Universidade da Paraíba cria respirador pulmonar moderno e barato para atender demanda de Covid-19

por Sulamita Esteliam*

Vou mudar o rumo da prosa e compartilhar uma notícia boa, um alento para os nossos tempos de pandemia mal dimensionada e precariamente gerenciada, em meio às contradições e imobilidades do poder central. Prova de que a sociedade, ao menos parcela importante, se esforça para fazer sua parte na contenção da praga do século.

Antes, é preciso alertar para a estarrecedora subnotificação da Covid-19, o que torna os números oficiais história da carochinha. Algo como a dita imparcialidade da imprensa.

Os números desta terça, divulgados pelo Ministério da Saúde, dão conta de 1.532 mortes e 25. 262 diagnósticos; 1.832 novos casos e 204 óbitos a mais em 24 horas.

Está no O Globo desta terça, reproduzido pelo Tijolaço: o número de infectados, segundo estimam estudos conjuntos de universidades brasileiras, seria nove vezes maior do que tem contabilizado o Ministério da Saúde. Por seu turno, o número de mortes decorrentes seria, no mínimo, o dobro e até quatro vezes mais.

Mas tudo isso é uma bobagem imensa, “uma gripezinha de nada”! O Brasil não pode parar. Mesmo que transbordem doentes nas UTIs, que os hospitais entrem em colapso e os cemitérios enfileirem caixões à espera de abertura de covas, enquanto há espaço.

Dito isso, vamos lá!

Respirador pulmonar em com tecnologia touch screen criado pela Inova UFPB ao custo de 2,7% do mercado
Atenção senhores e senhoras investidores e empreendedores: está pronto para ser fabricado um respirador pulmonar capaz de tratar casos graves de Covid-19, com monitoramento remoto. Ou seja, o equipamento evita contágio e tem licença pronta para produção. E melhor a R$ 400 a unidade, quando o disponível no mercado é 37 vezes mais caro, ou R$ 14.800.
Significa que a universidade pública consegue produzir o equipamento gastando 2,703% do que custa o aparelho mas barato no mercado. Imagina o tamanho da balbúrdia!
A notícia está no portal da UFPB, postada na segunda-feira, 13. Postei logo cedo no Twitter.
Os interessados devem entrar em contato com a Inova – Agência UFPB de Inovação Tecnológica, responsável pelo invento, para obter a permissão. O contato é pelo email: inova@reitoria.ufpb.br/.
A patente está liberada para produção em escala empresarial. Por conta do aumento da demanda por equipamentos desta natureza, em meio à projeções de aumento vertiginoso de casos graves de síndrome respiratória, devido ao contágio pelo coronavírus.

O ventilador pulmonar desenvolvido na UFPB faz uso da tecnologia touch-screen, é equipado com sistema multibiométrico e tem conectividade wireless. Assim, é possível acessá-lo, monitorá-lo e operá-lo em tempo real, remotamente, por meio de aplicativo em dispositivos móveis como smartphones.

A Inova garante que é também de rápida montagem e programação, sendo possível operá-lo em 60 segundos. Outro detalhe é que ele não é apenas um respirador de emergência, pode ser um substituto perfeito para os aparelhos convencionais atualmente disponíveis.

Railson Ramos, Mario Ugulino, Válber Almeida, Tiago Maritan e Marcos Alves formam o time de inventores, que levaram 48 horas – pasmem! -, para criar o equipamento. Como se diz aqui no Recife, esses paraibanos tiram onda!

As primeiras imagens do respirador já circulavam nas redes sociais no dia 30 de março. Em 1º de abril, pedido de patente foi redigido. No subsequente, protocolado junto ao INPI –  Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

Todavia, produzir e comercializar o respirador pulmonar requer licença da Anvisa – Agência de Vigilância Sanitária. Da mesma forma, antes de ser posto à venda, precisa ser testado pelo Inmetro – Instituto Nacional de Netrologia, Qualidade e Tecnologia.

No entanto, Petrônio de Athayde Filho, diretor da Inova UFPB, avalia que, em face da urgência devido ao aumento de casos de Covid-19 no país, as tramitações burocráticas e testes poderão ser aceleradas.

Agora é que eu quero ver até onde vai o espírito empreendedor, a ousadia e os senso de oportunidade da brava classe produtiva tupiniquim. E o BNDES, ou o que restou dele, está aí para garantir.

* com Ascom/UFPB


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