O pesadelo de 2022, sem válvula de escape

por Sulamita Esteliam

O capiroto presidente fez barba, cabelo e bigode na escolha da direção do Congresso para a próxima legislatura, que estará em vigor quando o Brasil voltar às urnas, em 2022, para escolha do futuro presidente. Uhuu, o Congresso é nosso!

Mestre Paulinho Saturnino, sociólogo, com o olhar sempre arguto e crítico, me envia o texto que posto abaixo. Antecipou-se ao pedido que certamente lhe faria, já que ando meio enferrujada nesse metiê.

Prepare-se! A análise não deixa muito espaço para um olhar otimista no fim do túnel.

Não obstante, é um alerta, sobretudo, para as esquerdas de que é preciso sair do imobilismo da falta de estratégia ou serão engolidos pela hidra, como o foram em 2018 pela anaconda.

Com genocídio, miséria, fome, inflação, desemprego, desmantelo, milícia, Congresso, mídia e STF, com tudo…

Bozo parte para a escolha do inimigo à esquerda

por Paulinho Saturnino Figueiredo

Com as bombásticas vitórias da segunda, 1 de fevereiro, no Senado e na Câmara, Bozo, mesmo acuado pelo centrão, no melhor estilo velha política, parte firme rumo a 2022.

Agora, com boas possibilidades de anular outras candidaturas presidenciais na direita, já que domina a extrema-direita, centrará (sem trocadilho) suas atenções sobre a escolha de um candidato na esquerda, ou centro-esquerda, que ele perceba como capaz de derrotar.

Suas tropas estimularão a candidatura opositora escolhida, e agirão dissimuladamente. Ele precisa de um adversário que possa vender como inimigo dos projetos e aspirações das classes médias conservadoras, do empresariado, das igrejas neopentecostais e da direita em geral, o que os trará, por movimento de gravidade, como em 2018, para seu curral.

E, dependendo dos desdobramentos da conjuntura, até mesmo Lula poderá ser o escolhido.

Jogada ousada, mas ninguém melhor que Lula pra fazer o gado e a direita buscarem de novo o colinho quente do Bozo. Especulação.

As cartas foram reembaralhadas. Vejo os olhinhos da mídia conservadora brilhando diante da perspectiva de retomada, com chances de êxito, das reformas neoliberais.

Agora, é saber se o Bozo terá cacife para pagar a conta ainda incomensurável que o centrão trará à sua mesa.

É saber se as esquerdas terão forças para tirar as bundas das cadeiras, bundas infladas pela pandemia e pela incapacidade de articular projetos e estratégias comuns, mínimas que sejam.

Que a justificável irritação não nos imobilize. De tédio não morreremos no futuro próximo.

Sem esquecer que a pandemia e a miséria crescente continuam na mesa desse carteado, e sabem blefar como profissionais.

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Em tempo: Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, declarou à CBN que a prisão em segunda instância foi criada para tirar o ex-presidente Lula da eleição de 2018.

“Nunca teve prisão em segunda instância no Brasil. Só teve para prender o Lula e tirá-lo da eleição. Foi um casuísmo.”

Disse mais, na reprodução de Carta Capital:

“Não Vamos permitir que as conversas do Intercept da Lava Jato, que foram autenticadas pelo ministro Lewandowski, desapareçam. São crimes cometidos pela quadrilha da Lava-Jato.”

Paulinho me envia a notícia pelo zap-zap, agregando o comentário:

– Mais cedo falávamos sobre isso aqui. O bolsonarismo, do qual o deputado Ricardo Barros é ativo porta-voz, parece querer testar a hipótese Lula como adversário, ops, como inimigo para o processo eleitoral. Tudo anda muito incipiente, mas pedindo atenção total.

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