O circo está armado e o palhaço fugiu…

por Sulamita Esteliam

Não me vem outra frase para começar o texto desta quarta-feira, 23 de janeiro do ano de 2019. Portanto, repito: o circo está armado, é multilíngue, mas o palhaço fugiu..

O destaque do noticiário do dia vai para a tentativa frustrada de golpe de Estado na Venezuela. Insuflado pelos Estados Unidos do Trump, que dúvida!, e apoiado advinha por quem?

Se você disse capitão-presidente, acertou em cheio. Macho feito franga parida, diria minha avó.

Valente, mas só para galera adestrada, porque não é capaz de encarar nem a mídia internacional, quanto mais depois do fiasco da estreia.

Entrevista só para emissora amiguinha, que levanta bola e aceita frango. Aliás, dizem as boas línguas que, não por acaso, os dois mandatários estão próximos à linha do pênalti.

Esse o outro grande vexame da temporada em Davos, na Suíça. Coletiva de imprensa marcada, cenário armado pela organização do Fórum Econômico Mundial, simplesmente não apareceu; nem satisfação deu.

Nem o capitão-presidente nem a equipe – traduzida no
ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, da Economia, Paulo Guedes e da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Inacreditável.

Mas apressou-se em apoiar o hermano bufão-deputado venezuelano, líder da oposição que preside a Assembleia Constituinte não reconhecida, inclusive, pela suprema corte de lá.

Juan Gaidó armou um palanque com alguns correligionários e se autoproclamou chefe do Executivo.

Um ato de arrivismo irresponsável sem qualquer valor legal. Automaticamente reconhecido por Trump e, fazer o quê, pelo capitão eleito para presidir o Brasil.

Ocorre que Nicolás Maduro, reeleito com 67% dos votos do seu povo, bradou alto e bom som, respaldado pela multidão que se postou em frente ao Palácio Miraflores: “Só o povo me tira daqui“.

Da sacada anunciou o rompimento das relações diplomáticas e econômicas com os Estados Unidos e deu 24 horas para a retirada de todo o corpo diplomático estadunidense de Caracas.

Quem raciocina para além das condicionantes ideológicas sabe que a Venezuela tem enfrentado crises sucessivas políticas, econômicas e sociais, pela ordem.

As tentativas de golpes vinculadas à acusações de violação da democracia vêm desde os governos Chávez, como lembra a colega blogueira Lola Aronovich, no Twitter que publico acima.

Em contrapartida, os governantes em questão sempre tiveram maciço apoio popular. Foi assim com Chávez e é assim com Maduro.

Sabe-se, também, que a fábrica de crise é movida não apenas pela oposição destronada há tempos – nos moldes do Brasil até o golpe do impeachment em Dilma e a prisão de Lula para entregar a eleição para o capitão-presidente -, mas pelos interesses do império nas riquezas petrolíferas do país.

Os “ianques”, como são chamados os estadunidenses pelo povo local, querem fazer da Venezuela um novo Iraque, uma nova Libia, uma nova Síria.

E, nesse imbróglio, como bem define a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, em vídeo publicado no Youtube na segunda-feira, “o Brasil é bucha de canhão”.

Não se pode esquecer, como também alerta o ativista Stanley Burburinho na rede social, que “a Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo e fica a 3.350 km de Pasadena, que pertence à Petrobras e os Estados Unidos querem de volta”.

Eis o que está em jogo: o petróleo, não a tal da democracia.

Diga-se, por outro lado, que a postura diplomática dos governos brasileiros tem sido o princípio da não intervenção. 

É o que lembra o vice do capitão-presidente, no comando temporário do país enquanto o chefe, em viagem milionária. paga mico nas Europa. 

A informação está na Fórum, reproduzida de publicação da Uol. Diz o general Mourão:

“O Brasil não participa de intervenção. Não é da nossa política externa intervir nos assuntos internos de outros países.”

 

Quer dizer, o mar não está para peixe com peçonha, e nosso barco faz água por todos os lados…

A ver os próximos capítulos.

Sim, a propósito, vale a leitura de mais um xadrez do Luis Nassif sobre as estripulias e beligerâncias da primeira família.

 


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