Brasil: “o de cima sobe e o de baixo desce…”

Foto: Reprodução
por Sulamita Esteliam

Queria muito começar a semana com boas notícias, até para compensar a ausência na sexta e as impossibilidades do fim de semana.  Mas, infelizmente, não dá para esquecer com quanta estupidez e crueldade se quebra uma pinguela para o futuro.

Habilidade ímpar do desgoverno do mordomo usurpador golpista, mas não só.

Pois a notícia do dia é para embalar o Natal de brasileiras e brasileiras que, se têm o hábito de olhar à sua volta, não podem se surpreender.

O que revela o Iets – Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade era absolutamente previsível: em 2015 e 2016, cerca de 9 milhões de brasileiros cruzaram a fronteira da linha da pobreza. Significa, pelos critérios traçados, sobreviver com US$ 5,50/dia por capta ou Cr$ 387,07/mês.

Magnânimo com a resistência humana, o Banco Mundial fala em 5,4 milhões de brasileiros na extrema pobreza; ou seja, sobrevivem – se é que se pode usar a palavra na circunstância – com o equivalente a US$ 1,90 dólar por dia ou R$ 133,72 mensais.

Dá para entender por que o Bolsa Família e as políticas de inclusão são absolutamente necessárias? Bastaram dois anos para se quebrar a tênue espinha dorsal da busca de um vislumbre de cidadania.  Imagina o que dirão os dados de 2017 e 2018.

O jornal Valor Econômico publicou as informações a partir de dados da Síntese dos Indicadores Sociais, do IBGE, formulada a partir da série histórica da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Ora, dirão os arrivistas, começou ainda no governo Dilma. Sim, na expressão do colega Fernando Brito, no Tijolaço, “no corta-corta” neoliberal de Joaquim Levy e  no “teto de gastos” do Henrique Meirelles, os impostos do mercado.

Mas degringolou de vez em 2016, o ano do afastamento da presidenta pela fraude do impeachment sem responsabilidade fiscal e na vitória da ganância sobre a sombra de humanidade.

O gráfico publicado pelo Valor, e reproduzido pelo Tijolaço, é eloquente.

É o que mostra outra reportagem, desta vez, no Le Monde, um dos mais conceituados diários europeus. Publicada no sábado, 16, se baseia em estudo dirigido pelo economista francês Thomas Piketty. Seu aluno, Marc Morgan, que levantou os dados de patrimônio e renda no Brasil, compara a desigualdade social daqui à França do século XIX, que inspirou Os Miseráveis de Victor Hugo.

Os números que o assustam: 1% da população, ou 1,4 milhão de pessoas, ganham € 287 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) por ano. Mas há os super-ricos, cerca de 0,1% da população, que recebem 40 vezes mais do que a renda média estimada de todos os brasileiros.

Para o Le Monde, “‘as esperanças” da era Lula, que tirou milhões da pobreza, cedem lugar à amargura do país do chamado “racismo cordial'”.

E constata que, frequentemente, “ser negro no Brasil, significa ser condenado à miséria”.

Nas palavras de Morgan, citadas pelo correspondente no Brasil, Claire Gatinois, “a história recente do Brasil indica que o país fez uma escolha política pela desigualdade”.

O Le Monde tem razão: somos um país que se dá “ares de sociedade de castas”. Pior, onde a classe média se acha incluída nessa camada, e não se importa em usar a cabeça da ralé como degrau.

Desgraçadamente, é como naquela musiquinha infame, um país “em que o de cima sobe e o de baixo desce…”

Fecho com Nação Zumbi: “O negócio é a fome” e que tais…


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