Nos limites do confinamento, o olhar escapa para o entorno…

Micrografia eletrônica de varredura colorida (roxa) de célula fortemente infectada pelo SARS-CoV2 – Foto: NIAID
por Sulamita Esteliam

O boletim diário da Secretaria de Saúde de Pernambuco assegura que, desde o dia 7, o Estado zerou a fila de espera por vaga na UTI para os casos de Srag – Síndrome Respiratória Aguada Grave na rede pública de saúde.

Significa que se alguém adoece gravemente por Covid-19 a Central de Regulação de Leitos disponibiliza vaga imediatamente. E isso é bom, particularmente considerando que há três semanas, a taxa de ocupação de leitos para os casos graves estava no limite, 97%.

Não significa, porém, que o pernambucano, mesmo no Recife, possa saracotear por aí. A ordem de ficar em casa segue como fundamental para preservar a vida – a minha, a sua, a do vizinho do lado e da esquina.

Relaxar não é atitude do momento, ainda que o próprio governo tenha liberado parte do comércio, tráfego e transeuntes da rigidez dos últimos 16 dias de maio, desde o primeiro dia de junho. Garante que, o índice de contágio abaixo de 1, há uma semana do início da distensão, dá segurança para flexibilizar gradualmente.

Tomara que não dê chabu. Em Beagá, minha macondo de origem, o fim de semana foi de terror nos hospitais, com a ocupação de leitos de UTI beirando os 100%, mesmo nos particulares.  Ainda que muito longe dos índices catastróficos de morte em São Paulo, Rio e sobretudo, no Norte do País.

Coincidentemente, ou não, o relaxamento para as atividades comerciais, está em curso há uma semana, quando a disponibilidade de leitos era tranquila. Acontece que, no restante das Minas Gerais a situação inversa, o Covid-19 avança para o interior do estado, acaba replicando na capital.

No entanto, não se pode esquecer que de vidas se trata. E as perdas no Brasil já beiram 40 mil vidas: 39.680 histórias perdidas, segundo o Conass – Conselho Nacional de Secretários de Saúde e o próprio Ministério da Saúde; 39.797, de acordo com o Consórcio de Veículos de Imprensa, que se formou a partir da ameaça de maquiagem e do retardo real da informação de dados elo poder central.

É preciso dizer que a discrepância nos números, embora o consórcio e o MS se abasteça com os informes das secretarias estaduais de Sáude, talvez se explique pelo horário da tabulação: 18 horas, no caso do Ministério da Saúde e 20 horas, no consórcio de imprensa.

Somente nesta quarta-feira, são 1274 mortes (somados os óbitos do dia com os anteriores confirmados nesta data) pelos dados oficiais; 1300 é o número informado pelo consórcio de imprensa. Em Pernambuco, morreram 3.531 pessoas, 78 das quais apuradas neste 10 de maio, do total de 41.925 infectadas, dos quais 925 novos casos nesta data.

No Recife, da janela do meu 86ª de confinamento, limito-me a observar o aumento do vai-vem de gente, apesar da chuva que lava as ruas da cidade, mas principalmente de veículos no pequeno trecho de uma quadra que encerra meu endereço.

O centro espírita ainda não voltou à ativa, regularmente. Não há reuniões nem palestras, nem escola infantil de evangelização. A biblioteca segue fechada. Só o recebimento e entrega de cestas básicas não parou, e nem poderia. Há gente que depende dessa obra para comer e seguir vivendo como Deus é servido.

O parque esportivo público também segue fechado, só abre nos dias de distribuição da cesta básica da Prefeitura às famílias com crianças no ensino infantil. Mas o lava-jato da esquina contrária voltou à toda e as empresas de segurança, três no quarteirão, retomaram o trabalho presencial.

Nos espigões que cercam meu pequeno prédio, o abre e fecha dos portões eletrônicos não me deixa mais dormir a partir das seis da matina e seguem em atividade até mais tarde. No prédio ao lado, o barulho de lixadeiras e o vozerio dos trabalhadores indicam que as obras de recuperação voltaram.

O movimento que constato no meu entorno, o maridão já havia captado já há alguns dias, na rua, nas vezes em que é inevitável sair.  E ele impôs a si essa tarefa. Muito carro e gente, a maioria de máscara.

Os números da Prefeitura do Recife não deixam dúvida: o isolamento social que chegou a 75% durante o chamado lockdow, caiu para 40% no primeiro dia de funcionamento do comércio, mesmo que parcial.

E Euzinha, aqui, doidinha para voltar ao por os pés na rua. Todavia a prudência diz que é melhor seguir em isolamento, ao menos até vislumbrar condições menos inseguras.

O limite é a abertura do meu quintal.

Estou roxa de saudades do mar, de caminhar na praia, de perder o olhar no infinito onde o verde da água se funde com o azul do céu e nos dá a certeza de que a Terra, definitivamente, não é plana. #FiqueEmCasaSePuder

A propósito, o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, gravou novo vídeo apelando à população que siga no cuidado, para evitar novo avanço da doença. a divulgação, estranhamente, não está nas páginas da prefeitura. Apenas o G1 PE disponibiliza o vídeo em seu noticiário. Clique para ver.

 

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