Lula e a armação do tabuleiro para 2022

por Sulamita Esteliam

O A Tal Mineira publica crônica política do mestre Paulinho Saturnino, sempre atento aos acontecimentos políticos e a postos para análise com verve acurada. Ele fala do tabuleiro em montagem para 2022. É bom prestar atenção!

Lula, Bozo e o jogo da política

por Paulinho Saturnino*

Sempre digo que Lula é meu ídolo, mas nunca será, nem quer ser, meu pastor. Sou, e continuarei ateu. Lula me instiga, me inspira, e como ser humano me encanta. Mas, se fez meu ídolo foi na política, e é nesse campo que o discuto, inclusive pelo respeito que tenho por ele. E a política é jogo vivo e mutável, e se impõe pela relação dialética (perdão pela má palavra) entre erros e acertos que se sintetizam em realidade viva. 

É nesse jogo que vejo o erro, grave, de deixar o Bozo seguir pautando o cotidiano político, e até social. Ele precisa que nomes sejam lançados, que o campo oposto apresente fissuras precoces, e que as iscas que ele semeia pelo caminho sejam engolidas por personagens-candidatos separados, que reagem a elas com reações diversas. E inúteis. 

Ontem mesmo, ao contrário de seu Palmeiras, Bozo fez um belo gol. Induziu os tucanos a meterem uma cunha nos avanços do Dória, o “herói” das vacinas. O PSDB que se quer liberal e racional colocou o governador gaúcho, Eduardo Leite, na rua, como candidato anti-Dória. E não por acaso, o Eduardo Leite é o que de mais Haddad eles têm em suas hostes partidárias. Jovem e jovial, bonito, sensato, ponderado, capaz de levar as famílias a sonharem com um genro ideal.

E pensar que o ora escorraçado como autêntica Geni da política-pátria, Aécio Neves, já ocupou esse lugar em nosso imaginário mediano. 

Bozo sabe que seu terreno de batalha ideal é aquele coberto por um emaranhado de embates sobre costumes, provocações identitárias e afins. Paradoxalmente, sua comprovada e perigosa eficácia política está em saber arrancar a política das pautas. Afora família (a sua) e armas, o resto de seu converseiro, incluindo esse Deus para uso oportunista, é ração para seu gado, e sempre se pode trocar a alfafa pela soja. pelo capim, pelo diabo. 

Aproveitando que a China anda em voga, recorramos ao sábio Sun Tzu: “Diante de uma grande frente de batalha, procure o ponto mais fraco e, ali, ataque com sua maior força”.

Nós andamos minimizando o tamanho da frente de batalha. Diante da grande adversidade do presente, a gente erra ao maximizar pequenas forças recuperadas, vez ou outra meras miragens. Por exemplo, é preciso ver que a comemorada recente decisão do STF, pouco mais foi que parte do Supremo tentando livrar sua cara, e a cara da sua justiça. 

Ainda não consegui achar a fala do Lula lançando o Haddad. Ele costuma ser sutil, e sabe jogar pra opinião pública. E certamente está atento à esgrima falsamente desajeitada do Bozo.

*Paulo Roberto Saturnino Figueiredo é sociólogo e professor, dirigiu a Fafich- Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG

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