São Sebastião flechado do Rio, nos livre da peste… Okê!

por Sulamita Esteliam

Desídia, negligência e incompetência são parte do projeto genocida do desgoverno do capiroto. Já escrevi isso mais de uma vez aqui neste blogue. Homicídio em massa, com a leniência ou o descaso da Forças Armadas, sim, e demais instituições da res-pública deste Brasil varonil.

O consolo é que, se existe justiça Divina, – e Euzinha creio que há – o que é deles está guardado.

Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, que coordena estudo de uso da vacina BCG na prevenção do Covid-19, vai direto ao ponto.

Fala de “desídia absoluta” e da “incompetência diplomática” do desgoverno- aliás, admitida, sem o menor decoro. E reafirma que “nada, nada justifica” o atraso na campanha de vacinação do povo brasileiro.

Está lá, no vídeo postado no A Tal Mineira TV, a partir do canal da deputada Jandira Feghali, do PCdoB-RJ:

No final de dezembro passado, exatamente no dia do meu aniversário, 28, a Folha publicou entrevista com Dalcolmo.  Nela, a pesquisadora alerta para o imperativo dos cuidados nos próximos dois anos, uma vez que o coronavírus se tornará endêmico.

Em resumo: apesar da vacina, fundamental para conter a pandemia, teremos que seguir usando máscaras e mantendo medidas de segurança, como uso de álcool, lavar as mãos e evitar aglomerações.

Às “medidas civilizatórias” domésticas para a maioria absoluta dos mortais, se somam vacinação e testagem  antes de viagens internacionais, para quem pode se dar ao privilégio ou transita por motivos profissionais ou quaisquer outros.

O discurso deste 20 de janeiro, constata-se, se deu durante cerimônia de celebração do Dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, pelo arcebispo dom Orani Tempesta.

Curioso registrar que o mártir católico é considerado patrono contra as pestes, as pandemias. Consta nos anuários da Igreja que, no ano de 680 da Era Cristã, quando a peste assolou a Itália, as relíquias do santo foram levadas de Roma para Pavia e ali expostas; e sobreveio a cura.

O mesmo teria acontecido em Portugal, também assolada pela peste, na Era dos Descobrimentos; e durante a gripe espanhola em 1918 – que ceifou um quarto da população mundial.

Também no Brasil se recorreu aos poderes de São Sebastião, quando da epidemia de varíola no Rio de Janeiro, em 1599. Custou a vida de 3 mil fluminenses, principalmente de indígenas, e de escravos que laboravam nos engenhos.

No sincretismo afro-brasileiro, São Sebastião é Oxóssi, orixá das Florestas, caçador, protetor de todos que buscam o sustento e o bem estar, as ervas medicinais que curam. Por isso, é também provedor da astúcia, do conhecimento, das artes, da filosofia, da expansão dos limites.

E como precisamos de sabedoria e atitude para recuperar, coletivamente, o direito à vida, à sobrevivência com dignidade!

No plano do Divino, quem sabe é de lá, da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, cidade-símbolo do Brasil, onde floresceu a peste, que nos vem a cura?

Para além da vacina para todos, precisamos sanear a treva e odor de esgoto que se abate sobre este país. Precisamos de luz e da misericórdia do livramento.

Okê, Arô! Okê, okê, Oxóssi! Sua proteção, meu pai Odé!

Como naquela canção de Totonho Villeroy, cantada por Mart’nália, da Vila que aprende mais cedo (no álbum Menino do Rio/Quitanda-Biscoito Fino, 2005 – Maria Bethânia recita trechos de Cartão Postal, de Vinicius de Moraes):

(…) São Sebastião do Rio flechado/
Em seu peito atravessado/
Pelas setas dos seus filhos/
Queira Deus que os meninos/
Achem a trilha nos seus trilhos/
Inspirados na beleza do seu verde e seu anil/
E mereçam a cidade estandarte do Brasil/
E que outros mil poetas/
Venham te cantar, meu Rio(…)

Ou ainda, nos versos da canção de Gilberto Gil e Milton Nascimento, WEA, 2000:

Sebastian, Sebastião/
Diante de tua imagem/
Tão castigada e tão bela/
Penso na tua cidade/
Peço que ores por ela (…)

 

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