Retratos da barbárie em estado sólido

por Sulamita Esteliam

Leio na Revista Fórum, que a bisneta de Lula, uma bebê de apenas 2 anos de nome AnaLua, foi maltratada por uma pediatra num posto de saúde em Niterói, no Rio de Janeiro, corrijo. Apenas e tão somente porque é uma Lula da Silva.

A mãe da criança, Maria Beatriz da Silva Sato Rosa, Bia Lula, denunciou o absurdo no Facebook.

Isso numa semana em que um mulher foi agredida na rua em São Paulo, simplesmente pelo fato de que se dirigia à Jornada Lula Livre, no domingo 7. Nesta terça já se sabe que os agressores são um casal gay, um deles doutorando em Literatura, e um terceiro, que aplicou uma gravata na vítima é um empresário do ramo de sorvetes. Todos Bolzo.

Mais grave ainda é agentes do Estado lotados no Exército Brasileiro fuzilarem um pai de família com 80 tiros disparados num carro que carregava ainda uma criança de 6 anos, a mãe e os avós dela. Também no domingão, destarte no Rio de Janeiro.

O pai assassinado era músico, e a família se dirigia a um chá de bebê. Todos pretos.

Todos os crimes aqui relatados, por que de crimes se trata, movidos pelo ódio. Pura covardia, retrato da barbárie em estado sólido.

No rol das vítimas desse horror em que o Brasil se transformou, já se contam milhares. Não por acaso, alguns da família Lula da Silva: dona Marisa, a companheira de vida e de luta do ex-presidente, o irmão mais velho Genivaldo, o Vavá, o neto Arthur, de apenas 8 anos, que se foi, tudo indica, em decorrência de negligência médica.

Ora direis que todos os dias morrem pessoas, brasileirxs e brasileirinhxs vítimas de mal atendimento do sistema médico nesse país.  Mais, e é verdade terrível, que todos os dias morrem brasileiros e brasileiras, especialmente pretos e pobres, alvos preferenciais no genocídio perpetuado, sobretudo, pela violência policial neste país.

Pois digo que racismo e discriminação por qualquer motivo – gênero, cor da pele, origem e condição social – é crime de ódio. Estimulado e incentivado pelo ora ocupante do Palácio da Liberdade e seus asseclas.

E o que sobra no lugar?

Diga aí você que escolheu nos colocar nessa posição de apoplexia diante de tamanha crueldade, falta de senso e de humanidade.

Você que clama aos céus em nome de Jesus, que venera a bandeira nacional, assim mesmo, apequenada pela miséria humana, ostentadas ainda em algumas, poucas janelas, e até em umbrais de templos, onde a prece é medida pelo vil metal.

Diz  aí, o que você faria se no lugar dessas pessoas estivesse alguém da sua família – sua bisneta, neta, filha, irmã, seu bofe?

Euzinha passo.

Quero meu país de volta.

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Postagem revista e atualizada dia 10.04.2019, às 7:51 horas: correção de informação na abertura da postagem e inclusão de reflexões no corpo do texto.

 

 


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