O grito por liberdade e justiça ecoa no Brasil e no mundo: #LulaLivre!

por Sulamita Esteliam

No domingo, 7 de abril completou-se um ano de encarceramento do ex-presidente Lula em Curitiba, Paraná, sem crime e sem provas. Uma condenação injusta, que envergonha o Brasil. 

Euzinha e minha amiga-irmã Eneida da Costa, que me hospeda esta semana em Beagá, fomos juntas à manifestação pró-libertação de Lula na Praça Afonso Arinos. Juntamos nossa voz às mil vozes do coral organizado pelo coletivo Alvorada, que cantou Anunciação, de Alceu Valença, alternando o grito por #LulaLivre:

“Tu vens, tu vens, eu já escuto teus sinais…” / Olê, olê, olê, olá, Lula livre!”/ “Não tem prova, não tem crime, #LulaLivre, #LulaLivre!”

Pego carona no FB do amigo Pedro Martins para compartilhar o vídeo da apresentação coletiva:

Cantar ajuda a espantar os males. Reencontrar amigos e receber o abraço afetuoso, trocar dois dedinhos de prosa, brindar com uma geladinha… Ver a cara de entojo dos bolzos, ora enrustidos em sua maioria… não tem preço.

Claro que sempre há um ou outro manietado que ousa atribuir a Lula o que seu ídolo e todo o laranjal regado por sua família e asseclas milicianos praticam impunemente.

Mas não estávamos lá para ouvir mi-mi-mi, e sim para lembrar que não podemos compactuar com a injustiça e esquecer que Lula é preso político.

Há que se acreditar, sempre, na máxima popular de que o que é deles está guardado, e não tarda.

Tamanha emoção não nos deixou lembrar que o 7 de abril é Dia do Jornalista. Tudo cessa quando um valor maior se levanta.

Clique para ver como e onde o grito pela liberdade de Lula ecoou Brasil e mundo afora. Houve manifestações em 17 capitais brasileiras e também em Caetés, terra do ex-presidente, e em 16 cidades europeias, na América Latina e até nos Estados Unidos.

Paris, Londres, Lisboa,Coimbra, Berlim, Bonn, Munique, Frankfrut, Hamburgo, Viena, Barcelona, Madrid, Bolonha, Colônia, Manchester, Tübingen e Aahus. Montevdéu, Cidade do México, Nova Iorque, Los Angeles, Boston,Sidney, Melbourne e Saint Louis.

Em Curitiba, uma marcha que chegou a reuniu 10 mil pessoas, venceu cerca de 3,5 km do terminal da Boa Vista até a sede da Polícia Federal no Bairro de Santa Cândida, onde se encontra preso o ex-presidente Lula.

Caravanas de todas as partes do País tomaram as ruas do entorno da PF, somando-se aos bravos companheiros da Vigília Lula Livre, que resistem há um ano a toda sorte de investidas para inviabilizar a solidariedade ao prisioneiro político mais querido no Brasil e no mundo.

Apesar da proporção e do volume dos atos de apoio a Lula, a mídia venal tentou vendê-los como equivalentes aos gatos pingados ainda vãos às ruas para tentar sustentar o insustentável. Como mostra a Rede Brasil Atual e o Brasil Fato, que trazem uma síntese dos atos políticos nas ruas daqui, de acolá e alhures. 

Nesta segunda, Lula enviou uma carta de agradecimento pela jornada pela sua libertação no domingo 7:

Enquanto isso, o STF segue acuado e constrangido devido a inércia em cumprir seu papel de guardião constitucional.

Preocupado com a opinião pública dos seguidores do capitão delirante, mais uma vez posterga o julgamento em torno da controvertida prisão com sentença em segunda instância, que pode determinar a libertação do ex-presidente Lula.

George Marques em seu blogue na Revista Fórum, publica a cobrança de cedleridade da deputada Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, face à prisão claramente política e arbitrária,

O jornalista lembra ainda, em outra postagem, que aumentam no Congresso Nacional as pressões por uma CPI que investigue o comportamento inconveniente, ou conveniente em excesso, da Corte.

A corroborar aquela incontinência verbal de ministro do antigo desgoverno usurpador golpista: “como STF, com tudo…”

E segue a ópera deste #TristeBrasil.

Transcrevo, via Lula.com.br, a carta do ex-presidente Lula publicada pelo jornal francês L’Humanité neste 8 de abril, sob o título: Brésil. “Lula Libre”, une clameur de justice”.

                                    Ato na Vigília Lula Livre, em Curitiba – Foto: Ricardo Stuckert

“O mundo assiste hoje, com preocupação e tristeza, aos graves retrocessos que se sucedem no Brasil desde que o golpe parlamentar de 2016 rasgou a Constituição e os votos de 56 milhões de brasileiros e derrubou a presidenta Dilma Rousseff. Primeira mulher a ocupar a Presidência do país, Dilma foi eleita em 2010, reeleita em 2014 e afastada dois anos depois, sem qualquer ato ilícito cometido.

Desde então, o Brasil atravessa um dos momentos mais críticos de sua história. O processo de desenvolvimento com inclusão social iniciado em 2003, que tanta admiração despertou ao redor do planeta, foi violentamente interrompido. O país que resgatou da extrema pobreza milhões de pessoas, que tirou o Brasil do Mapa Mundial da Fome pela primeira vez em 500 anos, que exportou políticas sociais vitoriosas para o continente africano, que dialogou de igual para igual com as maiores potências mundiais e que lutou pela paz entre os povos é hoje o seu extremo oposto.

Estou preso desde 7 de abril de 2018, sem nenhuma prova de qualquer crime cometido. Minha vida e a de meus familiares foi devassada. Minha residência foi invadida e revirada pela polícia. Anos e anos de investigação feroz não encontraram nenhum centavo irregular em minhas contas, cuja origem não possa ser comprovada, nenhuma evolução patrimonial incompatível com o fruto do meu trabalho. Nada de iates, mansões cinematográficas, malas de dinheiro, contas secretas: nada. Mesmo depois de ter sido presidente, voltei a morar no mesmo apartamento desprovido de qualquer luxo, na região metropolitana de São Paulo.

Fui condenado e preso por “atos indeterminados”, figura inexistente na legislação penal brasileira. Apresentei farta documentação comprovando minha inocência. Meus acusadores, ao contrário, não encontraram uma única prova contra mim.

Estou há um ano preso em isolamento, proibido de dar entrevistas. Fui impedido de disputar a eleição presidencial de 2018, quando todas as pesquisas de opinião pública indicavam o meu amplo favoritismo. Abriu-se assim o caminho para a vitória do candidato da extrema direita, notabilizado pelo discurso racista, homofóbico e misógino, e pela defesa intransigente da tortura e do regime totalitário instalado no Brasil pelo golpe militar e civil de 1964.

O juiz de primeira instância, que tantas injustiças cometeu contra mim e que me condenou sem provas, foi alçado ao cargo de ministro da Justiça do novo governo. É o chefe superior de minha carceragem, o que seria impensável no estado de direito constitucional e democrático. O atual presidente, eleito com base na divulgação maciça de fake news (mentiras) – mesmo modelo utilizado recentemente em outros países – acelerou o desmonte do estado de bem estar social implantado desde a chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder, em 2003.

Políticas públicas que combinavam desenvolvimento econômico e justiça social foram abandonadas. Direitos trabalhistas históricos estão sendo revogados. Aprofundaram-se as desigualdades sociais. Milhões de pessoas foram empurrados para a extrema pobreza. O número de desempregados supera a marca de 13 milhões. A fome e a mortalidade infantil estão de volta. A busca pelo diálogo e pela paz foi substituída pelo discurso e a prática do ódio e da intolerância. O Brasil sangra.

Neste momento de imensa dor, causada não apenas pelas injustiças cometidas contra mim, mas sobretudo pelas graves ameaças à democracia e ao sofrimento imposto ao nosso povo, quero agradecer às manifestações de solidariedade que chegam de todas as partes do mundo. E reafirmar que não abandonaremos a luta, até que o Brasil e os brasileiros voltem a ser felizes.”

Luiz Inácio Lula da Silva

Do L’Humanité

 


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