Liberdade teu nome é mulher

por Sulamita Esteliam

Não quero falar de ditadura, repressão, tortura, desgraceira de toda sorte. Neste 31 de Março, quero falar de liberdade, de mulher e suas escolhas, seus desejos, seus prazeres, suas vidas e suas trilhas.

Fechar o Mês da Mulher com Literatura feminina, feminista, antirracista, potente e diversa, como deve ser.

Para isso, escolho três autoras, contistas, cronistas, poetas em sua natureza. Duas são pernambucanas da mesma geração: Odailta Alves, escritora, educadora e atriz preta, lésbica e ativista dos direitos humanos, com ênfase na prática antirracista; e Germana Accioly, jornalista, escritora, atriz e também mãe. A terceira é a carioca de alma, contista consagrada, que dispensa apresentação, Marina Colasanti.

Odailta Alves e Germana Accioly são duas mulheres ainda jovens, com uma escrita poética audaciosa, que traduz a mulher sem medo de encarar suas profundezas e desejos, seu avesso e clarividência, seu lugar no mundo.

Ambas foram convidadas do Violência Zero, quadro que apresento no Projeto Banco de Feira, programa de rádio ao vivo e itinerante pelos mercados públicos, feiras e praças do Recife e entorno.

Cria de Santo Amaro, preta e pobre na origem, Odailta escreve com a força ancestral, revirando as estruturas do conformismo e do preconceito. Doutoranda em Linguística na UFPE, tem seis livros publicados: Clamor Negro, Cativeiro de Versos, Letras Pretas e Nenhuma Parada de Amor (poemas), Escrevivências e Pretos Prazeres, este de contos eróticos.

Escolhi três contos do livro Pretos Prazeres, edição da autora, para ler nesta edição do Leitura Literária: Frígida, A Vizinha e O Aniversário.

Germana Accioly é recifense, mãe, jornalista, ativista dos direitos humanos, com especialização em Cultra e Comunicação pela Agecif , Paris. Foi repórter, apresentadora de TV e atriz também de teatro. Escreve desde criança, mas acaba de lançar, em edição colaborativa, seu primeiro livro: “Não é Sobre Você“, crônicas e contos escritos desde 2007.

O cotidiano do Recife perpassa sua obra, poéticamente elaborada, tecida a partir de vivências ricamente emolduradas , às vezes com leveza, por vezes com ironia ácida, frutos de cuidadosa observação. A obra pulsa intensidade.

Leio três textos do livro recém-lançado: Bendita Raiva, Faisca e Não Quero Rejuvenescer.

Bom, Marina Colasanti dispensa apresentação. Contista consagrada, com estilo único, onde a imaginação desconhece limites, seu estilo é delicado, feminino, de ironia fina e que fala direto à emoção.

Especialmente em Contos de Amor Rasgados, Rocco,Rio de Janeiro, 1986, ela usa as palavras como um jogo metafórico e de fantasia que pode levar, até, a certo estranhamento. São contos curtos, de liguagem direta, que instiga e nos induz a soltar as amarras e viajar.

Escolhi três: Nunca descuidando do dever, Por serviços prestados e Apoiando-se no espaço vazio.

Ao vídeo do Leitura Literária:

******* PS: na abertura do vídeo eu me confundo e troco o nome de Germana por Giovana. Só vi depois de algumas horas de postagem. Resolvi deixar como está, porque adiante, quando faço a leitura de textos dela, falo o nome corretamente. Peço desculpas pela falha.

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