Ecos da Argentina de Macri e o que é feito de nós…

por Sulamita Esteliam

Desde a última quinta-feira tem sido impossível chegar até o blogue. Os preparativos para o lançamento do meu livro Em Nome da Filha minha Macondo de origem, Beagá, me absorveram completamente. E o fim de semana foi dedicado a cozinhar para e a celebrar a nova idade da minha irmã, Lili, a terceira dos quatro que nossa mãe pariu.

Pois digo que foram duas festas de primeira. O lançamento, na Casa do Jornalista, modéstia parte, foi glorioso. Assim que receber as fotos compartilho os detalhes com você.

Enquanto isso, deixo um texto de um amigo de longa data, colega de profissão, que faltou ao lançamento por uma boa causa: dar um rolê com a amada pela vizinha Argentina.

E é de lá que ele envia, pelo zap-zap, a crônica que publico a seguir; com a devida autorização. Obrigada, Metzker.

Situação atual da Argentina

por @ Márcio Metzker

Um dos meus costumes de jornalista mais proveitosos quando viajo é puxar pela língua dos motoristas de táxi, e capturar a temperatura política da cidade ou do país. Nestes últimos dias, em Buenos Aires, exercitei este hábito pelo menos oito vezes, e a avaliação é muito desairosa para Mauricio Macri.

Quem disse menos reclamou que no governo de Christina Kirchner era possível ganhar a vida, e agora estava difícil. O mais radical, quando perguntei o que achava do Macri, me disse que não podia responder porque havia uma criança no carro.

Todos me disseram que Lula é amado pelos argentinos e ninguém acredita que seja culpado de corrupção. Têm a convicção de que foi aprisionado por uma jogada das elites para que não concorresse às eleições, que ganharia facilmente.

De fato, a situação na Argentina piorou muito desde que estivemos lá há cinco anos. O real está a 11 pesos, e o dólar a 45. A comida encareceu e todos em Buenos Aires parecem depender dos turistas estrangeiros, principalmente dos brasileiros.

Hoje vemos grupos de dançarinos de tango muito bem vestidos, e também músicos de bandoneon, fazendo apresentações nas praças e nas calçadas, e depois passando o chapéu para recolher umas mixarias.

O grande escândalo destes dias foi a proibição estabelecida pelo governo Macri de autorizar o pouso de um avião de ajuda humanitária da Venezuela para recolher venezuelanos que vivem em situação de rua na Argentina e desejam voltar a seu país.

Aliás, li no jornal Página 12 que Maduro iniciou em agosto passado esse programa de recambiar seus nacionais que desejam voltar ao país. E o avião voa incessantemente, o que contraria a voz corrente na imprensa burguesa de que os venezuelanos estão em fuga por passarem fome no país.

É possível perceber um sentimento de fraternidade que os argentinos mais politizados devotam a nós, brasileiros, como vítimas do mesmo esquema de dominação estabelecido por Donald Trump sobre os países mais ricos da América do Sul.

A cobiça pelo petróleo da Venezuela é a mesma sobre o Pré-Sal brasileiro. Trump quer manter sob controle todas as jazidas de fontes de energia da América, e só não ocupa militarmente nossos países porque os russos e os chineses se opõem.


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