De abusos em abusos beiramos o fascio…

por Sulamita Esteliam

Três fatos ocorridos esta semana dão a medida do descalabro totalitário e obscurantista sob o qual estamos vivendo neste país. Dois deles ocorreram em Belo Horizonte, ambos tendo como motor o controle ideológico da educação. Outro em São Paulo, caracterizando perseguição política e policial sobre ativistas dos movimentos sociais e políticos de esquerda.

Violência física, moral e política, bem nos moldes do totalitarismo, que cheira a fascismo.

O autoritarismo e a truculência sobre manifestantes contrários ao projeto da Escola com Mordaça, ou Escola sem Partido, sobre as escolas públicas, em votação na Câmara Municipal de Belo Horizonte, sobretudo na última quarta-feira, é exemplo disso. 

Seis pessoas feridas, dentre eles diretores do Sind-Rede e um professor da rede municipal, por conta da ação da segurança a mando da presidenta da Casa, que em tese é do povo.

Estudantes e professores foram expulsos e o acesso à galeria fechado. O projeto, de número 274/17, está sendo votado há 12 dias, sem avanços.

Em protesto, esta sexta-feira será de greve, com ato político a partir das 14:00 horas, em frente à Câmara de Vereadores: em repúdio à violência, contra a Lei da Mordaça e em defesa da democracia.

O outro fato aconteceu numa escola particular tradicional na zona Sul da capital mineira. A informação me chegou em forma curiosa: uma nota de repúdio, escrita não pela direção ou professores, mas por alunos e ex-alunos – alguns deles, possivelmente, pais e mães dos atuais estudantes – do Colégio Loyola.

Acusações mal-enjambradas e infundadas sobre “doutrinação marxista” em texto humorístico, do Gregório Duvivier, usado em teste de língua portuguesa. Iniciativa de algumas famílias, que rapidamente ganhou as redes sociais via grupos bolsonaristas.

Detalhe: a direção do colégio cedeu às pressões e anulou a prova. O que motivou comentário do próprio Duvivier no Twitter.

 

O texto da nota é longo e vem assinado por 410 pessoas, o que resulta em 11 páginas. Reproduzo um trecho:

“(…) é importante destacar que, das quatro questões referentes ao texto, uma é relacionada à colocação pronominal, e as outras três à estrutura característica dos textos de humor. Portanto, nenhuma das questões da avaliação exige posicionamento político dos alunos. Não há tero ideológico em nenhum dos exercícios propostos.”

“(…) urge destacar que a diversidade de ideias, tão cara ao Colégio, é característica fundamental do Estado Democrático de Direito e, portanto, deve ser defendida.

“(…) ressaltamos o nosso compromisso coma pluralidade de ensino, com a autonomia dos professores e com a defesa da liberdade de expressão. Dessa forma, repudiamos os ataques direcionados ao corpo docente do Colégio, assim como a propagação de informações equivocadas a respeito do ocorrido. Contestamos, também o posicionamento adotado pelo Colégio ao anular a avaliação e, assim, ameaçar a autonomia dos pfoessores em sala de aula.”

“Esperamos, enquanto parte da comunidade Loyola, que a autoridade dos professores seja respeitada e que os princípios inacianos, tão caros à instituição continuem sendo defendidos, independentemente do contexto político no qual o Brasil se encontra.”

Nós também.

E meus perplexos botões se perguntam até quando vamos assistir de camarote o império da barbárie e da exceção.

Como o que se deu em São Paulo, nesta sexta, destarte por obra da Polícia Militar. Por sorte ou azar dos envolvidos, se meteram com uma vereadora do PT.

É de se supor, dada a mobilização sucedida, que a capital paulista não há crimes a se combater.

Preta Ferreira – reprodução Youtube, via Carta Capital

Hoje era dia de se celebrar a libertação de Preta Ferreira, cantora e ativista, e seu irmão Sidney, via habbeas corpus. Ambos são filhos de Carmen Ferreira, líder do movimento de moradia em São Paulo. Estavam presos há 109 dias, sem crime e sem provas.

Mas, no meio do caminho veio a repressão, o que dá o tom do regime em curso.

Leia o que publica o Jornal GGN, do Luis Nassif, a partir do relato da vereadora:

“Juliana Cardoso, vereadora em São Paulo, estava em um carro com o grupo que iria acompanhar a soltura da cantora e ativista em movimento de moradia Preta Ferreira, com habeas corpus concedido após 109 dias de prisão. O grupo rumava para a penitenciária feminina quando, em um posto de gasolina, foi interceptado por uma viatura da PM.

Segundo Juliana Cardoso, os policiais estavam muito nervosos, apontando armas e muito truculentos. Ela tentou se identificar, queria que o grupo mostrasse documentos, mas os policiais, no lugar de dialogarem, chamaram reforços.

Em minutos, seis viaturas da PM se achegaram ao grupo, um total de 24 policiais.

Os policiais ignoraram as tentativas de Juliana Cardoso de se identificar e continuaram suas ameaças de que todos deveriam obedecer às ordens sem contestar.

Quando Juliana conseguiu se identificar, e os policiais viram que era uma vereadora do PT, a situação ficou um pouco mais truculenta, com mais ameaças ao grupo.

A situação levou duas horas e meia para ser resolvida e a vereadora liberada. Um dos componentes do grupo foi até a delegacia para registrar uma ocorrência.

“Nós estamos vivendo, sim, um estado de exceção”, disse Juliana ao GGN, “e estamos sendo monitorados 24 horas por dia”.

A íntegra da matéria pode ser lida no GGN.

 

  •  

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s