O PT como opção, e as dores de cotovelo…

por Sulamita Esteliam

Antes de tudo, devo explicar que a ausência se deve a motivos técnicos: o portátil baixou à enfermaria. Sorte é que Euzinha tinha feito backup recentemente, porque o HD simplesmente morreu.

Bom, entre perdas e danos, salvamos o possível e cá estamos de volta. Tinha programado escrever algo sobre as eleições municipais, que acontecem no domingo, 15, feriado da República.

Mas hoje topei com o artigo do colega blogueiro Arnobio Rocha, cearense de Bela Cruz, radicado na capital paulista, advogado, escritor e um arguto analista político e de conjuntura.

Então, compartilho, até para reduzir o estresse do meu dia, e compensar o tempo perdido.

Nem preciso dizer que concordo em gênero, número e grau com o que ele escreve. Até brinquei com o autor no Twitter: “como se diz lá nas Minas Gerais, tirou daqui! Com ou sem dores de cotovelo…”

Assim, só para não deixar qualquer margem a dúvidas: dia 15, voto 13.

E aqui no Recife fecho com as mulheres: Marília para prefeita, Liana Cirne para vereadora-13100.

As razões do voto no PT

O PT e seus desafios numa conjuntura de retrocesso – Foto: Arnobio Rocha blog

por Arnóbio Rochaem seu blog

“Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!”
(Poeminha do Contra – Mario Quintana)

O país virou à Direita, isso é fato.

As eleições de 2018, ratificaram 2014, no legislativo cada vez pior, tendo destroçado PSDB e MDB, surgindo forças a e figuras declaradamente fascistas. Elas confirmam os ventos das jornadas de junho de 2013, que foram capturadas pela Direita, tomando a primazia da Esquerda, das ruas e, principalmente, no novo palco de embate: as redes sociais.

A opção pela extrema-direita foi uma resposta ao fracasso das forças conservadoras de centro-direita tradicionais de vencer nas urnas a Esquerda e centro-esquerda.

Foi também um alerta para as forças progressistas de que o modo tradicional de fazer política se esgotou, A democracia formal, representativa baseada no voto, nos acordos e nas campanhas milionárias chegou ao seu limite. Somos vistos com desconfiança pela falta de transparência e loteamento de cargos, troca de favores, ainda que em nome da governabilidade e de políticas sociais efetivas.

Os ventos de 2020 parecem outros, a derrota de Trump é um grande sinal dessa correção de rumos, o fracasso político e econômico do governo Bolsonaro é outro alento e se percebe claramente que há uma reversão de expectativas no horizonte, as eleições municipais trazem elementos importantes para uma reflexão, principalmente na escolha dos candidatos.

Olhando para os números da Economia, os imensos retrocessos sociais, especialmente o desemprego e a uberização, o desmonte da Educação, o atendimento básico de Saúde, o fim dos projetos de inclusão, como Minha Casa, Minha Vida. As mudanças catastróficas na Constituição para acabar com os direitos trabalhistas, a previdência, tudo isso desde a queda do Governo Dilma, em abril de 2016.

O Golpe continuado através do impeachment (sem crime de responsabilidade), a imposição de uma agenda contra os trabalhadores e o povo em geral, iniciada por Temer, e depois apropriada por Guedes, o czar da economia do governo fake de Bolsonaro, esse eleito no maior estelionato eleitoral da história, baseado numa ampla corrente de notícias falsas e com a conivência da grande mídia.

Assim, a narrativa, se virou contra o PT, o destampar desse processo veio com as tais jornadas de junho de 2013. Uma engenhosa máquina de destruição montada na época, e só 2018 venceu de ponta a ponta. Claro que não destruiu o PT, nem a esquerda, mas o fez recuar e voltar aos anos de 1980, o retrocesso foi amplo nas lutas e nas conquistas sociais.

Claro que essa recomposição dos setores democráticos e populares, está sujeita aos questionamentos sobre a hegemonia política do PT, nessas últimas décadas. O debate deve ser franco, sem desqualificações prévias, mas sem desprezar o quanto de acúmulo e de identidade que o PT, em especial, tem na sociedade, em particular nas camadas mais organizadas e populares do país.

O que não se pode esquecer é o quanto se avançou, mas também o que se cobra, pois, parte da esquerda majoritária (PT e PC do B) entrou na máquina do velho estado e assumiu o ônus, pesado, de dirigi-lo, tendo que fazer os acordos mais esdrúxulos para levar adiante esse objetivo. Inclusive, hoje, sabemos da fragilidade dessa governabilidade conseguida a fórceps, com práticas pouco “republicanas”.

Além de desgastar e desacreditar boa parte de suas lideranças se tornou alvo preferencial da sanha persecutória desse processo de judicialização da política.

Também cumpre lembrar que parte da esquerda, que rompeu com o PT, enveredou pelo caminho do ultraliberalismo e/ou pelo moralismo típico das classes médias, reforçando o repúdio, junto aos trabalhadores, da Política e da Democracia, fazendo-os esquecer que, sem elas, não chegaremos a lugar algum, pois as condições de luta e resistência são sempre piores sob Ditaduras abertas ou disfarçadas.

A reconstrução da Direção Política passa fundamentalmente pelo PT, o que tem de força histórica e simbolismo, não pode simplesmente ser subestimado. A Hegemonia que exerce não é fruto do acaso, mas de um longo trabalho, de um reconhecimento social, político, portanto não é dizer, abram mão de tudo e deixe para outros, para que esses, sem esforços, supere o PT, como se fosse mero exercício teórico.

A discussão está só começando, muita gente já com pressa de chegar ao fim. Muita calma nessa hora. O PT é a organização política mais relevante da história do Brasil.

É uma marca, um símbolo, uma construção que veio de baixo, que nasceu de momento único na história. Sua importância é tão grande que serve de paradigma à Direita e à Esquerda, que, ao não conseguir superá-lo, exigem que ele mude de acordo com às suas réguas, políticas, morais ou éticas.

Parece ser impossível a qualquer dos lado não querer pautar o PT. Mas por quê?

A luta política impõe o embate diário, nem sempre amistoso, muitas vezes sectário, mas é na dinâmica política e no enfrentamento que se cresce ou, por vezes, não se estabelece. A exigência de que o PT deve se submeter à lógica das demais correntes, na esquerda em especial, revela uma incapacidade política delas de o suplantar, então, melhor tentar aprisionar o PT aos seus limites.

Diante de tudo isso, a opção pelo PT ainda é a mais justa e coerente para enfrentar as lutas presentes e de um futuro próximo. Com toda delicadeza e às vezes a crueza que debate exige, com respeito às opções distintas.

Domingo, voto 13.

 

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