‘Manifestação’: a propósito dos direitos universais, canção-protesto

por Sulamita Esteliam 

Vale resgatar o clipe de Manifestação. Foi lançado em 28 de maio deste ano, em comemoração aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos 57 anos da Anistia Internacional. 

Canção-manifesto. Alerta e protesto contra as violações de direitos humanos, comuns neste país, onde direitos humanos “é coisa de bandido”. 

Conscientização.

Há bandidos, e bandidos. Alguns têm licença para ofender, espancar, assediar, barbarizar, matar – de fome, tristeza ou bala de revólver.

É questão de classe. Melhor, vale a diferença de classe.

A charge do mineiro-baiano Cau Gomez, que abre a postagem, vai ao ponto, e sou grata ao Universo por ter amigos desse naipe.

Dentre vários artistas da terra, participam do clipe Fernanda Montenegro, Chico Buarque, Chico César, Letícia Sabatella, Criolo, Ana Cañas, Camila Pitanga, Paulo Miklos, Marcelino Freire, Cozinha Mineira, As Bahias. Lista completa no Youtube/Anistia Internacional.

A música é de Xuxa Levy, Russo Passapusso e Rincon Sapiência, com letra de Carlos Rennó.

Assista:

 

Aprenda a letra:

Manifestação

Anistia Internacional

Aqui ‘stamos na avenida
Pelas ruas, pela vida
Marchando com o cortejo
Que flui horizontalmente
Manifestando o desejo
De uma cidade includente
E uma nação cidadã tra-
Duzido numa canção
Numa sentença, num mantra
Num grito ou numa oração

Por todo jovem negro que é caçado
Pela polícia na periferia
Por todo pobre criminalizado
Só por ser pobre, por pobrefobia
Por todo povo índio que é expulso
Da sua terra por um ruralista
Pela mulher que é vítima do impulso
Covarde e violento de um machista

Por todo irmão do Senegal, de Angola
E lá do Congo aqui refugiado
Pelo menor de idade sem escola
A se formar no crime condenado
Por todo professor da rede pública
Mal-pago e maltratado pelo Estado
Pelo mendigo roto em cada súplica
Por todo casal gay discriminado

E proclamamos que não
Se exclua ninguém senão
A Exclusão

Aqui ‘stamos nós de volta
Sob o signo da revolta
Por uma vida mais digna
E por um mundo mais justo
Com quem já não se resigna
E se opõe sem nenhum susto
A uma classe dominante
Hostil à população
Numa ação dignificante
Que nasce da indignaçãoPUBLICIDADE

Por todo homem algemado ao poste
Tal qual seu ancestral posto no tronco
E o jovem que protesta até que o prostre
O tiro besta de um PM bronco
Por todo morador de rua, sem saída
Tratado como lixo sob a ponte
Por toda a vida que foi destruída
Em Mariana ou no Xingu, por Belo Monte

Por toda vítima de cada enchente
De cada seca dura e duradoura
Por todo escravo ou seu equivalente
Pela criança que labuta na lavoura
Por todo pai ou mãe de santo atacada
Por quem exclui quem crê num outro Deus
Por toda mãe guerreira, abandonada
Que cria sem o pai os filhos seus

E proclamamos que não
Se exclua nada nem ninguém senão
A exclusão

Eis aqui a face escrota
De um modelo que se esgota
Policiais não defendem
Políticos não contentam
Uns nos agridem ou prendem
Outros não nos representam
E aquele que não é títere
E é rebelde coração
Vai no zapp, no Face, no Twitter e
Combina um ato ou ação

Por todo defensor da natureza
E todo ambientalista ameaçado
E cada vítima de bullying indefesa
E cada transexual crucificado
E cada puta, cada travesti
E cada louco, e cada craqueiro
E cada imigrante do Haiti
E cada quilombola e beiradeiro

Pelo trabalhador sem moradia
Pelo sem-terra e pelo sem-trabalho
Pelos que passam séculos ao dia
Em conduções que cansam pra caralho
Pela empregada que batalha, e como
Tal como no Sudeste o nordestino
E a órfã sem pais hetero nem homo
E a morta num aborto clandestino

Impelidos pelos ventos
Dos acontecimentos
Louvamos os mais diversos
Movimentos libertários
Numa cascata de versos
Sociais e solidários
Duma canção de protesto
Qual “Canção de Redenção”
Uma canção-manifesto
Canção “Manifestação”

Por todo ser humano ou animal
Tratado com desumanimaldade
Por todo ser da mata ou vegetal
Que já foi abatido ou inda há-de
Por toda pobre mãe de um inocente
Executado em noite de chacina
Por todo preso preso injustamente
Ou onde preso e preso se assassina

Pelo ativista de direitos perseguido
E o policial fodido igual quem ele algema
Pelo neguinho da favela inibido
De frequentar a praia de Ipanema
E pelo pobre que na dor padece
De amor, de solidão ou de doença
E as presas da opressão de toda espécie
E todo aquele em quem ninguém mais pensa

E proclamamos que não
Se exclua nada nem ninguém senão
A exclusão

Dando à vida e à alma grande
Um sentido que as expande
Cantamos em consonância
Com os que sofrem ofensa
Violência, intolerância
Racismo, indiferença
As Cláudias e Marielles
Rafaeis e Amarildos
Da imensa legião
De excluídos do Brasil, do S-
Ul ao norte da nação

E proclamamos que não
Se exclua nada nem ninguém senão
A exclusão


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