Debandada na Lava Jato inicia faxina no sistema de Justiça

por Sulamita Esteliam

Esta quinta passei boa parte do dia na faxina. Minha casa estava chorando por uma limpeza digna do nome. E meu corpo e cabeça, também. Faxinar é um santo exorcismo de demônios.

E por falar em faxina e demônios, parece que jogaram sal grosso na Força Tarefa da Lava Jato. De Curitiba a São Paulo, é muita gente limpando o beco.

A saída de cena de Deltan Dallangnol, alegando questão familiar, foi seguida pela demissão coletiva de oito procuradores que atuavam em São Paulo pela Força Tarefa.

Vade retro!

Não se sabe o que os motiva, de verdade, muito menos o que inspira o exorcista-chefe da PGR – Procuradoria Geral da República: se é retomar o controle da situação para recolocar o modus operandi do MPF nos trilhos, se é para satisfazer os interesses do capiroto-presidente.

Seja o que for, nada parece o que é quando se lida com gente dissimulada, de múltiplos tentáculos – busquei nos alfarrábios a charge perfeita do genial Aroeira – mesmo quando parece desmoralizada, como de fato está.

Parece mais atitude de gente que considera missão cumprida e sai de fininho, antes que a tempestade que criaram desabe de vez sobre as próprias cabeças.

A ver…

No Brasil de Fato, o repórter Erick Gomes ouviu o promotor Gustavo Roberto Costa, fundador do Coletivo Transforma MP e membro da ABJD – Associação de Jurista pela Democracia. A seu ver, “a debandada dos procuradores em São Paulo é mais um sinal de que a operação cumpriu seus objetivos políticos”.

Transcrevo a matéria, porque a análise é interessante, a noite esbarra na virada, e já estou no limite:

Debandada da Lava Jato indica que objetivos políticos foram cumpridos, diz jurista

Pedido de saída de oito procuradores expõe enfraquecimento da operação, que pode ser anulada, segundo o Transforma MP
Pressionado no cargo, Deltan Dallagnol deixou a Lava Jato – José Cruz | Agência Brasil
por Erick Gimenes – no Brasil de Fato

A debandada de procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo é mais um sinal de que a operação cumpriu com seus objetivos políticos, segundo o fundador do Coletivo Transforma MP, o promotor Gustavo Roberto Costa, membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).

O pedido para sair de oito procuradores paulistas, na quarta-feira (2), deu-se um dia após a figura mais midiática da operação, Deltan Dallagnol, pedir para deixar a coordenação da força-tarefa em Curitiba.

Dallagnol estava pressionado no cargo e alegou problemas familiares. Para Costa, a tensão foi causada por setores do próprio MP e do meio político que se desinteressaram pelo trabalho “anticorrupção”.

“Cada vez mais a gente vê que essa ‘instituição’ Lava Jato, essa marca, se mostra como uma força-tarefa que tinha fins políticos muito específicos. Quando esses objetivos foram atingidos, com aquela bandeira de combate à corrupção, a Lava Jato passou a não ser mais interessante e passou a sofrer ataques dos órgãos de administração superior do Ministério Público, da classe política e até mesmo da mídia”, afirma o jurista.

Costa diz acreditar que a saída dos principais procuradores indica o fim das forças-tarefa, ao menos como eram antes estruturadas. “A tendência é que ela não exista mais como força-tarefa, o que também sempre foi muito discutível, se é possível juridicamente”, pontua.

Para o fundador do Transforma MP, caso a Lava Jato realmente definhe, é provável que todas as ações anteriores encabeçadas pelas forças-tarefa sejam anuladas na Justiça.

“Eu vejo uma chance imensa de tudo isso ser anulado, invalidado judicialmente. Temos indícios fortíssimos de nulidade processual, de atuações contra a lei, tratados internacionais, de quebra de imparcialidade judicial e do próprio Ministério Público, que deve ser um órgão imparcial”, avalia.

O promotor questiona por qual motivo a Lava Jato deixou de ser interessante para quem antes era. “A pergunta que eu faço é: por que cinco, seis anos atrás interessou que elas [as forças-tarefas] existissem, com o barulho que foi feito, com o show midiático que foi feito, e agora não interessa mais? Porque ninguém vai dizer para a gente que a corrupção acabou, que eles fizeram tudo o que tinham que fazer. Ninguém vai ser louco de dizer isso.”

A ofensiva contra a Lava Jato parte, principalmente, do procurador-geral da República, Augusto Aras. Foi ele que promoveu as mudanças internas na operação e enfraqueceu as principais figuras, principalmente Dallagnol.

De acordo com Gustavo Costa, a divergência de postura de Aras e de seus antecessores, Raquel Dodge e Ricardo Janot, causa questionamentos. Ele afirma que não é possível dizer a quais interesses o atual PGR atende, mas avalia ser razoável que a operação seja questionada.

“Alguns anos atrás, tínhamos uma Procuradoria-Geral da República absolutamente alinhada com a Lava Jato. Tudo o que vinha do MP do Paraná era aceito pela PGR de forma acrítica, automática. Agora, temos um procurador-geral que questiona esses métodos. Não sei o que o move a agir dessa forma. Se antes era tudo certo e agora era tudo errado, a gente precisa questionar. Por que antes a PGR era totalmente favorável à Lava Jato e agora ela é totalmente contrária?”.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

 

Um comentário

  1. Parabéns para “A Tal Mineira” pelos seus dez anos de vida política, literária e por que não diversão? A informação fidedigna, com a qualidade e competência da mineirinha Sulamita. Que A Tal Mineira nos presenteie com mais décadas de existência. 👏👏👏

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