Hora de cair na real, e não deixar prevalecer a escuridão. A memória é nosso guia, traduz Bob Fernandes

por Sulamita Esteliam

Estou de volta depois de longa ausência.  Justifico: fui pega no contrapé por uma virose daquelas, que não me permitiu encarar a tela de um computador, tamanha a dor nos olhos e na cabeça. E não era enxaqueca, que conheço bem.

Não, nada de Covid-19, também, acho. A nuca enrijeceu. A cabeça tornou-se ninho de maribondos, e doía, e doía… O olhos repuxavam, parecendo sugados por um aspirador.  Tosse, tosse. Coriza, coriza, sina de alérgica. Nada de febre ou náusea. Diarreia, sim, mas não tenho mais vesícula, então…

E aí, fazer o quê? Os testes nos aplicativos de monitoramento do Covid-19 me deixam fora da curva. Pronto, tenho uma virose não identificada e a recomendação é ficar em casa. Fiquei, e me automediquei.

Para além das impossibilidades, a vontade se quedou paralisada – nada, nada, nada, nada….

Quinta-feira ressuscitei. Acordei bem, sem dor, nem rechaço. Faxinei a casa, cozinhei. Comi bem – como, aliás, em todos os dias anteriores; em nenhum momento perdi apetite e paladar.

Não, já disse, não é efeito corona. Mas como seria, se tenho estado em casa desde 17 de março desde ano de meu Deus, sem receber praticamente seu ninguém que não o entregador de água, correspondência e encomenda!?  Desde então, escapei apenas três vezes, com intervalos de duas semanas ou mais. Não fui além de um quilômetro da minha casa, por necessidade e vontade inarredáveis.

Sei o que está pensando: o contágio como na gravidez, não requer mais do que uma vez. Desculpe-me, mas foi irresistível.

Fato é, que aqui estou, tricotando em estágio de carência.

Havia colocado para mim o tempo para escrever uma crônica que vai integrar uma antologia pernambucana sobre a quarentena. O título: 40 Crônicas de Quarentena, organizado pela Ana Maria Albuquerque, produtora cultural. Escrevi, a dois dias do dead line/prazo final. Não poderia furar.

Quem me sondou e apresentou ao grupo foi a amiga Márcia Maracajá, professora, poeta, performer, escritora com uma boa pegada literária feminista. Fui aceita, acolhida, e isso em terras pernambucanas, assim como nas Gerais, é quase orgástico. E sou grata.

Bom, acompanhei pelas redes o avanço do pandemônio que se abate sobre nós, e até palpitei.  Aquela reunião histórica, por inacreditável e inqualificável, creio, sinaliza o começo do fim.

Há limite para tudo. Hora há em que a casa vem abaixo. Entramos em contagem regressiva, quero acreditar. Ou não haverá mais razão de ser o Brasil, transmutado em cabaré de quinta, faz tempo – com o perdão de quem tem que ganhar a vida no fudurço.

Até as areias, ora preservadas, da Praia de Boa Viagem, interditada para nós, os amantes do flanar na arrebentação, sabem que já deu. Basta!

Mas há que tomar atitude, pois que,no vai do rame-rame, o fundo do precipício inexiste. Hora de cair na real, de não deixar prevalecer a escuridão. A memória há de ser o nosso guia.

Fico por aqui. O maridão me espera com uma gelada e o baralho em ponto de bala. Ninguém é de ferro, muito menos xs velhinhxs de plantão.

Por necessidade e vontade, compartilho o vídeo do  canal BF –  Bob Fernandes no Youtube.

Repito aqui o que escrevi no compartilhamento no Facebook. Bob… “impecável e com toda firmeza, simplicidade e elegância: no coração e no fígado, sem perder a ternura. Os fatos como eles são. Como eu amo este cara, e há quase 30 anos, qdo tive a chance do acolhimento por ele em Brasília. Memória profissional e afetiva, que carrego comigo. Obrigada pela coerência.”

Para atiçar a memória do de onde viemos e acender o alerta do para onde vamos!? Aí está o Dicionário da Escuridão à Beira do Abismo – A Caminhada para o fascismo.  Não fosse Euzinha seguidora do moço, recomendado, dentre outros, pela parceira das Gerais, Beth Fleury, via Messenge. Sou grata.

 

 

 

 

 

 

 


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