidigitador não interessa aplicar esse “milagre” de ganhar sem pagar ao Leão que ele próprio dirige ao povo brasileiro. Nem mesmo aos paneleiros que tanto esforço fizeram para apear a presidenta legítima do poder e encastelar a camarilha que o  toma de assalto e a nossos direitos.

Enquanto afunda o Brasil, vendido na bacia das almas, enquanto a plutocracia se refestela no gozo da xepa internacional, até em manchetes de jornais como o Financial Times. O Brasil está em liquidação, traduz-se da repercussão em coluna da insuspeita Folha desta quarta.

Não há “a mágica golpista”, nas palavras da presidenta legítima Dilma Rousseff, que dê jeito, também no escárnio e na desfaçatez.

Sábado passado, ao avaliar a decisão de aumentar o PIS-Cofins dos combustíveis, ela  lembrou em nota postada em seu sítio eletrônico:

“O governo golpista superestimou o déficit de 2017, elevando-o a R$ 139 bilhões. Com o truque, acreditava que teria folga para, depois, jactar-se de ter cumprido a meta.

Mas nem a elevação forjada da previsão de déficit evitou um vexame. A meta superestimada vai estourar e, em desespero, o governo está aumentando impostos. A imprensa noticia que a gasolina já está sendo vendida a mais de R$ 4 o litro. É o maior aumento de preço em 13 anos.”

E foi por pedaladas fiscais que tiram Dilma da Presidência da República, lembra-se? Fraude só se legitima na farsa.

Como, por exemplo, o PDV do serviço público. Quem vai abrir mão do emprego, com estabilidade e todas as benesses, inclusive de aposentadoria para cair a vala comum do mercado em bancarrota? Mesmo o servidor que não integra a nata do funcionalismo público faria isso à essa altura do campeonato?

E o desgoverno, arrecada o quê com esse faz de conta? Não chega a fazer cócegas no fundo do poço.

A economia vai de ponta-cabeça: meta fiscal estourada, indústria batendo pino, trabalhando abaixo da capacidade instalada, 65%,  baixa produção, desemprego em alta, baixa demanda; portanto pouco ou nenhuma disposição para investir; deflação – até que o aumento de combustíveis replique nos preços do arroz, do feijão, da farinha…

Embora, a torcida mantenha a fé de que “as perspectivas sejam de melhora no segundo semestre”, conforme o boletim da CNI, a Confederação Nacional da Indústria. O título da análise já mostra o insólito da situação: “Expectativas positivas ainda não se refletem na situação corrente”.

Mais tucano impossível.

É, Dilma tem toda razão, “a história foi implacável com os golpistas.”

Por todos os lados que se apela, o pouso mais próximo é o fundo do abismo. E para ela, só há uma saída para o golpe permanente, que desmonta direitos, tira o pobre do orçamento, e afunda  o país no lambança: eleições gerais e diretas, já.

Tem sido o seu bordão; repetido no último fim de semana em que esteve em João Pessoa, na Paraíba, como presidenta do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo, em palestra na UFPB; e na entrevista que concedeu à Rádio Tabajara.

Nos dois casos, a presidenta analisa o golpe, o contexto político e as perspectivas diante do agravamento também da crise econômica e social. Na Universidade, o tema de sua conferência foi Conjuntura Nacional, Participação da Mulher e Perspectivas.

“Gestão é política. Sempre. E gestão está relacionada a política e política relaciona-se com poder. Cada gestão toma decisões e essas decisões refletem no orçamento e nos impostos. Nesse sentido, o problema mais evidente do Brasil para um governo progressista é a inclusão do pobre no orçamento. Porque o orçamento é reflexo das prioridades e o foco nos mais pobres é diretriz de governo democrático e popular.”

Por razões já alegadas na postagem anterior, não me alongo em relação à sua fala. Antes, posto o vídeo da aula inaugural do curso de difusão do conhecimento Gestão e Resistência nos Movimentos Populares, FBA.

Dilma falou para um auditório lotado de estudantes e integrantes dos movimentos de mulheres. Foi ovacionada por 620 pessoas, que a receberam com o grito de “fora, Temer”!

 

Posto, também, o acesso à primeira parte da entrevista ao jornalista Judivan Gomes, na Rádio Tabajara. Programa ao vivo, com participação ampla de ouvintes – clique para ouvir.

 

 


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