‘Em Nome da Filha’ em Brasília: uma noite boa para se guardar na memória, obrigada!

por Sulamita Esteliam

Rever amigos de longa data, e que você não encontra há anos, não tem preço. Você sabe que seguem amigos/as, quando percebe que se importam, aplaudem e torcem por você em sua caminhada. Mesmo ausentes, embora a presença seja uma alegria ímpar.

Claro que amigxs também puxam a orelha, ou botam o pé no freio quando você navega na contramão. Faz parte, mas essa não é a pauta desta conversa.

Sou do time que ama Brasília, e tenho razões pessoais, e também profissionais, que justificam. Aqui ganhei reconhecimento profissional, apesar do breve tempo de três anos de estada. Aqui encontrei meu companheiro de vida, e lá se vão 28 anos e que tais… Aqui nasceu minha caçula. 

Encontrei, fiz e deixei amigos nesta cidade de asas longas, devassáveis, e expansão incontrolável.

A noite de ontem, terça, 26 de novembro de 2019, foi de lançamento do Em Nome da Filha, em Brasília, no Tiborna Bar & Comedoria, na 403 Norte. A casa é um reduto da esquerda, e funciona há pouco mais de dois anos, sob a batuta de Sandra Pera e cia.

Consagrou um lema que desde sempre carrego comigo: fazer e manter amigos, sem que tenha a oferecer mais do que sua alegria de viver, seu ouvido para escutar, e seu sorriso para acolher ou celebrar, garante uma vida melhor.

Seguramente, quem desfruta desse privilégio também não morre só. Cá pra nós, é preciso ter alguém, muitos alguéns, para beber a/o defuntx e celebrar a passagem. Do contrário, a inevitável fica muito mais trevosa.

Obrigada a todos que compareceram, inclusive quem havia adquirido ou mesmo lido o livro obtido em outras circunstâncias. A presença e o abraço vale mais do que qualquer coisa.

Compreendo as ausências. Nem sempre as circunstâncias respeitam nossas escolhas. Ou não, as escolhas selecionam a agenda. É da lei.

 

A acolhida e o ambiente do Tiborna deixa a gente completamente à vontade.  Deixei alguns livros lá, caso algum frequentador se interesse.

Obrigada, Sandra Pera e seu companheiro, Ari e o sócio Paulinho, e à equipe super-atenta e gentil de atendentes, que simbolizo na garçonete Samara.

Fotos: Pedro Rocha

É preciso agradecer, sempre.

Obrigada Otto Sarkis e a rede HPlus Hotelaria pelo apoio classudo e eficaz. Tive uma semana de trabalho que me soaram como férias.

Obrigada a Rachel da Costa, sobrinha de coração, e seu companheiro Bruno, que levaram Rafael, ainda na barriga, para receber os bons fluidos da velha tia-avó torta. Foi na casa deles que os livros aportaram para o lançamento.

Obrigada a Clara Camarano, pela eficiência e presteza na Assessoria de Imprensa. Praticamente um menina que vi nascer. A mãe dela, Denise Camarano foi companheira de trabalho, e é amiga de longa data.

Obrigada, Elma Almeida, querida amiga-irmã desde os primórdios de labuta em Beagá, e também na capital federal, há duas décadas e meia. Suporte logístico e pessoal inarredáveis.

Obrigada, Pedro Rocha, pela prontidão em atender o pedido e pela generosidade das fotos. Que delícia foi reencontrá-lo, querido amigo!

É da natureza do Pedro ser solidário. Há 25 anos, a gente ainda morava em Brasília, recorremos a ele, que se dispôs a fazer as fotos da minha caçula, Babih, que ia completar seu primeiro ano de vida. Fez e se recusou a cobrar.

Euzinha e o maridão, Júlio, não nos esquecemos jamais.

Finalmente, obrigada querida parceira de letras, fazeres e sonhos, Clara Arreguy. Convidei-a para a apresentação do livro no lançamento, mas as condições de tempo e lugar não viabilizaram.

Foto: Bernardo Carvalho

Importa é que ela estava lá, e devolveu em fotos da abertura, com sua expertise em lançamentos – é autora de dezenas de livros, além de pilotar a Outubro Editora – o que não pronunciou oralmente.

Antes, já havia traduzido em letras, no Clara Arreguy, seu blogue literário, sua avaliação sobre o livro. Um texto, como é estilo da Clara, para se degustar.

Foto: Ismael dos Anjos/SP-Maio 2019

Transcrevo:

Feminicídio em romance – leitura imprecindível

por Clara Arreguy – em seu blogue literário

Nos dias em que a sociedade se mobiliza para enfrentar o gravíssimo problema do feminicídio, mais atual e necessário se faz o novo livro da jornalista e escritora Sulamita Esteliam, Em Nome da Filha (Viseu), um romance que mergulha fundo na questão.

A Sulamita repórter acompanhou, durante anos, a saga de Gercina, mãe de Mônica, na tentativa – vã – de conseguir punição para o homem que matou sua filha. Callou era militar do corpo de bombeiros e usava desse “privilégio” para se safar de todas as violências que cometia contra a mulher, Mônica. A corporação fingia puni-lo, mas ele sempre obtinha era prêmios, promoções, enquanto abusava de uma relação de controle e dominação sobre a companheira.

Gercina, a mãe, que se opunha ao relacionamento tóxico da filha, teve que assistir ao desenlace previsível nesse tipo de caso. Callou ateou fogo ao corpo de Mônica. Condenado, safou-se da pena, beneficiado por suposto bom comportamento e outras atenuantes de que se serve o machismo predominante no direito, na justiça, na sociedade.

Sulamita acompanhou, solidarizou-se, e por fim romanceou a história, de modo que temos a visão objetiva dos fatos e também uma leitura subjetiva, mas muito elucidante, das motivações de uma mulher para se submeter a uma relação tóxica e violenta como aquela. O resultado, o livro Em Nome da Filha, é uma leitura que não se larga antes da última página. Triste, sofrida, mas imprescindível.

Sulamita Esteliam é jornalista mineira que, após passagens pelo Ceará e por Brasília, radicou-se em Recife. Nesta terça (26/11) ela está na capital federal para o lançamento do livro, às 19h, no Tiborna, na 403 Norte.

 

 


2 comentários sobre “‘Em Nome da Filha’ em Brasília: uma noite boa para se guardar na memória, obrigada!

  1. Essa A Tal Mineira é pra lá de boa demais da conta!! E sua obra é ma-ra-vi-lho-sa!!!! Li em duas sentadas no avião, antes mesmo do lançamento em Brasília. A narrativa complexa e empolgante, cheia de nuances de uma relação amorosa completamente virada ao avesso, tão surpreendente que parece irreal, se não fosse uma grande reportagem que mostra o grau elevado e insuportável da violência doméstica ainda comum em pleno século 21, no Brasil.

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