O não de Lula incomoda a quem tenta negá-lo, como se fosse possível!

Lula, cidadão de París, onde esteve no giro que fez pela Europa em fevereiro deste ano – Foto: Ricardo Stuckert
por Sulamita Esteliam

Aniversário de um ano da Vazajato e até hoje o STF mantém na gaveta o julgamento da suspeição de Sérgio Moro, ex-inquisidor de Curitiba e ex-ministro da Justiça do capiroto que ajudou a eleger com perseguição política e mentiras.

O Instituto Lula lembra as dúvidas manifestas no Telegram pelo procurador-chefe da Lavajato, Deltan Dallangnol, sobre o envolvimento do ex-presidente no caso do Triplex do Guarujá.

Um ano e meio de desgoverno, e só agora o TSE inicia o julgamento de dois pedidos de cassação da chapa que desgoverna o Brasil. E que chegou aonde chegou com mentiras gestadas em sua campanha contra o principal adversário, Fernando Haddad, do PT, manipulação ilegal de informação e financiamento empresarial, o que é irregular.

A colunista Hildegard Angel, no Twitter, dá um exemplo de prova de atividade ilegal já em setembro de 2018:

O julgamento da ações, uma movida pela coligação Rede/PV, pela então candidata Marina Silva, diz respeito, exatamente a este hackeamento do grupo de mulheres no Facebook, com mais de 2 milhões de seguidoras. A outra é investida da coligação Psol/PCB e do então candidato Guilherme Boulos.

É inexplicável como a esperança anda de cágado neste país. Não bastasse o tempo para ir à pauta, o julgamento foi suspenso por pedido de vistas do estreante Alexandre Moraes. O ministro Edson Fachin havia levado para casa a ação, que  também tem Eduardo Bolsonaro como réu; isso em novembro do ano passado.

Outros seis processos aguardam julgamento, quatro deles relativo à contratação de disparo em massa no WhatsApp durante a campanha presidencial, o que não é permitido por lei. Outra diz respeito a instalação de outdoors.

Tudo isso sabido à exaustão pela mídia venal e políticos de plantão, que ajudaram a potencializar a consolidação do golpe, que, é preciso repetir, derrubou a presidenta Dilma com um impeachment fraudulento, perseguiu Lula e família e o prendeu para impedi-lo de disputar as eleições nas quais era o favorito com larga vantagem.

E agora é essa gente que quer um pacto para derrubar o psicopata que eles elegeram, sabendo bem de quem se tratava.  É chamado de pacto, mas na verdade é um cheque em branco, onde não cabem as soluções que a democracia precisa para ser justa, uma projeto de Brasil para a maioria do seu povo.

Lula diz não e, mais uma vez, está sendo bombardeado por sua coragem em dizer a verdade. Aonde estavam os que agora assinam manifestos em nome do futuro do Brasil que se empenharam em sequestrar, para varrer Lula, Dilma e o PT do mapa?

O dublê de coronel e macho-alfa, Ciro Gomes, tem o desplante de apontar o dedo para “o traidor” que se recusa ao pacto. Logo ele, que, terceiro colocado no primeiro turno, como em todas as eleições de que participou, fugiu para Paris por pura covardia e egoísmo, ao invés de apoiar quem se habilitou a enfrentar o capiroto no segundo turno.

Hoje, num dos vários grupos de que participo, de jornalistas, houve bom debate sobre a recusa do ex-presidente em conceder entrevista ao jornal O Globo, que acena com uma série que teria no centro ex-presidentes do período da redemocratização.

O tom era de crítica, “um erro” que poderia inviabilizar o pacto nacional para nos livrar do capiroto. Aí entrei contrapondo, em nome da memória. Reproduzo com algumas correções e acréscimos necessários:

As organizações Globo devem ao Lula. E não estão acima do bem e do mal. É questão de brio.

Lula presidente cedeu ao apelo e, num gesto de boa vontade, aceitou o convite para dar entrevista na bancada do Jornal Nacional. Foi massacrado pelos críticos e de nada adiantou o gesto. Foram para cima do governo dele, da sucessora, da família dele, até ele ser preso – sem crime e sem prova. 

Durante a prisão, escondeu o movimento Lula Livre, assim como escondeu as tentativas de resistência ao golpe contra Dilma. Depois de solto, só abriu espaço no noticiário para falar mal dele e do PT. E agora quer posar de democrata, de prócer do jornalismo!? Vão se lascar!

Tive algumas contestações, já esperadas. Houve até quem repetisse a inverdade do suposto “apagão de Lula”. Ora, estamos em quarentena, ele andou pela Europa em meio à pandemia, se recolheu em casa. Lula tem 74 anos, é do grupo de risco, portanto.

Lula só não está na mídia comercial, porque querem e precisam desaparecer com ele. Mas está na internet todos os dias, em entrevistas inclusive internacionais, livres, reuniões de toda sorte.  Ontem mesmo, deu entrevista ao jornal Metrópole, de Brasília, e na quarta participa de live com o ex-deputado Jean Wyllys, asilado voluntário para salvar a própria vida.

No entanto, para minha alegria, sólidos contra-argumentos na mesma direção que trilho: coerência, força popular, respeito internacional. Quem no Brasil é mais agregador do que Lula? Quem tem a sua relevância política?

Em carta ao colunista Bernardo de Mello Franco, Lula explica o porquê da negativa – reproduzo abaixo.

Sigo o Bernardo no Twitter, porque o considero um profissional de boa cepa, com certo nível de independência frente a linha editorial do veículo onde trabalha. Fiquei curiosa para saber se havia publicado a carta. Lamentavelmente, não. Se o fez, não replicou no Twitter, ainda. Mas tem lá uma observação interessante sobre a tal chamada geral para o pacto:

A íntegra da carta de Lula ao jornalista de O Globo:

Prezado Bernardo,

Agradeço o convite para uma entrevista para o jornal O Globo em uma série sobre ex-presidentes da República. Seu convite destoa da censura imposta pelas Organizações Globo. Não confundo as organizações com as diferentes condutas profissionais de cada um dos seus jornalistas.

O que me impede de atendê-lo é o notório tratamento editorial que as Organizações Globo adotam em relação a mim, meu governo e aos processos judiciais ilegais e arbitrários de que fui alvo, que têm raízes em inverdades divulgadas pelos veículos da Globo e jamais corrigidas, apesar dos fatos e das evidências nítidas, reconhecidas por juristas no Brasil e no exterior.

As próprias sentenças tão celebradas pela Globo são incapazes de apontar que ato errado eu teria cometido no exercício da presidência da República. Fui condenado por ‘atos indeterminados’.

Ao invés de ser analisada com isenção jornalística, a perseguição judicial contra mim foi premiada pelo O Globo. As revelações do site The Intercept foram censuradas, escondendo as provas de que fui julgado por um juiz parcial, em conluio com os promotores, que sabiam da fragilidade e falta de provas da sua acusação.

Enquanto não for reconhecido e corrigido o tratamento editorial difamatório das Organizações Globo não será possível acolher um pedido de entrevista como parte de uma normalidade que não existe, pelos parâmetros do jornalismo e da democracia.

Luiz Inácio Lula da Silva”

Fecho com o vídeo da entrevista de Lula ao Metrópole:

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Postagem revista e atualizada para correção dedde informações: idade de Lula, número de seguidores do grupo de mulheres atacado virtualmente na campanha eleitoral; e erros de digitação e gramática.

 

 

 


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