A Tal Mineira chega ao ponto de passagem: 7 anos

 

por Sulamita Esteliam

Há 7 anos, quando iniciei o A Tal Mineira, não poderia imaginar que o Brasil regredisse ao patamar de republiqueta de bananas. Sete anos é tempo muito curto para tamanha decadência, que dirá dois anos entre o caos pré-fabricado, o arbítrio e o limbo.

E Euzinha que sempre achei que o 7 fosse meu número de sorte!

Sete é número mistico, que comporta crendices e constatações. Na cabala, indica processo de passagem para o conhecido.

Desdobrado, é a soma de 3 + 4: três pessoas da Santíssima Trindade somadas aos quatro elementos – água, terra, fogo e ar. Ou, como quer a numeralogia, criatividade + trabalho.

São sete os dias da semana e o tempo da criação; que inclui um dia de descanso – senso que o desgoverno usurpador aboliu por decreto, ao restabelecer a escravatura nas relações de trabalho.

Sete são os pecados capitais – avareza, gula, inveja, ira, luxúria, preguiça e soberba – que parecem dominar esses tempos e o mundo globalizado, mas particularmente essas terras.

Tanto que a igreja católica tratou de atualizá-los à doutrina capitalista primata. Três dos “novos” pecados calam fundo no Brasil da dependência e da morte de direitos: injustiça social, concentração de renda e geração de pobreza – misteres em que o país sob golpe permanente é impecável, trocadilho à parte.

Sete são as virtudes, entretanto – caridade, esperança, fé, força, justiça, prudência e temperança. Não podemos perdê-las. Antes, devemos buscá-las.

Sete é conta de mentiroso, diz a sabedoria popular, e minha mãe me lembraria que sete são as chagas de Cristo.

É curioso que o mundo que conhecemos tenha parido sete mensageiros: Moisés, Buda, Confúcio, Jesus, Krisna, Lao-Tsé, Zaratustra; e mesmo assim tenha resultado um esbulho.

Mas como nem tudo é o que parece, sete são as cores do arco-íris, a nos lembrar que a escuridão não há de ser eterna, e a beleza é um ponto de reflexo no infinito.

Sete são as fases da lua, que governa a tábua das marés.

Sete são as notas musicais, que se dividem em sete escalas, sete pausas e sete valores.

Em tempos sombrios, é preciso cantar.

E em todos os tempos é precioso agradecer.

Obrigada a você que acompanha o A Tal Mineira. É essa força, diária ou eventual, que não deixa esta velha escriba desistir.

Escrever é padecimento e salvação; é terapêutico, mas ninguém escreve para si mesmo.

No mais, é preciso resistir, sem esquecer de que é para a frente que se anda, e o destino da bola é a caçapa.

 

Imagens capturadas na rede.

Postagem revista e atualizada aos 13 minutos do dia seguinte.

 


Um comentário sobre “A Tal Mineira chega ao ponto de passagem: 7 anos

  1. Olá Sulamita, inicialmente quero te parabenizar pelo trabalho que vens desdobrando aqui no A Tal Mineira! Me apaixonei pelo título desse blog, por inúmeras razões: desde a minha primeira leitura, sempre me lembrava, dentre as tantas mulheres mineiras talentosas e maravilhosas, inclusive você claro!
    A existência de alguns artigos que já lidos, me fez lembrar, do primeiro time de futebol feminino do Brasil: o Araguari, em 1958, nascido em Ouro Preto. Carolina Maria de Jesus uma escritora de primeira, reconhecida internacionalmente, nascida em Sacramento MG, Alzira Reis Primeira médica de Minas Gerais, por conta de sua teimosia de seguir a profissão,
    Maria Lacerda de Moura interessada pelas questões feministas… e tantas outras guerreiras, que certamente se sentiriam contempladas com a qualidade de conteúdos que você preserva no seu, no nosso, A Tal Mineira!!
    Que seja assim sempre companheira!
    Bravo pelos 7 anos!

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