Euzinha na cola de Mercúrio e outras histórias…

por Sulamita Esteliam

Cá estou de volta, depois de mais de uma semana de ausência. Os motivos são vários, mas o principal deles é que segui a rota de Mercúrio retrógrado, quando tudo, inclusive as pessoas, funcionam ao avesso da velocidade do planeta regente das comunicações, das viagens, dos transportes e também dos contratos.

Pense no poder de avacalhação!

O bom é que são apenas 24 dias a cada 88 dia, por ano.  O último ciclo de 2018 terminou na quinta-feira, 6. Agora, só em 2019 posso usá-lo como desculpa para minha própria retrogradação, hehehe…

Pois sim, andei viajando por terras potiguares. Na verdade, fui até Natal ver e dar suporte a uma prima-irmã querida, de retorno a essas plagas. Fomos, Euzinha e o maridão.

Até levei o portátil, mas a internet não estava de bofes leves, na contramão do meu estado de espírito,  e só fiz aumentar a bagagem. Portanto, não leve a mal…

Natal e Ponta Negra continuam lindas, mas o aeroporto em São Gonçalo do Amarante, embora bonito e confortável, é inexplicável e um acinte para com os visitantes.

São cerca de 25 km de distância da capital e 36 km de Ponta Negra, mas o serviço de transporte coletivo inexiste, e a tarifa dos táxis e mesmo os aplicativos revelam-se bastante ariscas para dizer o mínimo.

Há coletivos pé-duros, mesmo assim, circulam de hora em hora, e apenas com o destino ao centro de Natal. Você fica à mercê das corridas compartilhadas ou dos transportes alternativos. E os trabalhadores do terminal ou do comércio ali instalado que se virem para ir e vir.

É um absurdo, também porque se trata de cidade turística.

Fica claro que não se pensou em funcionalidade para usuários quando se optou por transferir o aeroporto para aquela localidade, a pretexto da Copa do Mundo. Ao invés de manter o antigo, em Parnamirim, a apenas 6 km da Zona Sul de Natal, onde fica sua principal praia urbana, Ponta Negra, e se concentra a rede hoteleira.

Até porque, o Aeroporto Internacional Augusto Severo, na verdade um complexo aeroportuário instalado na Base Aérea de Natal, praticamente a beira-mar, havia passado por processo de reforma encerrado em agosto de 2012.

Teve sua capacidade ampliada para 5,8 milhões de passageiros por ano. Um ano depois de concluída a reforma, pesquisa da Secretaria de Aviação Civil apontara o terminal como o terceiro melhor do País.

Hoje está de volta ao controle da Força Aérea Brasileira, e opera apenas com aviação militar. Já o Aeroporto Internacional do Rio Grande do Norte/ São Gonçalo do Amarante tem capacidade anual para 6,2 milhões de passageiros, mas opera com cerca de 2,5 milhões.

Por algum motivo, em 2016 foi considerado o melhor aeroporto do Brasil nos quesitos conforto, atendimento, limpeza geral e, pasme, transporte público. Também por pesquisa da Secretaria de Aviação Civil. 

Um verdadeiro desperdício de estrutura e dinheiro público.

O motorista do aplicativo que nos levou até o novo aeroporto, no retorno, nos falou da “motivação” para se construir o novo aeroporto: seria resultante de um “combinado” entre o ex-deputado Henrique Alves (PMDB) e o então prefeito do município.

O terreno seria da família Alves, do ex-deputado e ex-ministro, que se encontra em prisão domiciliar, sem condenação, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, no processo de construção da Arena Dunas.

Não é coincidência que o terminal leve o nome de Aluízio Alves, ex-governador do Rio Grande do Norte, e pai do ex-ministro do Turismo no governo Dilma e no desgoverno Temer. Fez uso da caneta em benefício próprio, até cair em desgraça na mira da Lava Jato.

É por essas e outras que fica difícil levar o Brasil a sério.Ah, sim, o motorista “bem-informado” é guarda municipal concursado; o aplicativo é “intera da feira”.

Detalhe bem significativo: o rapaz é eleitor e defensor ferrenho de você sabe quem. E confessou suas razões: acabar com “os direitos humanos que só defendem bandido”. Em outras palavras, quer licença para matar, dentro da lei, e em nome de Jesus.

A governadora Fátima Bezerra (PT), eleita e diplomada, é a primeira mulher a governar o Rio Grande do Norte. Não terá vida fácil. Aliás, ela e todos os governadores do Nordeste, em oposição ao desgoverno que se prenuncia.

Compartilho, a propósito, o vídeo da entrevista que ela concedeu ao Nocaute, o blogue do colega jornalista e escritor, Fernando Morais, esta semana:

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Postagem revista e atualizada dia 10.12.2018, às 21:08 hs, hora do Recife: correção de frase mal-enjambrada.

 

 

 

 


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