Elegia à mentira

por Sulamita Esteliam

Qual o tamanho da perna da mentira? Desde menina ouço dizer que ela é curta. Mas qual é a régua que mede a perna da mentira?

Onde começa e onde termina a medida? Inclui os pés e para no joelho ou vai até a virilha? E se a gente ajoelhar, tem que rezar e pedir perdão? E se ficar de quatro, o que acontece?

Invade o corpo… pela cabeça, embaralha a mente, emprenha. Bloqueia o cérebro, cérbero. Congela o coração, des’alma penada não sente.

Destrava a boca, fossa aberta fede. Cerra os olhos, biruta ao vento, outros quinhentos. Ou vai ou racha, escracha. Escancara tudo de um vez…

Sete anos de mentira, tanto bate até que fura. Isso mesmo, sete, que é conta de mentiroso. Não era pelos 20 centavos, lembra? Então…

Galinha que acompanha pato morre afogada. Sabedoria de dona Zelita, que pariu minha alma gêmea, Dora, que cedo se encantou. Mas isso é outra história, dela e de outras Marias que encontro pelo caminho… Um dia conto.

De farsa em golpe, de pedalada em fraude, degola, desmonte, violação. Cai a ponte no abismo infindo. Perseguição.

A desgraceira pronta, a falsidade usa toga e colarinho, em rede, renda e pergaminho.

Fake não é notícia, mas elege capiroto.

Deboche, escárnio, desespero. Hades é aqui.

O povo em teia, engole sapo e cospe sangue, desdenha do relho e abraça o capataz. A noite cerra. A morte espreita, refestela. Falta ar.

A consciência geme. A garganta seca. O medo aperta.  A esperança treme. A fé se esvai… Cadê a coragem que estava aqui?

Haja terra para tamanho embuste. O mito não resiste ao calor da verdade.

Então, respire fundo, devagar e continuamente, assim… Verá que sempre há uma luz disposta ao brilho, mesmo que tênue.

Repare, há fogueirinhas brotando ali e acolá, em meio à fumaça. A chama tremula, não assopre, deixe crepitar.

Vamos lá, abra a janela, convoque a vida para fazer o dia amanhecer outra vez.

Creia, seja qual for o tamanho da perna e a régua da medida, nem tudo é mentira sempre.

Sabe aquele avião adesivado para buscar vacina na Índia, que decolaria dia 15? Pois é. A encomenda só fica pronta em abril, olha a seta indicando o prazo. A data do contrato é dia 08 de janeiro de 2021, uma semana antes da viagem que não poderia acontecer. A mentira desgovernada. Foto: reprodução

Para fechar, um poemeto para desopilar. Variação sobre o mesmo tema.

Noves fora, nada!

Mentem.

Manipulam.

Matam.

Meliantes

Malditos.

Mascarados de

Merda.

Mistura tétrica.

Milícia infame.

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