Lula livre, segue em caravana pelo Sul do Brasil. E a casa-grande pira!

Em São Borja, com Dilma e o povo – Fotos: Ricardo Stuckert
por Sulamita Esteliam

Então, Lula está livre, até 04 de abril, pelo menos. O salvo conduto é do pleno do STF, em caráter liminar, a requerimento da defesa do ex-presidente da República. A data é quando o Supremo pretende julgar o mérito do habbeas corpus que garante a Luiz Inácio Lula da Silva aguardar em liberdade até que a apelação da sentença a que foi condenado tenha seu mérito julgado pelo STJ.

Registre-se que, como Suprema Corte que são, suas excelências levaram a tarde inteira desta quinta para decidir se Lula tinha ou não direito a ter seu pedido HC examinado. Com voto contrário do relator e de mais três, incluída a presidente Carmem Lúcia, o placar foi de 7 x 4 a favor da garantia legal.

Mas aí, como ninguém é de ferro, muito menos as senhoras e senhores ministr@s do Supremo, adiou-se para o início do mês que vem a decisão se Lula vai preso ou aguarda em liberdade o transitado em julgado da sentença que o condenou a 12 anos e 1 mês, como garante a Constituição, a despeito do STF. O que obrigou a defesa a entrar com a cautelar, acatada.

Tem urubu de jejum até depois da Páscoa.

Mesmo que o TRF-4 negue o recurso do ex-presidente, e que o justiceiro inquisidor Sérgio Moro anuncie ao vivo o mandato de prisão contra Luiz Inácio, como parece  indicar o roteiro com gran finale reservado ao Roda Viva,  na próxima segunda-feira.

E a casa-grande pira!

Ansiedade, minha gente, dá azia. De bucho vazio, então…

Desse mal, Lula não padece.

Tem seus motivos, pois conhece o próprio valor, e como seu brio cala fundo no coração da sua gente.

Mesmo travestido em judas nacional pela conexão jurídico-midiática, o sapo barbudo segue soberano nas sondagens de opinião. O Barômetro Político Ipsos-Estadão mais recente dá conta de que Lula é o político mais admirado por 41% do entrevistados, um ponto abaixo da sondagem de um mês atrás.

Dentre os políticos, autoreconhecidos como tais, depois dele, só o vácuo de 31 pontos percentuais até o tucano FHC, vulgo “boca mole”. É seguido pelo nunca dantes tão rejeitado usurpador golpista, o vampiro que ocupa a cadeira presidencial, com 4%. O que mostra, e o próprio Estadão reconhece, que a “intervenção não ajuda Temer”.

Naturalmente que o Estadão joga para as calendas do fim de página a informação sobre Lula, e destaca a que importa, que é reprovação  de 57%, um ponto acima da consulta anterior. Num caso e noutro, a variação está dentro da margem de erro.

Significa que, queiram ou não queriam os juízes e o baronato midiático, o judas se mantém inteiro. Ou, como destaca o colega Fernando Brito, no Tijolaço:

“Os números insuspeitos, pela origem, mostram que nunca antes na história deste país houve uma dissociação tão evidente entre a opinião pública e a opinião que se publica, velha máxima do Barão de Itararé.”

Enquanto o STF discutia seu destino, o ex-presidente percorria o Rio Grande do Sul, no quarto dia da Caravana Lula pelo Brasil pelo Sul do País, e que se encerra dia 28, em Curitiba. Exatamente na região do país onde encontra mais resistência, e lugar em que até sua vida – e a da presidenta Dilma Rousseff, a legítima, que o acompanha neste périplo -, esteve sob ameaça.

Milícias armadas tentaram barrar a visita do ex-presidente em Santa Maria, manifestantes contrários estavam a postos em outras cidades como São Borja e São Miguel das Missões.
Até na estrada a beligerância não poupou demonstrações explícitas. Uma violência provida por fazendeiros, pelas elites agrárias, e que não vem de agora; tem a História como testemunho.

Todavia, não pode ser naturalizada. E o PT, através da presidenta Gleisi Hoffmann, divulgou nota a respeito e enviou documento aos governos federal e estadual, exigindo das autoridades competentes a segurança devida aos dois ex-presidentes da República.

O fáscio está vivo e escorre veneno e despudor por todos os poros. Obviamente, e ainda bem, que há sempre o outro lado.

Afinal, nas palavras do ex-presidente, “a caravana serve para conversar com o povo e reconstruir a esperança”.

Ou, na versão anterior do poeta luso, Fernando Pessoa, “tudo vale à pena se a alma não é pequena”.

O terceiro dia da etapa Sul da caravana Lula pelo Brasil, por exemplo, foi carregado de simbolismo, como mostra as fotos que abrem esta postagem. Ao lado da presidenta Dilma Rousseff, a legítima, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Mausoléu de Getúlio Vargas e fala à multidão na cidade de São Borja

“Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os mais humildes.” 

 Getúlio Vargas, em sua carta-testamento. As palavras estão gravadas no monumento em sua homenagem, em meio à Praça XV de Novembro

Pela primeira vez, envergou o lenço vermelho tão caro a Vargas, a João Goulart-Jango e a Leonel Brizola. E ganhou o aplauso do povo e o olhar embevecido de aprovação de Dilma, que antes de figurar nos quadros petistas integrou o PDT do ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

Quatro ex-presidentes e seus destinos cruzados pelo golpe de Estado, cada qual com sua máscara e marca do tempo.

Lula estava em Palmeira das Missões quando recebeu a notícia da procrastinação do STF e da liminar que lhe dá alívio provisório.  Antes, a caravana havia feito algumas paradas estratégicas, no meio do caminho: em Cruz Alta e Panambi.

Mas foi em São Miguel das Missões, onde começou o dia, que a emoção calou fundo. Impossível para Lula não se lembrar de que esteve ali com Marisa Letícia, quando da primeira Caravana da Cidadania, no

Monumento Universal, ali, os dois brasis mostravam sua face: as das populações tradicionais e da gente humilde em efusão agradecida, e a os fazendeiros, montados em tratores provavelmente financiados pelos governos Lula e/ou Dilma, com achincalhes de todo o tipo – principalmente contra as mulheres políticas na caravana.

Algo muito próprio desses tempos, para nossa agonia. Mas não só. De fato, o Brasil desconhece o Brasil, desde tempos imemoriais.

Muito além das “Querelas” cantadas por Elis Regina, uma gaúcha de boa cepa, mas, ao que se sabe, sem quatro costados.

Deixo vocês com ela e a canção da lavra de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Infelizmente, o vídeo disponível no Youtube é de um especial da velha Globo, fazer o quê… Clique para a letra na íntegra:

 


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