‘Na dúvida, ouse’: a história de um novo jeito de fazer Jornalismo em Minas. Apoie!

por Sulamita Esteliam

Com sua licença, mas hoje valho-me do espaço para puxar sardinha para minha, na verdade nossa, brasa. É que está lançada a campanha de financiamento coletivo, no Catarse, do livro que conta a história de um novo jeito de fazer Jornalismo nas Minas Gerais: o jornal Hoje em Dia, sediado na capital do estado, a minha Macondo de origem.

Clique para acessar a plataforma Catarse, saber mais e, se puder e quiser, apoiar a campanha. As recompensas são tentadoras.

Deu-se a partir de fevereiro de 1988, e esta velha escriba é parte dessa história. Esteve na fase de projeto até 1991, e integra a equipe de 15 escritores do livro sobre o jornal que nasceu carregando a bandeira da ousadia: colorido, irreverente e atento, sem perder o compromisso com a informação de qualidade.

Na primavera do mesmo ano, porém, por razões de mercado que se configuraram estética, se travestiu de elegância e sobriedade para vender profissionalismo. Sob outras configurações, seguiu fazendo juz à expressão-lema que inspirou sua criação: “Na Dúvida, Ouse!”

O criador, grande Wander Piroli, jornalista e escritor, faz tempo é encantado. Particular e profissionalmente, faço a ele minhas reverências. Era como se nos emprestasse a criatividade. Delegava, confiava e aplaudia.

Foi o grande estimulador da equipe pioneira, que liderou com sorriso cativante e baforadas homéricas em seu indefectível cachimbo – com o auxílio luxuoso de profissionais experientes e uma juventude interessada, louca para por a mão na massa.

O dia a dia era tocado por coordenadores exigentes e competentes, mas não arrogantes nem sisudos; sabiam manter a equipe produtiva, coesa e feliz.

Cada edição era celebrada como um tesouro recém-descoberto.

Do ponto de vista estrutural, o começo driblava problemas de toda sorte, mas a endorfina de estar fazendo história movia a todos nós.

Há quem prefira a fase seguinte, mais estruturada, informatizada, moderna, padrão excelência no conteúdo e na forma. É verdade.

Mas o alicerce humano, intelectual, o amor por reportar, criar e editar, o compromisso de informar corretamente e melhor continuou sendo a grande diferença.

Fazíamos acontecer.  Os obstáculos ficavam pelo caminho, até que se tornasse inviável ultrapassá-los.+

Esse capital humano foi sendo corroído por enfrentamentos profissionais e trabalhistas, dispensáveis mas inevitáveis. Era alto nível de exigência e, não raro, da intolerância sob a capa profissional.

Sempre haverá quem discorde dessa assertiva. Todavia, caras e caros, asseguro que vi e vivi com intensidade. Chegou a hora em que o mais sensato foi pegar o boné e usar a serventia da casa.

A correlação de forças desequilibrava-se com perseguições e passaralhos a granel. Nada diferente do que sempre se viu, e ainda se vê por aí.

Não obstante, e também por tudo que vivemos,1988, 1989 e 1990, sobretudo,foram anos pródigos. Não sabíamos, mas praticávamos o verbo esperançar de que nos fala Paulo Freire, mesmo quando o horizonte se fechava.

Vivíamos sob a Constituinte, que carregou a expectativa de eleições diretas para a Presidência da República, após 21 anos de ditadura civil-militar e cinco anos de governo de transição, a chamada Nova República. Minha geração votou pela primeira vez para eleger um presidente.

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