O dia em que a chapa esquentou, mais, com STF com tudo…

#VazaJato celebra um mês com áudio-bomba
por Sulamita Esteliam

A chapa está quente nesta terça-feira, difícil escolher tema único para tricotar por aqui. Ouviu o áudio do Dallangnol celebrando a proibição da entrevista do Lula? Aquela primeira, à Folha de São Paulo e ao El País…  Era para ter acontecido antes do segundo turno das eleições de 2018 e, talvez, o Brasil não tivesse descido tão fundo.

Pois o The Intercept escolheu justo o aúdio  para celebrar um mês da #Vazajato ou #MoroGloboGate. O Glenn Greenwald e sua equipe parecem ter se formado em tortura chinesa, gota por gota… 

Confira o aúdio:

E aqui o resgate das várias etapas da reportagem investigativa que fez cair de vez a máscara da nunca dantes impoluta operação Lava Jato.  Mas que corrupção que nada!

Faço minha a perguntinha que futuca a língua, e que uma tuiteira boa de mofa soltou lá no microblogue: será que os hackers  se incorporaram nas cordas vocais do coordenador da Força Tarefa? Porque os cabelos estão mudados, mas a voz… 

Sim, e quem será “o pessoal” a que ele se refere que “pede para manter segredo”? Seria o mesmo personagem “confiável”, celebrado por Moro em tratativas anteriores entre juiz e promotor no Telegram: “In Fux we trust”?

Pelo áudio, observa-se – e Greenwald o destaca no Twitter – que Deltan tinha conhecimento prévio de decisão ainda não divulgada. 

Deltan e Moro arrombaram a porta da confiabilidade e agora despencam abraçadinhos…  E o STF tem muito o que explicar à nação.

Na segunda, em Curitiba, outro ministro do Supremo saiu da caixinha em ato no TRE-PR, em Curitiba. Edson Fachin, que herdou de Teori Zavaschi, morto há dois anos e meio em acidente aéreo mal-explicado, embora a PF tenha descartado sabotagem, valeu-se das entrelinhas para se recolocar no cenário dos confiáveis.

Cobrou de juízes o papel que lhes cabe: usar a lei como instrumento de justiça, não ao seu bel prazer. E resgatou a seriedade de seu antecessor, comparando-o a Sergio Vieira de Melo, funcionário da ONU em Bagdá, morto num atentado a bomba, que “morreu porque sabia demais”.

Que diabo é isso, minha gente!?

O colega Luis Nassif recupera e analise o discurso, que é para deixar quem pensa além do óbvio com a tal da pulga atrás da orelha. Veja aí:

Aqui no Nordeste do País se diz que iludido é pior do que doido. Pois digo que arrependido é pior do que iludido. A ver…

Até prova em contrário, para mim, o Fachin que até agora acoitou todas as irregularidades da Lava Jato, foi pego com baton na cueca na #Vazajato – “Aha, uhu, o Fachin é nosso!”, segundo o mesmo Dallangnol, em reportagem Veja/Intercept no domingo – e quer mostrar que está limpo.

Uma coisa puxa a outra e olha quem chega para a lambança!? Sim, ele mesmo, o capitão-fake-delirante, pego em flagrante delito de responsabilidade fiscal pela liderança do PSol na Câmara. 

O partido acusa o presidente de papel com base na liberação de verbas parlamentares acima de R$ 1 bilhão, das quais quase a metade, R$ 444 milhões não foram autorizadas pelo Congresso. 

Fere o Artigo 142 da LDO – Lei de Diretrizes orçamentárias, alicerçada nos “princípios constitucionais da da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência na administração pública federal, não podendo ser utilizada para influir na apreciação de proposições legislativas em tramitação no Congresso Nacional”.

Enquanto escrevo, o senhor presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM, mostra serviço para quem financia seu mandato e coloca em discussão o texto que chamam de reforma, mas que é o desmonte dos direitos previdenciários da gente trabalhadora mais pobre.

E a Globo e seu séquito entram em delírio orgástico com a possibilidade de servir ao deus mercado.

O desgoverno acena com mexidas aqui e acolá para salvar a pele das “forças de segurança”, de professores e reduzir a pena para as mulheres. Miçangas para enganar incautos. A oposição promete resistir, obstruindo a votação.

Resumo da ópera: mantidos todos os privilégios dos bem-postos,  quem paga o pato é a raia miúda. Quem ganha até dois salários mínimos, se conseguir se aposentar, vai ter seu benefício reduzido, na prática, em no mínimo 40%, com as novas regras do cálculo.

Não sei o que vão fazer com aqueles que contribuem em cima do salário mínimo, porque a Constituição não permite que ninguém seja remunerado abaixo deste piso. Mas a Carta Magna, meus amores, tantas vezes violadas, não é mais nem carta de intenções faz tempo.

Peguei um trecho das informações produzidas pela advogada Maria Augusta Bley Cartaxo Jardim, especialista em Direito Tributário, que ajuda a clarear o fundo do buraco em que pretendem enfiar a massa trabalhadora. A íntegra está lá na página do Jornal Contábil

  • Hoje, para se aposentar por idade, o INSS calcula a média com os 80% maiores salários de contribuição desde julho de 1994. Depois de feito este cálculo, utiliza 70% da média mais 1% a cada ano de contribuição,  para compor o salário de benefício, recebendo ao menos 85% da média salarial ( por ter contribuído por 15 anos);

  • Com a reforma,  serão considerados 60% da média salarial de todos os meses trabalhados desde julho de 1994, mais 2% a cada ano que ultrapassar 20 anos de contribuição.

Quer dizer, cai a média salarial, pois os menores salários não são descartados do cálculo. Ela dá um exemplo:

“No modelo atual, se o cálculo do benefício for R$ 2.500,00, a pessoa se aposenta com R$ 2.125,00  – 85% da renda ( 70% mais 1% a cada ano, o que dá 85% da média).

Com a reforma, essa mesma pessoa se aposenta com R$ 1.500,00, o equivalente a 60% da média de R$ 2.500,00.

Assim, o segurado só terá direito a receber 100% da média salarial, se contribuir por 40 anos  para o INSS.

Importante mencionar que o valor do benefício não poderá ser superior ao teto do INSS, que atualmente é de R$ 5.839,45, nem inferior a 1 salário mínimo, que hoje é de R$ 998,00.”

O recado que fica desse projeto faz lembrar certo personagem de Chico Anísio, parlamentar, que dizia “Que povo!? Quero mais é que o povo se expluda!”

 


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