Genin e seu álbum Solo musical em cerâmica, com ‘sotaque’ itabirano

por Sulamita Esteliam

O primeiro sucesso veio entre os colegas de escola, e foi com um desenho da professora, “num reluzente vestido vermelho”. Aí ele se deu conta de que “tinha jeito” para a coisa.

É com absoluta singeleza da fala mineira, de Itabira, que o artista plástico, ilustrador e cartunista Genin Guerra abre o documentário sobre sua vida e obra. Dirigido e produzido pelo fotógrafo Marcelo Rosa; com trilha sonora do também mineiro Marcus Vianna. Posto mais abaixo.

Antes de ser escultor, Genin é cartunista, chargista  e caricaturista de mão cheia. O traço é limpo, dotado de fino humor, e que impregna à obra, se é possível dizê-lo, como o faz um dos entrevistas no  filme, “ternura” e um certo “sotaque” itabirano.

Faz com as mãos o que o conterrâneo mais célebre fez com as palavras, em prosa e verso nada tortos, como o anjo da arte que habita em ambos. Pura poesia e não meros retratos na parede.

Partilhamos páginas do mesmo periódico durante algum tempo no Cometa Itabirano. Trabalhamos no velho e bom Diário do Comércio, também, mas em épocas diferentes. É-me e sempre será um querido.

Há alguns anos está envolvido com uma nova vertente sua arte, caricaturas em cerâmica, de músicos e compositores da rica fauna de talentos múltiplos deste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

Ando deveras muito mergulhada n0 bom combate ao lado feio destes trópicos. Mas não tão distraída que não tenha percebido, confesso com algum atraso, essa guinada criativa com a qual topei em suas postagens nas redes sociais.

Todavia, o projeto chama-se Solo – Álbum das Glórias Musicais Brasileiras, e não tem, por conseguinte, data para acabar.  Então, chego em tempo de contribuir, quem sabe, para que possa chegar a outras plagas para além das Gerais e do Rio de Janeiro, onde o trabalho já foi exposto.

E é sobre isso que batemos uma bolinha, via bate-papo virtual, para mudar um pouco o rumo da prosa por aqui. Meu presente de Páscoa antecipado.

Genin Guerra e a ceramista mineira Erli Fantini, sua mestra nesta arte – Fotos: Túlio Campos e álbuns/Facebook do artista

A Tal Mineira – Comece falando de onde vem a inspiração para o projeto, sua dimensão e o que pretende com ele.

Genin Guerra –  O ponto de partida dessa série foi ter visto a obra do francês Daumier no museu D’ Orsay em Paris, que são cerâmicas/caricaturas de políticos da época. Ali, me despertei para o tridimensional e pensei em fazer uma coisa bem brasileira; tentando unir o meu lado cartunista, caricaturista com a cerâmica.

A inspiração também veio de um álbum que comprei em Lisboa. O Álbum das Glórias do também caricaturista e ceramista português, o Bordalo.

Por outro lado, eu estava saturado de desenhar políticos, que não são exatamente pessoas que eu admiro, e decidi fazer uma homenagem aos nossos grandes compositores.

Já levei 10 desses trabalhos para a Primeira Bienal Internacional da Caricatura no Rio de Janeiro, em 2014, e fiz uma exposição no MIS Santa Teresa em Belo Horizonte, em setembro de 2017.

A Tal Mineira –  Mas a série continua indefinidamente?

Genin –  Já fiz 34 peças e estou começando uma nova leva.  Tem muita gente boa, é uma lista interminável… rs

A Tal Mineira – Verdade…

Genin – Vou fazendo… Até cansar.

A Tal Mineira – Você deu nome ao projeto? Está aberto a novos convites para expor?

Genin – O projeto se chama SOLO – Álbum das Glórias Musicais Brasileiras.

É bom lembrar que desenvolvi este trabalho com as mestras Erli Fantini e Carmelita Andrade, duas ceramistas da pesada.

A Tal Mineira – Sim, você não tinha experiência com esse tipo de material, não é? Faltou falar sobre isso…

Genin – Na verdade eu estava incomodado com o trabalho digital produzido na pressão das redações e queria fazer uma coisa totalmente artesanal. Ter um original puro, sem tecnologias.  Já havia feito trabalhos em argila para bronze, mas não em cerâmica.

A Tal Mineira –  Você já vendeu algumas peças, quais?

Genin – Vendi 12 peças, que, para mim foi uma surpresa. Villa Lobos, Caymmi, Chico, Noel, Adoniran, Cartola, Milton, Gonzaga, Roberto Carlos, Jobim, Hermeto… Tenho que lembrar a outra… rs

A Tal Mineira – Maravilha. Qual a medida das peças e como a pessoa interessada pode adquiri-las?

Genin – Elas têm mais ou menos 55 x 40 cm com a moldura. (para comprar) É só entrar em conta comigo pelo email genin.guerra@uol.com.br

Neste ponto, os papéis se invertem, e é Genin quem pergunta, e Euzinha respondo:

– E você, está morando no Recife?

 – Sim, há 21 anos.

– Que inveja! Não conheço Recife.

– Pois venha quando quiser e puder. Será um prazer recebê-lo.

Quem sabe algum produtor da área convida Genin Guerra para uma mostra de seu belíssimo trabalho aqui em terras pernambucanas. De minha parte ficarei bem feliz e agradecida, e poderemos unir o agradável ao útil.

Eis o documentário citado na abertura da postagem. Deguste sem moderação.

 

 

 

 

 


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