A Internacional: um hino à luta contra a opressão, hoje como em tempos idos

 

 

 

por Sulamita Esteliam

Um ano da condenação de Luiz Inácio Lula da Silva em primeira instância, pelo juiz-inquisidor Sérgio Moro, sem crime e sem provas, dia 12 de julho. E 100 dias de Lula como preso político, por que ao revés da Constituição, dia 13.

Cem dias do encarceramento de Lula e de desmoralização do Judiciário brasileiro, desnudo em sua politização e despudor  inacreditáveis, não fosse a auto-exposição crescente.

Quatro meses da execução de Marielle Franco, vereadora do PSol do Rio de Janeiro, e do motorista Anderson Gomes, dia 14 de março. E nenhuma solução que desautorize a impunidade como combustível da terra sem lei. Quem matou?

Não vou dissertar sobre o Dia de Luta, ontem por Marielle, no Rio; e por Lula, na sexta-feira, 13 em todo o País, e até no exterior. Panfletagem, música, diálogo com o povo na rua, coleta de assinaturas pela liberdade do ex-presidente, preso político em Curitiba.

Deflagra uma agenda de mobilização que deságua na Marcha por Lula Livre que aporta em Brasília dia 15 de agosto, quando o PT registra sua candidatura à Presidência da República.

Escolho resgatar um hino que atravessa os tempos e os continentes como símbolo de resistência e indicação de caminhos. E que traduz, absurdamente atual, século e meio depois, os tempos em que vivemos.

Antes, reproduzo o recado de Lula ao povo brasileiro, no 13 de julho:

“A tensão deles com a possibilidade de eu ser solto é porque sabem que me prenderam com mentiras. Eles estão nervosos pela consciência culpada deles, das armações que produziram. Eu não sinto ódio, mas pena pela situação em que essa gente colocou o Brasil para vender nossas riquezas e indignação com o sofrimento que passa o povo brasileiro, com cada vez mais dificuldade de ter um emprego e pagar suas contas. O pavor que os poderosos sentem não é de mim, Lula, mas de terem que ouvir a opinião dos brasileiros em eleições livres. É o povo brasileiro que precisa recuperar sua liberdade democrática!”

Recebi o vídeo, compartilhado em um dos vários grupos de militância de que participo. Todos com um mesmo propósito: troca de informação, experiência e reflexão para o exercício de cidadania, imprescindível para quem viver está além do umbigo.

Importar-se e indignar-se é se colocar no lugar do outro, especialmente quando se trata da luta contra a desigualdade e a opressão.

Há quem acredite no contrário, mas a gente não está aqui a passeio. Mais dia, menos dia, a vida cobra.

 

 

 

Para quem não reconhece, trata-se do hino A Internacional, de inspiração socialista, composto no final do século XIX. Eugène Porttiê, que integrava a Comuna de Paris, escreveu a letra em 1871, para ser cantada no ritmo da Marselhesa, informa a Wikipedia. A melodia que tornou o hino internacionalista foi composta por Pierre De Geyter, em 1888.

A União Soviética adotou-a como hino, na segunda década do século passado, Mas comunistas e anarquistas partilham o legado.

É uma chamado à luta, e uma bela canção – para ser cantada com o peito aberto e o punho esquerdo erguido. Ou não.

Transcrevo a letra, versada em português, a partir do Letra e Música. Bom fim de semana.

A Internacional

Eugène Porttier/Pierre De Geyter

 

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,                Façamos nós podemos                                  Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

 

 

 


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