Cabaré sob fogo cruzado, e a culpa é do porteiro…

Marielle Franco – Foto: CMRJ via BBC Brasil
por Sulamita Esteliam

Ai, ai, filho feio não tem pai!

Quem, afinal, mandou matar Marielle e por quê!? São duas perguntais vitais que até hoje, passados ano e meio da execução da vereadora do PSol do Rio de Janeiro e do motorista Anderson Gomes, as autoridades responsáveis não conseguem responder.

Há três presos milicianos, supostos parceiros e/ou cúmplices no assassinato, com características claras de crimes de mando. Há um suspeito citado em relatório da PGR, ninguém menos que o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brasão.

E agora, depoimentos do porteiro do condomínio onde mora o atirador, vizinho do atual presidente da República, que coloca no cenário o próprio.

Por duas vezes, o trabalhador, até agora anônimo, afirmou que um dos suspeitos, o motorista do carro que levou o executor dos tiros em Marielle e Anderson, procurou pelo morador da casa 58 e “seu Jair” autorizou a entrada, também duas vezes. Mas o visitante se dirigiu à casa 65, onde mora o acusado da execução.

Tudo isso no dia do crime.

Não seria de admirar-se que o miliciano tenha usado o nome do “Jair” para ter acesso ao condomínio, dado as ligações umbilicais da família do capiroto com a milícia fluminense, e à extensão do pântano onde se instala o laranjal.

Há contradições no depoimento do porteiro, é certo. No dia, o então deputado Jair Bolsonaro se encontrava em Brasília, o que supostamente o retira do campo de ação.

Teoricamente. A tecnologia permite que se atenda pelo celular a ligação para seu telefone fixo. O então deputado, pode ter retornado ao Rio no mesmo dia em que foi visto na Câmara dos Deputados.

Aliás, o Tijolaço fez o dever de casa e constatou que, de fato, Jair não só esteve ausente das votações do dia no plenário, como usou sua reserva aérea BSB-GIG, na mesma data.

Então… alguém está mentindo.

Teria o porteiro razões para mentir duas vezes sobre pessoas influentes sabendo o risco em que se colocava? Eis um pergunta que não quer calar.

E por que diabos, somente agora a polícia requisita os áudios e imagens da portaria do condomínio, e só agora se fala sobre a planilha que registra as visitas!? 

Outra coisa: o furor do capiroto na live em que se defende e acusa a Globo de perseguição, ameaçando caçar-lhe a concessão, é autoacusatório ou, no mínimo, atestado de totalitarismo.

E qual é o envolvimento do governador do Rio, Witzel, que diz que não disse o que o capiroto afirmou que já sabia pela boca do parceiro, ou seria comparsa!?

Por outro lado, não é de estranhar-se que, depois de bancar com estardalhaço a “descoberta” em seu principal telejornal, a TV Globo desdiz com vigor o que disse ostentando, como sempre, propriedade.

O capiroto, em passeio e namoro com o príncipe ditador nas Arábias – o mesmo que mandou matar e esquartejar o colunista saudita do Whasington Post  – chiou grosso. E ameaçou caçar a concessão pública detida pela emissora dos irmãos Marinho, ao menor deslize das obrigações legais.

É o bastante. Valentes são como vira-latas, correm ao primeiro bate-pé.

Além do que, tudo que a Globo  – mais do que outras emissoras – não faz é cumprir com a exigências constitucionais da concessão pública. O que falta aos governantes, de todos os tempos, é coragem para encarar a verdade e cobrar o que é devido.

Até gostaria de ver a coisa seguir adiante. Teria o capiroto peito suficiente para cumprir a ameaça? Taí uma atitude que seria verdadeiramente patriótica!

Desliga que o Brasil melhora!

Certo é que, tirante os efeitos colaterais, ver o cabaré pegando fogo chega a ser divertido.  A coisa vai ao ponto de um deputado do Podemos convocar para a CPI da Fake News, ora veja só, toda a cúpula global!

Tem razão Fernando Brito ao relembrar Leonel Brizola, a quem assessorou anos a fio:

“Essa briga do Bolsonaro com a Globo me parece o que o velho Brizola falava da luta entre “o Demônio e o Coisa-Ruim”, onde o Inferno sempre vencia.”

No vão das coisas que se disse, sobrou, então, para o porteiro.

Que, precisa urgente de proteção. O deputado Rogério Corrêa, do PT mineiro, requereu a inclusão dele no Provita – Programa de Proteção a Testemunhas. É indispensàvel, e que seja logo.

Primeiro, o capiroto pediu que seu carrasco de plantão convocasse o pobre para depor, o que é absolutamente ilegal. Clara intimidação de testemunha e tentativa de obstruir as investigações em curso.

Num país sério, e mesmo neste triste Brasil, é crime de responsabilidade, que pode levar ao impedimento do autor. Ocorre que Moro é Sérgio, e não é à toa. Entre o capiroto e a Globo, ele sai pela porta do lado. Chamou a PGR para assumir abriga.

E o que faz o novo procurador-Geral da República? Passa pano, e diz que não é nada disso.

As informações sobre a visita ao condomínio e as declarações do porteiro já constariam do inquérito que foi remetido à PGR – exatamente pela citação de pessoa hoje ocupante do Palácio do Planalto, o que lhe concede foro privilegiado.

Diz mais o Augusto Aras: o porteiro vai levar processo com base na Lei de Segurança Nacional.

Taí uma máxima que não falha: a tal da corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

Ou, para relembrar tempos ditatoriais, “este é uma país que vai pra frente’ – direto para o abismo infindo”, nuzinho em pelo.

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Postagem atualizada às 9:23h.

 
 
 

 


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