Há quem não creia em Anjos!

por Sulamita Esteliam

Há quem não creia em Anjos, pero lo harán, harán… mas que hão, hão…!

Se Euzinha não acreditasse, teria que bater na boca três vezes, como diria dona Dirce, minha finada mãe.

Pois um exército deles se materializou, ontem, quando pousei em Fortaleza, onde não vinha há quatro anos, e onde já morei na metade dos anos 90 do século passado.

Vim lançar meu livro Em Nome da Filha, o que acontece neste sábado, a partir das 14:00 horas, no Serpentina – Bar e Cultura: Heráclito Graça, 760, Centro.

Baixaram para me resgatar de um tremendo estresse, desses que você pede aos céus para parar o mundo que você quer descer.

Mal desembarquei na terra do Sol – um sol para cada um -, me dei conta de que havia deixado meu celular na cadeira do meio na aeronave.

Pedi para morrer. Imagina, na antevéspera do lançamento do seu livro, você sem comunicação. Mais: do lugar onde me hospedaria só havia gravado o nome da rua, e não sei de cor número de celular de seu ninguém, além do meu…!

Por pouco não surtei. Cheguei a pensar. “Esta cidade não me quer aqui…!”

Apelei para Damabiah, meu Anjo da Guarda, Gabriel, Senhora Desatadora dos Nós, São Longuinho… Valham-me!

Procurei a cia aérea, a administração do aeroporto, nada. Quem sabe mais tarde aparece. O que não tem remédio…

Subi para a praça de alimentação. Ligaria o portátil e pediria socorro pelas redes sociais, obviamente no privado.

Não conseguia conectar.

Resolvi beber algo para relaxar. Comer nem pensar.

E eis que, parada em frente a uma das casas, a pensar se convinha e o que beberia, ouço alguém chamar meu nome.

– Sulamita, que coisa boa te encontrar aqui!

Voltei-me na direção da voz que já me alcançava já quase ao pé do ouvido. Era Juliana, uma amiga recifense, dos tempos da Rede de Bibliotecas Populares.

Pensei, é meu Anjo corporificado.

Relatei minha aflição, ela não só me ofereceu o celular, como me levou para a mesa onde estavam se marido, sua mãe, seu pai, todos solidários. Aguardavam o embarque para o Recife e me fizeram companhia até o último momento.

Deixei recado para minha filha, que trabalha na empresa aérea e poderia acionar os canais competentes. Ela retornou o contato antes de meu pequeno exército angelical voar, e eu confiei que tudo daria certo.

Enquanto buscava caminho, um casal de senhores nos observava com atenção. Quando minha amiga e os seus se foram, um deles me abordou e ofereceu ajuda.

Contei o que havia acontecido e ele me injetou ânimo, e o companheiro também.

Minha cara devia estar naquele modelo. Se há algo que não consigo dissimular é sentimento. Alegria, raiva ou aflição, tanto faz, vem com a carga toda para o rosto e para a voz.

Fiquei por ali mais um tempinho, e decidi voltar ao setor responsável pelos bastidores da companhia aérea.

Enquanto repetia meu caso para uma funcionária, um rapaz surgiu ao fundo, sorria e acenava para mim – com o meu celular.

– Sua filha ligou. Disse que a senhora estava na praça de alimentação e que voltaria aqui, com certeza. Que bom!

– Viva! Baixou uma legião de Anjos para me garantir, obrigada a eles e a você – Euzinha disse, enquanto erguia mãos e dava três pulinhos, sob a gargalhada da dupla.

Precisava, urgentemente, tomar uma, depois comer. Voltei à praça e meus novos amigos – um recifense, outro curitibano, ambos residentes em João Pessoa – celebraram comigo.

Todos nós felizes e agradecidos, também pela luz astral refletida em meu rosto.

E assim foi…

 

 


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