De asa quebrada e coração partido, nós os milhões de Lulas e o Brasil desmantelado…

Milhões de Lulas na Paulista, no domingo 13 de outubro – Foto: Paulo Pinto – AGgPT
por Sulamita Esteliam

A Avenida Paulista ontem recebeu milhares de ativistas pela liberdade de Lula em ato organizado pelo Comitê Lula Livre e pelas frentes Povo Sem medo e Brasil Popular.

O ato denunciou as falhas do processo que levou Lula à prisão, sem crime e sem provas. Fato escancarado pelas sucessivas denúncias da #VazaJato no The Intercept .

As pessoas reunidas em frente ao Masp se mobilizaram também contra o desmonte do Brasil, acelerado pelo desgoverno do capiroto delirante.

E puderam constatar a união do campo político progressista na resistência ao desmantelo e na defesa de um projeto de país voltado para a cidadania ampla de seu povo. Será!?

Lá estavam Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann, do PT, Guilherme Boulos do PSol, representantes do PCdoB, PCO, MST, MTST, da CUT, Intersindical, UNE, CMB. Movimentos sociais e sindicais de mãos dadas aos partidos mais representativos no campo da esquerda brasileira.

Esta união é fundamental para resistir ao desmantelo e retomar o projeto de Brasil democrático, com políticas públicas para a maioria carente da sua população. Um projeto iniciado pelo homem que, no domingo 13, completou 600 dias de encarceramento na sede da Polícia Federal de Curitiba.

Mas é preciso mais do que palavras, eventualmente. É fundamental agir quebrar a perplexidade, a angústia, a inércia, velhas companheira a entorpecer a nossa gente, o que inclui as lideranças políticas das esquerdas.

Os milhões de Lulas, ao que parece, estão de asa quebrada. Como naquela canção de Chico Buarque, na ditadura passada, “minha gente hoje anda falando pros lados e olhando pro chão…”

Causa espanto que o ato que se deu na Paulista não tem tido eco em todas as capitais do país, como de vezes anteriores.

 

Os protestos no Equador fizeram o governo ceder – Foto: Fernanda Gallardo/Voces Equador

Enquanto isso, no Equador… o presidente Lenin Moreno, apontado como traidor por seu povo, recua e cancela o decreto de aumento de 12% nos preços dos combustíveis. Cedeu depois de 11′ dias de protestos indígenas, ao qual se agregaram trabalhadores de outros setores, 6 mortos, 937 feridos e 1121 presos políticos.

Não é pelas redes sociais, nem na poltrona em frente à TV que se logra conquistas. Não se faz omelete sem quebrar ovos.

Estranho o silêncio, também, inclusive na blogosfera progressista, em torno da não-concessão do Prêmio Nobel da Paz 2019 ao ex-presidente Lula. Conforme reivindicado pelo argentino Adolfo Perez Esquivel, Nobel na categoria em 1980.

Rápida pesquisa na web traz pouco retorno: o sarcasmo do canal R7, da Record – Cadê o Prêmio Nobel da Paz para Lula!?; a análise do jornalista Paulo Moreira Leite, Jornalistas pela Democracia, do Brasil 247. Matéria sobre a concessão do prêmio no El País, cita Raoni e …, mas sequer toca no nome de Lula como candidato ao prêmio. O mesmo se dá com o portal Uol Notícias.

É claro que o impacto político do prêmio seria de extrema importância não só para a situação de Lula, como para o Brasil, lembra Moreira Leite. Daí se entende o silêncio da mídia, as omissões e/ou distorções.

Todavia, o Nobel da Paz é essencialmente político, e o comitê do Parlamento Norueguês – essencialmente conservador – preferiu sair pela porta do lado. Como aliás já o fez anos atrás, quando Lula também fora indicado e o vencedor foi Barack Obama, recém-empossado na presidênca dos Estados Unidos.

Menos mal que, desta vez, o escolhido venha da África: o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali. Foi premiado pelo esforço em retomar relações pacíficas com a Eritreia, após anos de conflito na disputa por fronteiras.

O comitê não se comoveu com os argumentos que referendaram a candidatura: o homem que tirou milhões da miséria extrema, preso politicamente, condenado num processo viciado, sem crime e sem provas. 

Não se sensibilizou nem com abaixo-assinado com milhares de assinaturas do Brasil e do mundo. Dentre os signatários, nomes ilustres como da ativista Angela Davis, do ator Danny Glover e do lingüista Noam Chomsky. Além de outros dois Nobel da Paz, Jean Ziegler e Eric Fassin.

Outros favoritos ao prêmio eram o líder indígena brasileiro Raoni Metuktire e a ativista ambiental noruegueza, Greta Thunberg

Foi diferente com Nelson Mandela (1993) e, antes, Martin Luther King (1964), por quê?

Tem boi na linha, sempre tem. Paulo Moreira Leite dá a pista: no fundo do poço de intenções, está o Pré-Sal e a petroleira norueguesas Statoil, ativa participante dos leilões da Petrobras, desde o desgoverno do mordomo golpista Temer. 

O Jornal GGN faz ligeira referência ao constatar que a premiação não veio, mas vem aí o Lula Day’s: dia 27 de outubro, aniversário oficial do ex-presidente, haverá celebração em vários países europeus.

Espanha (Madrid), Portugal (Lisboa), França (Paris), Itália (Verona, Ravena e Bolonha), Alemanha (Berlim), Inglaterra (Londres), Estados Unidos (Nova York) e Bélgica já têm atos confirmados.


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