Drama institucional: o que fazer com o capiroto… e coragem que é bom, cadê!?

por Sulamita Esteliam

Há quem diga que o capiroto dobrou a aposta com o pronunciamento da segunda, 23, em rede nacional. O blefe buscaria um autogolpe, ou safar-se de qualquer acusação de inépcia no futuro, quanto a economia e quanto o efeito dizimador da pandemia de Coronavírus na população brasileira.

Mais do modus operandi do chefe do desgoverno, que desdiz à tarde o que disse pela manhã, e volta a dizê-lo à noite… É o que no Nordeste se poderia chamar de “cabra safado”, que assedia deus e o mundo, mas não assume as consequências de seus próprios atos, muito menos do que fala.

Outra imagem, inafastável, é daquele cachorrinho vira-latas que late, avança e recua até fugir ganindo quando se bate o pé.

Na minha modesta opinião, o vômito presidencial é muito mais um blefe de quem não está nem aí se o rio corre para baixo ou para cima, desde que se ache em canoa segura, como diria minha finada mãe.  É birra para agradar o que lhe resta do gado.

Se não pode ser taxado de louco, no sentido estrito da palavra, pois faz tudo de caso pensado, cabe-lhe perfeitamente a pecha de irresponsável e genocida.

É preciso interditá-lo politicamente, obrigá-lo à quarentena, sem celular e sem redes sociais, proibir os asseclas-filhos de darem pitaco onde não são chamados. Criar-se um gabinete de gestão de crise, composto por membros dos três poderes da República.

Ou, o que seria o mais correto, mantido o gabinete de crise, anular a eleição presidencial que, em desgraçada hora o levou ao posto presidencial; motivos existem às carradas.

Impeachment não atende à urgência, nem ao propósito de refazer o país. E renúncia, hipótese que vem sendo cozinhada em banho-maria, precisa combinar com o principal interessado; quem vai convencê-lo?

As instituições, há tempos, andam perdidas feito cachorros caídos da mudança. Falta coragem para fazer o que precisa ser feito, estritamente dentro do que nos resta de Constituição. O diabo mora aí, na moita das indecisões e acovardamentos, tanto quanto dos interesses.

Por isso o capiroto usa e abusa de blefes, mentiras e deboches. Tipo aquele pestinha: “Ninguém me pega… rarararará!”

Até mesmo os predadores encastelados na plutocracia escravocrata vacilam, por mais que o proveito que poderiam tirar da situação ande escorrendo pelo esgoto. Estão aí a bolsa e o dólar que não me deixam mentir.

Os que escapam à regra do disfarce, arreganham os dentes, mas estão execrados tanto quanto o capiroto – velho da Harvan, Justus, Madero e o filho do dono do Girafas, que foi mandado para casa pelo pai, em vídeo público.

Ninguém em sã consciência, nem os aliados de ocasião, vai assinar embaixo de proposta de genocídio, mesmo em nome da economia. O preço da História é alto demais.

Só mesmo o gado, ou os desesperados, ou ingênuos, ou sem noção para cair nessa esparrela.  Coisa de 21%, segundo pesquisa da consultora Atlas Político divulgada pelo El País. A maioria, sete em cada dez dos entrevistados, considera que evitar mortes é mais importante que impactos econômicos. E oito em cada dez apoiam a quarentena como forma de conter o vírus.

Estão aí os números e fatos internacionais a mostrar que o corona desafia os sistemas de saúde e mata, sim, feito praga de madrinha. Está aí a Itália, onde já caem noutro plano 712 pessoas por dia, números da terça para quarta, 25. Desde o início do surto são 80.539 contaminados e mais de 8 mil mortes.

No Brasil, são 77 mortes e 2.915 casos até esta quinta-feira. Os dados são distorcidos, pois não se faz teste em massa, e a contagem só leva em conta os doentes graves, aqueles que são recebidos pelo sistema de saúde,  E este, já previu o ministro da Saúde, entra em colapso em meados de abril.

Aliás, um estudo do Cedeplar – Centro de Desenvolvimento e Planejamento da Face – Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, em conjunto com o Ipea, mostra que o sistema entra em colapso se a pandemia atingir 0,1% da população brasileira em um mês.

Tradução: não vai haver UTI e respiradores para todos os doentes, o que significa morte a granel. Daí que evitar o contágio acelerado é o melhor remédio.

Cada um nós pode, e deve, salvar vidas. Ficar em casa e ser solidário tanto quanto possível é a nossa parte nesse latifúndio da crise.

Tomar medidas protetoras para a população, tanto do ponto de vista sanitário, como econômico é papel do Estado. Governadores e prefeitos estão fazendo, cada qual, o que lhes cabe.

O Ministério da Saúde falha ao não adotar o teste em massa para garantir o isolamento dos doentes, conforme recomenda a OMS.

Ao poder central cabe garantir Renda Básica para trabalhadores formais e informais afastados pela quarentena, para os desempregados e também para a população de rua para reduzir os efeitos no bolso e na roda. Da mesma forma que tem que buscar compensações fiscais e de crédito para os micro e pequenos empreendedores, até mesmo para os médios.

Há propostas claras a respeito sendo discutidas no Congresso. A saber se o Executivo, leia-se capiroto-presidente, vai sancioná-las.

Argumenta-se que sem produção, sem trabalho, não se ganha dinheiro e sem dinheiro não se come nem se bebe nem se vive. Verdade.

Só que mortos não produzem, não compram, não comem, não se movimentam; só o fazem quando são almas penadas. Simples assim.

Para refrescar a memória daquilo que gostaríamos de esquecer, mas que não podemos nem devemos, o amigo recifense, professor Di Afonso, refaz a leitura do malfadado pronunciamento da morte feito pelo capiroto. Pedi licença para publicar aqui no blogue.

Alguns pontos do pronunciamento de Jair Messias, ‘O Louco’

por professor Di Afonso- via zap-zap

1. De início faz referência ao “resgate” dos irmãos brasileiros em Wuhan, entretanto foi largamente publicado na mídia corporativa e em sites independentes que ele mesmo fez pouco caso para trazer de volta os tais “irmãos brasileiros”, alegando dificuldades operacionais e econômicas; sem contar que negou transporte a sul-americanos  [nacionais da Bolívia, Costa Rica, Argentina, Colômbia, Panamá e Cabo Verde] que estavam na cidade chinesa, mas deu carona a poloneses. Portanto, não se iluda com o discurso humanitário subliminar que se pretendeu passar;

2. o presidente não fez esforço algum em preparar a nação para o combate ao que se tornou uma pandemia. O mais grave, além de ser contraditório, é que continua a desdenhar do real problema de saúde pública pelo qual passa o Brasil e os brasileiros, denominando a pandemia como “gripezinha” ou “resfriadinho”. As determinações do governo federal são tardias e de pouco efeito prático a esta altura do “campeonato de vida e morte” do qual participamos. Não fossem decisões enérgicas de governadores e de alguns prefeitos, a população estaria desprovida de efetivos meios de prevenção;

3. alegou preocupação com o desemprego em massa, como se já não houvesse essa chaga social no presente, mas editou uma MP que fragiliza as relações contratuais de trabalho e que levaria o trabalhador a morrer de fome, porquanto, antes da retificação da MP, registrava-se que não haveria salários por 4 meses. E fala em preservar empregos e o sustento da família;

4. cospe no prato da imprensa que ajudou a elegê-lo, desinformando a população na sanha em desconstruir Lula e o PT. A mídia agora se apresenta como porta-voz de um sentimento de revolta contra o “mito” depois que o dito-cujo começou a atacar jornalistas. Muitos deles contribuíram para a eleição de Bolsonaro por dever profissional, em função da linha editorial do meio de comunicação para o qual presta serviço, ou por má-fé, mesmo;

5. agora, apela para cientistas e pesquisadores que estão nas universidades, tidas por outro louco, o ministro da educação Abranham Weintraub – que cortou verbas para as instituições federais de ensino superior – como reduto de maconheiros e promovedores de balbúrdias. Este presidente deve ser, pelas vias institucionais, interditado! 

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Postagem revista e atualizada em 27.03 2020: correção de erro de concordância verbal logo no primeiro parágrafo ; outros erros de digitação ao longo do texto; com as minhas desculpas.


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