Jornalista bom é jornalista vivo, e sem medo de fazer o que deve

por Sulamita Esteliam

A foto é a notícia, fala por si. A pichação está no tapume do Hospital das Clínica, na Av. Alfredo Balena, um dos principais corredores hospitalares de Belo Horizonte; fica no Bairro de Santa Efigênia.

Um colega clicou logo cedo. Avisou à presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Alessandra Mello, para as providências necessárias (matéria abaixo). E postou num grupo grande de colegas da categoria no zap-zap, do qual Euzinha faço parte.

Pode-se ver nas pichações, que é gente letrada o autor da pregação. Deve, portanto, conhecer as consequências de seu ato.

Talvez, o autor saiba escrever, mas lhe falte inteligência emocional; achar que pode ameaçar jornalistas e ficar impune.

Talvez, falte a ele raciocínio lógico; a ponto de crer que pode intimidar toda uma categoria profissional acostumada a, bem ou mal, lidar com poderosos e criminosos de toda sorte – para o bem e para o mal.

Sinal dos tempos talvez…

Tempos de farsa a repetir outros tempos, obscuros, nem tão longínquos assim que se apaguem da memória.

Tentaram nos acuar. Até mataram alguns de nós. Mas foram enfrentados, expostos, rechaçados. A luz e a coragem os incomoda.

A verdade e a resiliência nos serve. Cala a boca já morreu de velho, e de otário.

O despresidente da República, misto de bobo da corte e genocida, ameaça toda a nação e mata milhares com seus desmandos, as instituições repudiam, mas não movem uma palha para mudar o roteiro. Desmantela e envergonha o país em todo o mundo, e nada acontece.

O que é humilhar, até mandar calar a boca, e ameaçar jornalistas dia sim, dia também!? Dita a narrativa com suas mentiras e charadas, todo bendito ou maldito dia, pela manhã e ao fim da tarde, e também à noite no conforto do palácio governamental, pago por nosso dinheirinho. Fica tudo por isso mesmo.

Não tem coragem nem respaldo para encarar os patrões dos coleguinhas, e os usa como bucha de canhão. Destarte, estimula sua tropa, seu gado, sua milícia a transformá-los, e a todos nós que buscamos, de um jeito ou de outro, exercer nosso papel profissional, como alvos.

E os coleguinhas seguem cobrindo o cercadinho à entrada e saída do Planalto, como cães de guarda, obrigados que são pelos patrões.

Afinal é o presidente da República, e não ousam ter a decência de deixá-lo falando sozinho, e oferecer contraponto à narrativa que ele busca dominar. Na verdade, dão a vida, a democracia e até a morte coletiva para garantir verbas publicitárias e o patrimônio familiar.

E daí…!?

Ora, direis, é parte do jogo. E os peões são jogados da torre ao fosso para servir de comida aos jacarés, já que os crocodilos estão de dentes quebrados.

Transcrevo a matéria-denúncia do sítio oficial do SJPMG, Jornalistas de Minas:

Polícia Civil vai investigar pichações que pregam morte de jornalistas

Representantes do  Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) e da Casa do Jornalista se reuniram  na tarde hoje com o delegado Wagner Salles, chefe do primeiro departamento de Polícia Civil de Belo Horizonte,  para pedir a abertura de um inquérito para apurar o autor das pichações pregando a morte de jornalistas. Um tapume do Hospital das Clínicas, na região hospitalar de Belo Horizonte, foi pichado nessa madrugada com palavras de ódio contra os jornalistas.

“Colabore com a limpeza do Brasil matando um jornalista todo dia”, diz uma das frases escritas ao longo do tapume que cerca uma barraca aonde é feita a triagem de pessoas suspeitas de contaminação pelo Covid-19.  Os pichos não permaneceram visíveis por muito tempo.  Eles foram cobertos por cartazes em defesa dos jornalistas e do jornalismo produzidos pelo SJPMG.   Logo após, eles foram retirados pelo Hospital das Clínicas e os tapumes foram pintados novamente.  De acordo com a assessoria do hospital, a chuva do começo da tarde danificou os cartazes e o hospital teve que pintar rapidamente para que os pichos não ficassem visíveis

O delegado que investiga o caso disse que todos os esforços serão empreendidos para tentar apurar o responsável pelas pichações que, segundo ele, atinge toda uma classe de trabalhadores e “também a democracia”.  De acordo com Salles, serão requisitadas imagens das câmeras de segurança da região na tentativa de identificar quem  está pregando a violência contra os jornalistas.

Assim que que tomou conhecimento das pichações, a presidente do SJPMG esteve no local para registrar as pichações e tentar localizar imagens das câmeras de segurança. Em frente ao local, existem câmeras instaladas em um comércio local. Segundo  o gerente, cujo nome vai ser preservado por questões de segurança, as imagens ficam guardadas por dez dias e podem se requisitadas pela Polícia ou pela Justiça. Todas essas informações foram repassadas à Policia Civil.

O sindicato também conversou com o procurador  Edson Ribeiro Baeta , que se colocou à disposição da entidade para acompanhar as apurações sobre mais esse ato de violência com os jornalistas.  Cópia das imagens  e do Boletim de Ocorrência serão encaminhadas à instituição.

“Não é a primeira vez que pichações ameaçam de morte jornalistas mineiros.  Durante a ditadura,  a sede do sindicato foi invadida e as paredes pichadas  com frases de ódio e incitação de crimes contra jornalistas.  Nessa toada, não será a ultima vez que isso acontece e , como sempre, não ficaremos calados e não seremos intimidados.  A liberdade de imprensa, o direito à informação são garantias universais  e vamos sempre lutar por isso, em defesa da nossa profissão e da democracia”, afirmou a presidenta do sindicato.

Ao longo do dia, os jornalistas receberam manifestações de apoio e solidariedade de diversas entidades, movimentos sociais e organizações não governamentais.

A escalada da violência contra jornalistas tem tomado uma proporção assustadora desde que os governos estaduais e municipais determinaram medidas de confinamento. Desde que foi decretado o confinamento na capital mineira,  esse é o quarto caso de tentativa de intimidação do trabalho dos jornalistas. Repórteres de diversos órgãos de comunicação têm sido vítimas de tentativas de intimidação e ameaças durante a cobertura da pandemia.  Todos os casos serão levados ao conhecimento das autoridades para que as agressões sejam coibidas.

Basta de violência contra jornalistas!

#jornalistasdeminas

#bastadeviolencia

#soujornalistenaomecalo

14/05/2020

 


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