por Sulamita Esteliam
Cá estamos de volta, depois de longa e sofrida ausência. Quando blogar passa a ser um suplício, melhor dar um tempo para a reciclagem. Todavia, se falta disposição, sobra a força do hábito ou a culpa.
Resultado: você bota a cabeça no travesseiro, e o cérebro se recusa ao descanso, e as palavras que deveriam ser escritas se tornam imagens e ruídos fantasmagóricos a assombrar seu sono.
Grosso modo, é como deixar a terra onde nasceu, porque ela não lhe cabe mais: você muda de endereço, mas a origem está lá, entranhada feito nódoa de fruta, não sai de você.
Descobri por esses dias que tenho inventado dores para distrair-me do óbvio: estou ficando velha e não tenho mais disposição cotidiana para o terceiro turno. Sim, porque quase sempre blogo à noite, após a faina do dia a dia.
O bom da história é que não me sinto mais obrigada a nadica de nada. Faço o que dou conta no enredo do que é preciso, e no tempo que me convém. Tudo o mais fica para depois…
Estou irreconhecível, devo confessar.
Não que me incomode a imagem que o espelho me devolve. Envelhecer nunca foi preocupação que me assoberba. Quem não quer admitir o passar do tempo, e não se submete a trocar de nariz, peito, barriga e bunda, que trate de morrer cedo.
Euzinha quero mais é viver o meu tempo, do jeito que a vida quer, e alguém já cantou isso: é assim, desse jeito.
De pouco ou nada adianta brigar com o tempo, além do mais… O tempo é sim, o senhor dos mundos e da razão.
Assim, como o dia e a noite, o nascer e o por do sol, o dia a pós dia, as dobras do porvir… O tempo é a vida e a morte em contínuo movimento.