A diferença que faz o Bolsa Família na vida de quem precisa

por Sulamita Esteliam

Ia escrever sobre energia e privatização, mas o assunto é árido, o dia foi agitado e tenho compromisso agora à noite; então, fica para depois. Não adianta querer abraçar o mundo com as pernas, quando não as tenho mais tão longas.

Pego carona no Brasil de Fato para compartilhar a historia de Mayara, uma moça de 25 anos, mãe de duas crianças, sergipana, que usou o Bolsa Família para ajudar a criar os filhos e estudar. Hoje, devolveu o cartão para o criador do programa, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a passagem da caravana Lula pelo Brasil em Aracaju.

“Só quem sabe a dificuldade é quem passa. Ter aquele dinheirinho todo final de mês para comprar alimentação ou outra coisa é um alívio. Para as mulheres que estão numa situação precária, é realmente uma coisa muito valiosa.”

Atitude de gente que tem brio, garra e dignidade. E não tem vergonha em ser agradecida.

Transcrevo a reportagem:

O dinheirinho do Bolsa Família fez diferença na vida de Mayara – Foto: Mídia Ninja

Jovem sergipana devolve cartão do Bolsa Família a Lula após se formar pelo Prouni

Iva Mayara agradece ex-presidente durante encontro na caravana Lula pelo Brasil
Monyse Ravena – Brasil de Fato/Aracaju-SE

Iva Mayara é sergipana de Aracaju. Aos 13 anos “fugiu de casa” grávida para morar com o namorado no Morro do Avião, na periferia de Aracaju. “Eu casei e engravidei muito cedo, uma das oportunidades que eu tive foi receber o Bolsa Família”, conta. A garantia dessa renda mensal fez com que Mayara, mesmo com uma filha pequena e todo o trabalho doméstico da casa, conseguisse continuar estudando e terminar o ensino médio.

Nesse período a família dela também teve acesso ao Programa Minha Casa, Minha Vida, numa parceria entre o governo federal e o governo de Sergipe, na gestão do ex-governador Marcelo Déda (PT), falecido em 2013, de quem faz questão de lembrar com carinho. A casa fica localizada no bairro 7 de Março, e é um dos principais orgulhos de Mayara. “Ter uma casa boa, limpa, para mim e para minha família, um lugar seguro onde a gente pudesse chegar todas as noites, foi um alegria sem tamanho”.

Depois que conseguiu sua casa, Mayara ingressou na faculdade pelo Prouni (Programa Universidade para Todos) e se formou em Administração de Empresas. Na sequência, ela fez o desligamento voluntário do Bolsa Família. “Em todos esses momentos da minha vida o Bolsa Família foi quem mais me ajudou , inclusive na faculdade”, relata a jovem, que diz que o dinheiro do Bolsa Família foi o que garantiu que conseguisse pagar a internet, concluir o curso feito pelo sistema de Educação à Distância (EAD) e “alimentar a minha família nos períodos que não tínhamos [dinheiro]”. Agora, ela é cadastradora do Bolsa Família no bairro onde mora. “É uma forma de retribuir o que fizeram por mim”.

 

“Só quem sabe a dificuldade é quem passa. Ter aquele dinheirinho todo final de mês para comprar alimentação ou outra coisa é um alívio. Para as mulheres que estão numa situação precária, é realmente uma coisa muito valiosa”, ressalta.

Hoje, Mayara tem 25 anos, é mãe de Adriana, de 11 anos e Cauã, de dois anos. Ela sonha em voltar para faculdade e estudar enfermagem.

Mayara contou sua história ao Brasil de Fato no ato da Frente Brasil Popular na tarde desta terça-feira (22), no sexto dia da caravana Lula pelo Brasil, quando entregou simbolicamente ao ex-presidente Lula seu cartão do programa. “Quando criei o Bolsa Família disseram que eu estava criando vagabundo, na verdade eu estava vendendo esperança”, disse Lula.

“Vocês viram a moça contar o significado do Bolsa Família para ela. É uma pena que ela não devolveu o cartão do Bolsa Família pro [Michel] Temer, porque ele não tem coragem de vir no meio do povo”, ironizou Lula ao se referir ao desmonte do atual presidente em relação ao programa, que cortou cerca de 543 mil beneficiários do Bolsa Família entre junho e julho deste ano.

A cobertura da caravana “Lula pelo Brasil” é realizada por meio da parceria entre Brasil de Fato, Mídia Ninja e Jornalistas Livres.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque

 

 


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